A oferenda pascal e a oferenda de pecado que foram abatidas não em seu nome; recebeu, transportou e aspergiu não em seu nome; ou em seu nome e não em seu nome, ou não em seu nome e em seu nome — são inválidas. Como assim, em seu nome e não em seu nome? Com a intenção de oferenda pascal e com a intenção de oferenda de paz. Não em seu nome e em seu nome? Com a intenção de oferenda de paz e com a intenção de oferenda pascal. — A primeira mishná do capítulo já ensinara que a oferenda pascal e a de pecado se invalidam quando abatidas sem a intenção correta. Esta mishná final estende essa mesma regra às outras três etapas essenciais do serviço sacrificial: o recebimento do sangue num vaso, seu transporte até o altar, e sua aspersão sobre o altar. Se qualquer uma dessas quatro ações for realizada com uma intenção que não seja a correta — mesmo que as outras três tenham sido feitas corretamente — a oferenda pascal ou a de pecado se invalida. A mishná esclarece ainda um caso intermediário: se, numa mesma ação (por exemplo, o abate), o sacerdote teve, sucessivamente, tanto a intenção correta quanto a incorreta — nessa ordem ou na ordem inversa — o sacrifício também se invalida; basta que a intenção errada tenha entrado em algum momento daquela ação para causar a invalidação, mesmo que acompanhada da intenção correta.
Pois o sacrifício se invalida por quatro coisas: no abate, no recebimento, no transporte e na aspersão. Rabi Shimon o valida no transporte, pois Rabi Shimon dizia: é impossível que não haja abate, que não haja recebimento e que não haja aspersão, mas é possível que não haja transporte — abate-se ao lado do altar e asperge-se. Rabi Eliezer diz: aquele que transporta em lugar onde é necessário transportar, o pensamento invalida; e em lugar onde não é necessário transportar, o pensamento não invalida. — A mishná resume o princípio em uma lista fechada de quatro avodot vulneráveis à intenção incorreta. Rabi Shimon discorda quanto ao transporte: para ele, apenas as três ações estrutural e fisicamente indispensáveis a qualquer sacrifício — abater, receber o sangue e aspergi-lo — são suficientemente "essenciais" para que uma intenção incorreta nelas cause invalidação; o transporte, por outro lado, é dispensável na prática (se o animal for abatido bem ao lado do altar, pode-se aspergir o sangue diretamente, sem precisar "caminhar" com ele), e por isso uma intenção incorreta durante o transporte não invalida a oferenda. Rabi Eliezer propõe uma distinção intermediária: mesmo o transporte pode invalidar por intenção incorreta, mas apenas quando ele é de fato necessário naquela situação específica — por exemplo, quando o abate ocorreu longe do altar e o sangue precisa ser efetivamente levado até lá; se o transporte foi supérfluo (o sangue já estava perto do altar), a intenção incorreta durante esse deslocamento desnecessário não tem consequência.
A distinção entre as quatro avodot que a Guemará deriva da linguagem da Torá sobre o oferecimento do sangue, e o versículo de pigul que serve de contraste para o alcance de cada uma.
Da expressão "e oferecerão o sangue" a Guemará deriva a exigência do recebimento do sangue num vaso, feito por um sacerdote apto. Já o versículo de pigul — a invalidação por pensar, durante o serviço, em comer a carne ou queimar as partes fora do prazo devido — usa o verbo "יֵרָצֶה" (será aceito), que a tradição associa especificamente à aspersão do sangue, o ato que "aceita" e completa o sacrifício no altar. A partir da comparação entre a linguagem desses versículos e outros, a Guemará desta mishná debate se a invalidação por pensamento incorreto (a distinção mais ampla entre "não em seu nome" e o pigul mais grave) se estende igualmente ao recebimento e ao transporte, ou se permanece restrita à aspersão e ao abate.
Rambam esclarece que a mishná se apoia no princípio de que a intenção do sacerdote é o que determina a validade em cada uma das quatro avodot: se, em qualquer uma delas, pensou-se sem a intenção correta, o sacrifício se invalida — se era a oferenda de pecado ou a pascal; se era outro sacrifício, apenas deixa de cumprir a obrigação do dono, como ensinado na primeira mishná. Rambam observa que é importante saber que o transporte do sangue realizado por alguém que não é sacerdote (um "zar", leigo) é inválido, e que, segundo a Sifra, a partir do recebimento do sangue em diante todo o serviço é exclusivo dos sacerdotes — o que mostra que o transporte é, sim, uma avodá própria e significativa, ainda que Rabi Shimon a exclua da lista das que podem ser invalidadas por intenção incorreta. Quanto a Rabi Eliezer, explica que "lugar onde é necessário transportar" significa levar o sangue do local do abate até o interior do pátio, para junto do altar; e que a lei não segue nem Rabi Eliezer nem Rabi Shimon — ou seja, todas as quatro avodot, incluindo o transporte em qualquer circunstância, são vulneráveis à intenção incorreta.
Bartenura explica que "recebeu, transportou e aspergiu" é uma lista de alternativas — basta que qualquer uma dessas ações (assim como o próprio abate) tenha sido feita sem a intenção correta para invalidar a oferenda pascal ou a de pecado, ou para impedir que outros sacrifícios cumpram a obrigação do dono. Sobre a posição de Rabi Shimon, explica que ele considera o transporte dispensável na prática — pois é possível abater bem ao lado do altar e aspergir sem necessidade de "caminhar" — e por isso a intenção incorreta durante essa etapa não invalida. Os sábios discordam: mesmo sendo tecnicamente dispensável, o transporte é uma avodá real (prova disso é que é inválido se feito por um leigo), e "um serviço que pode ser dispensado ainda se chama serviço" — portanto vulnerável à mesma regra. Quanto a Rabi Eliezer, exemplifica: se o sacerdote recebeu o sangue do lado de fora, longe do altar, e o trouxe para dentro, aproximando-o do altar — esse é o transporte necessário, vulnerável à intenção incorreta; se o recebeu já perto do altar e o levou para fora, sem necessidade, e depois voltou a trazê-lo — apenas esse retorno final conta como o transporte necessário. A lei não segue nem Rabi Eliezer nem Rabi Shimon.
Rashi confirma, primeiro, que a lista "recebeu, transportou e aspergiu" é uma enumeração alternativa de possibilidades, cada uma capaz, por si só, de invalidar a oferenda; e explica o caso intermediário de "em seu nome e não em seu nome" como um pensamento duplo dentro de uma única avodá. Sobre Rabi Shimon, confirma que sua isenção do transporte se deve a ele ser tecnicamente dispensável. Sobre Rabi Eliezer, explica que apenas o transporte genuinamente necessário — levar o sangue de onde foi recebido até mais perto do altar — é vulnerável à intenção incorreta. Na Guemará, Rashi rastreia a fonte bíblica de cada avodá: do versículo "e os filhos de Aharon, os sacerdotes, oferecerão o sangue" deriva-se a exigência do recebimento do sangue, feito num vaso sagrado, por um sacerdote apto (excluindo profanados e portadores de defeito físico) e vestido com as roupas sacerdotais. E sobre o debate central da sugya — se a intenção de pigul (comer ou queimar fora do prazo) invalida também no recebimento e no transporte, e não apenas no abate e na aspersão — Rashi explica que, segundo uma leitura, a intenção de pigul não invalida no recebimento nem no derramamento dos resíduos de sangue na base do altar, mas apenas na aspersão, pois é o versículo "quem o oferecer não será considerado a seu favor" — referindo-se especificamente ao ato que "traz à aceitação" a oferenda, isto é, a aspersão — que estabelece essa invalidação mais grave.