Quem tem um escombro caído sobre si — dúvida se está ali, dúvida se não está; dúvida se está vivo, dúvida se está morto; dúvida se é estrangeiro, dúvida se é israelita — removem sobre ele o entulho. — Diante de um desabamento, mesmo quando existem múltiplas incertezas simultâneas — se há de fato alguém soterrado, se essa pessoa ainda está viva, e até se ela pertence ao povo de Israel —, a resposta é a mesma em todos os casos: começa-se imediatamente a remover os escombros para buscar um possível sobrevivente, sem esperar que as dúvidas se resolvam.
Encontraram-no vivo, removem sobre ele. — Assim que se confirma que a pessoa soterrada ainda está viva, prossegue-se a remoção do entulho para resgatá-la, mesmo que se preveja que ela sobreviverá apenas por pouco tempo.
E se morto, deixam-no. — Uma vez confirmado que a pessoa já está morta, cessa a obrigação de continuar a remoção emergencial do entulho em violação ao Shabat, e a retirada do corpo prossegue pelos meios normais, sem mais violar as proibições do dia.
O versículo de Bereshit 7:22, sobre o dilúvio, é a base para o critério prático da tradição oral ao determinar a morte: a verificação do sopro de vida na região das narinas, sinal último de vida que resta quando todo o restante do corpo já está imóvel sob o entulho. Já o versículo de Shemot 31:16, "guardarão o Shabat... para as suas gerações", é lido homileticamente como "guardem um Shabat para que possam guardar muitos Shabatot" — a base para o princípio de que se pode violar um único Shabat, quando a vida está em risco, precisamente para que a pessoa resgatada possa continuar observando o Shabat no futuro.
O Rambam descreve o procedimento prático de escavação e o ponto exato em que se interrompe a busca por sinais de vida.
"Removem" — quer dizer que escavam e o procuram, e quando chegam até seu nariz e não encontram nele respiração, então é proibido escavar mais, pois certamente está morto. E se o encontraram vivo, ainda que esteja em condição de só poder viver por pouco tempo e vá morrer logo depois, escavam sobre ele e o retiram.
Bartenura detalha por que se verifica especificamente o nariz, e explica que mesmo os que sustentam que se pode resgatar um corpo por causa de um incêndio concordam que aqui não se continua a escavação depois de constatada a morte.
"Removem sobre ele" — escavam o monte e o procuram atrás. E se verificaram até seu nariz, seja de cima para baixo, seja de baixo para cima, e não encontraram nele respiração, sabe-se que está morto, e não se continua a remover [as proibições de Shabat] sobre ele, pois está escrito "tudo o que tinha sopro de espírito de vida em suas narinas". "Se morto, não removem sobre ele" — isto vem ensinar que mesmo segundo quem diz que se pode resgatar um corpo por causa de um incêndio, nisto ele concorda que não se continua a escavação.
"E derramamento de sangue" — a Guemará observa, no contexto desta mishná, que ainda que se permita ao dono da casa derramar o sangue de um ladrão para salvar sua própria vida em dúvida, o derramamento de sangue é uma transgressão grave, pois contamina a terra, como está escrito, e faz com que a Presença Divina se afaste, pois está escrito "que habito em seu meio" — donde se conclui: se vocês a contaminarem, eu não habitarei.