Comeu e bebeu num único lapso de consciência, não é culpado senão de uma oferenda de pecado. — Se a pessoa, esquecida de que era Yom Kipur, comeu e também bebeu antes de se lembrar, ambos os atos — apesar de distintos — se enquadram sob uma única categoria de transgressão, gerando responsabilidade por apenas uma oferenda de pecado, e não duas.
Comeu e fez trabalho, é culpado de duas oferendas de pecado. — Já quando a mesma pessoa, no mesmo lapso de esquecimento, tanto comeu quanto realizou algum trabalho proibido, essas duas categorias de transgressão são consideradas distintas o suficiente para gerar responsabilidade por duas oferendas separadas.
Comeu alimentos impróprios para consumo, e bebeu líquidos impróprios para consumo, e bebeu salmoura ou molho de peixe, está isento. — Se, no entanto, o que a pessoa consumiu não era propriamente comida ou bebida — algo que ninguém normalmente ingere como alimento, como uma salmoura de conservas ou o líquido resultante do processamento de peixe — não há responsabilidade alguma, pois esses itens não se enquadram na definição de "comer" ou "beber" que a proibição de Yom Kipur pressupõe.
A Torá formula a proibição de não se afligir e a proibição de realizar trabalho em dois versículos consecutivos e gramaticalmente paralelos, cada um com sua própria fórmula de punição — "será decepada" e "eu destruirei" — o que a tradição interpretativa lê como sinal de que se trata de dois "nomes" distintos de transgressão, e não de uma só. É exatamente essa dualidade textual que fundamenta a distinção da mishná: comer e beber, ambos decorrendo do mesmo versículo sobre a aflição, contam como uma única categoria; mas comer, do versículo da aflição, e trabalhar, do versículo seguinte, contam como duas categorias distintas, mesmo quando cometidas no mesmo momento de esquecimento.
O Rambam identifica os termos técnicos "tzir" e "muryas" — os líquidos residuais de conservas e de peixe — que a mishná isenta por não se qualificarem como bebida.
"Tzir" é o líquido que escorre do peixe quando o deixam de molho no sal. "Muryas" [um molho fermentado de peixe] é conhecido.
Bartenura explica por que comer e beber compartilham um único "nome" bíblico, enquanto comer e trabalhar derivam de dois versículos distintos; Rashi confirma a mesma leitura a partir da Guemará.
"Não é culpado senão de uma oferenda de pecado" — pois de um único versículo derivam-se comer e beber, e é um único nome de transgressão. "Comeu e fez trabalho" — derivam-se de dois versículos, e são dois nomes distintos.
"Mishná: não é culpado senão de uma oferenda de pecado" — pois é um único nome de transgressão, já que comer e beber derivam de um único versículo. "Comeu e fez trabalho" — são dois nomes, pois derivam de dois versículos. "Comer", em outros contextos, significa a medida de uma azeitona, mas a Torá não obrigou aqui senão numa quantidade que traz sossego à mente.