Vinha o Cohen Gadol para ler. — Depois de haver realizado as principais etapas do serviço do dia vestido com as vestes de linho, o Cohen Gadol vinha a um local próximo ao Templo para a leitura pública da Torá, um ato que, ainda que não fosse em si uma etapa do serviço sacrificial, integrava as obrigações do dia.
Se quisesse ler com as vestes de linho, lia; e se não, lia com um manto branco seu. — Ele podia optar por permanecer com as vestes sacerdotais de linho que já vestia, pois é permitido usar as vestes de sacerdócio mesmo fora do momento estrito do serviço, uma vez que essas vestes foram dadas também para proveito e honra; ou, se preferisse, podia trocar por um manto branco comum, de sua própria posse, já que a leitura da Torá não é, ela mesma, uma parte do serviço sacrificial.
O chazan da sinagoga tomava o rolo da Torá e o dava ao chefe da sinagoga, e o chefe da sinagoga o dava ao adjunto, e o adjunto o dava ao Cohen Gadol, e o Cohen Gadol ficava de pé e o recebia, e lia de pé. — O rolo passava por uma cadeia protocolar de mãos — do assistente ao chefe da sinagoga, deste ao segan, o adjunto do Cohen Gadol, e deste, por fim, ao próprio Cohen Gadol — de modo a demonstrar publicamente que existem muitas posições de autoridade abaixo dele, e ele o recebia e lia em pé, sinal de que até esse momento estivera sentado, algo permitido apenas a ele entre os presentes.
E lia Acharei Mot e Ach Beassor. — Lia a passagem que começa com as palavras "depois da morte" dos dois filhos de Aharon, e a passagem que começa com "mas no décimo dia", ambas do livro de Vayikra, que descrevem o serviço de Yom Kipur e o mandamento de afligir a alma.
E enrolava o rolo da Torá e o colocava em seu colo, e dizia: "Mais do que li diante de vocês está escrito aqui." — Ao concluir, enrolava o pergaminho e o segurava junto ao corpo, declarando publicamente que o rolo continha mais texto do que aquele lido, para que ninguém suspeitasse, ao vê-lo prosseguir de memória, que a passagem seguinte estivesse ausente do próprio rolo.
E o Beassor que está no livro dos Números lia de memória, e recitava sobre ela oito bênçãos: sobre a Torá, e sobre o serviço, e sobre a ação de graças, e sobre o perdão do pecado, e sobre o Templo por si só, e sobre Israel por si só, e sobre Jerusalém por si só, e sobre os sacerdotes por si só, e sobre o resto da oração. — A terceira passagem, a dos sacrifícios adicionais de Yom Kipur no livro dos Números, ficava distante demais no rolo para ser alcançada sem uma pausa longa e desonrosa diante da congregação, de modo que era recitada de memória; encerrada a leitura, o Cohen Gadol recitava oito bênçãos, cobrindo a Torá, o serviço do Templo, a gratidão, o perdão dos pecados, e depois, individualmente, o Templo, o povo de Israel, Jerusalém, os sacerdotes, e por fim o restante da súplica.
As três leituras da mishná correspondem a três passagens da Torá que tratam de Yom Kipur, cada uma de um ângulo diferente: Vayikra 16, "Acharei Mot", narra o serviço detalhado do Cohen Gadol no Templo, com a entrada ao Santo dos Santos e os dois bodes; Vayikra 23:26-32, "Ach Beassor", situa o dia no calendário das festividades e enfatiza a aflição da alma e a proibição de trabalho; e Bamidbar 29:7-11, no livro dos Números, detalha os sacrifícios adicionais oferecidos no dia. É precisamente a distância entre essa terceira passagem e as duas primeiras dentro do rolo da Torá que explica por que ela era lida de memória: rolar o pergaminho publicamente por tanto texto deixaria a congregação esperando em silêncio, o que a mishná considera contrário à honra devida ao povo reunido.
O Rambam explica por que era permitido ao Cohen Gadol ler vestido com as vestes sacerdotais fora do serviço, e detalha o conteúdo das oito bênçãos.
Ao dizer "se quisesse, lia com as vestes de linho", ensinou-nos que é permitido a ele vestir as vestes de sacerdócio mesmo fora do momento do serviço, pois o princípio entre nós é que as vestes de sacerdócio foram dadas também para proveito fora do serviço. E davam o rolo da Torá de mão em mão por honra e grandeza. E estas são as oito bênçãos: a primeira, "que nos escolheu entre todos os povos" etc.; e depois de concluir sua leitura, abençoa "que nos deu a Torá da verdade" etc., que é a segunda bênção; a terceira, "aceita, Eterno nosso Deus"; a quarta, "agradecemos a Ti"; a quinta, "perdoa-nos"; a sexta, reza pela permanência contínua da Presença Divina no Templo; a sétima, reza para que Deus abençoe os sacerdotes e aceite suas oferendas; e a oitava reza para que Deus salve Israel e o liberte, e conclui: "Bendito és Tu, Eterno, que ouve a oração".
Bartenura explica a hierarquia protocolar da entrega do rolo e o motivo de rolar sem interromper o tradutor; Rashi identifica a localização da sinagoga do Monte do Templo e o teor de cada bênção.
"O chefe da sinagoga" — por sua palavra se decidem todas as necessidades da sinagoga: quem encerra a leitura, quem recita o Shemá, quem passa à frente da arca. E davam o rolo da Torá de um para o outro por causa da honra devida ao Cohen Gadol, para mostrar que há muitas posições de autoridade abaixo dele. "Ficava de pé e recebia" — donde se conclui que até então estava sentado. "E o Beassor que está no livro dos Números lia de memória" — porque essa passagem está mais distante de "Acharei Mot" e "Ach Beassor" do que o tempo necessário para o tradutor fazer uma pausa; por isso ele não podia enrolar o rolo da Torá até lá, pois não se enrola o rolo da Torá diante do público por causa da honra devida ao público.
"A sinagoga" — ficava próxima ao pátio, no Monte do Templo. "O chazan da sinagoga" — é o assistente. "E dizia: mais do que li diante de vocês etc." — a Guemará explica o motivo. "Sobre a Torá" — a bênção que vem depois dela, "que nos deu" etc. "E sobre o serviço" — "aceita, Eterno, o Teu povo Israel, e aceita o serviço no santuário de Tua casa" etc., "pois só a Ti, com temor, serviremos". "E sobre a ação de graças" — "agradecemos a Ti" até "o bem, a Ti é dado agradecer"; abençoa pelo serviço que realizou, e a ação de graças vem logo após o serviço. "Sobre o perdão do pecado" — "perdoa nossos pecados neste Yom Kipur" etc., até "Rei que perdoa e absolve nossos pecados". "Sobre o Templo" — reza pelo Templo e conclui "bendito o que escolheu o Templo". "E sobre os sacerdotes" — reza pelos sacerdotes e conclui "bendito o que escolheu a descendência de Aharon", e da mesma forma sobre Israel.