Ele vem ao touro e ao bode que serão queimados. — Depois de entregar o bode enviado a seu condutor, o Cohen Gadol se dirige ao local onde aguardam o touro e o bode cujo sangue já foi usado nas aspersões do Santo dos Santos, do Santuário e do altar de ouro — os mesmos animais descritos nos perakim anteriores.
Rasgava-os, e retirava suas porções [do altar], colocava-as numa bandeja, e as queimava sobre o altar. — O Cohen Gadol abre o corpo dos dois animais e separa as porções de gordura destinadas à combustão sobre o altar — as mesmas porções queimadas em qualquer oferenda de pecado — colocando-as temporariamente numa bandeja, para queimá-las sobre o altar quando chegasse o momento apropriado, mais adiante no serviço do dia.
Entrelaçava-os em tranças, e os levava à casa da queima. — O restante dos corpos — pele, carne e excrementos, ainda inteiros — era amarrado numa espécie de trança, carregado por homens em varas, e transportado para fora de Jerusalém, ao local designado para a queima completa.
E a partir de quando contaminam as roupas? A partir de quando saem para fora do muro do pátio. Rabi Shimon diz: a partir de quando o fogo pega na maior parte deles. — Assim como no caso do bode enviado, há aqui uma disputa sobre o momento em que a impureza ritual, que exige a lavagem das roupas de quem participa da queima, começa a se aplicar: a opinião anônima situa o início já na saída do pátio do Templo, enquanto Rabi Shimon o posterga até o instante em que o fogo efetivamente consome a maior parte dos corpos.
O versículo especifica que "as suas peles, e a sua carne, e o seu excremento" — o corpo inteiro, sem esfolar — devem ser queimados, o que a mishná traduz na prática de "entrelaçá-los em tranças" para o transporte: os animais eram carregados intactos, apenas com o corte necessário para retirar as porções do altar. A disputa sobre o momento em que a contaminação das roupas começa gira em torno do verbo "e o que os queimar" (vehasoref otam) — a opinião anônima o lê como referindo-se a todo aquele envolvido no processo desde que os corpos deixam o recinto sagrado, enquanto Rabi Shimon o lê estritamente como referindo-se ao ato da queima em si, que só se completa quando o fogo realmente consome a maior parte da carne.
O Rambam explica o sentido de "entrelaçar em tranças" e decide contra Rabi Shimon.
"Entrelaçava-os em tranças" — explicação: que levantava os pedaços de carne sem esfolá-los, conforme dito por Ele, bendito seja: "as suas peles, e a sua carne". E a linguagem da Torá é: "e o que os queimar lavará as suas roupas". E a halachá não é como Rabi Shimon.
Bartenura e Rashi descrevem o modo prático de transportar os corpos entrelaçados, e explicam por que a queima ainda não podia ocorrer nesse momento do serviço.
"E as queimava" — não se pode dizer que já as queimava agora, pois ainda está vestido com as roupas de linho branco, e ainda lhe resta ler a passagem [da Torá] vestido com as roupas brancas; antes, quer dizer isto: colocou-as na bandeja para queimá-las depois, quando chegasse seu momento, após imergir-se e vestir as roupas de ouro. "Entrelaçava-os em tranças" — uma espécie de trançado, e estão inteiros com suas peles, sua carne e seu excremento, exceto que se rasgou seu ventre para retirar suas porções.
"Mishná: ele vem ao touro etc." — a mishná retoma sua ordem original, que é a ordem do serviço do Cohen Gadol, e ensina que, depois de entregar o bode enviado a quem o conduziria, o Cohen Gadol vem ao touro e ao bode destinados à queima, rasga-os e retira as porções do altar. "E as coloca na bandeja" — numa vasilha dos utensílios de serviço, e as queimava, conforme está escrito: "e a gordura da oferenda de pecado ele queimará no altar"; e na Guemará se pergunta como ainda não era próprio o momento de queimá-las. "Entrelaçava-os em tranças" — uma espécie de trançado: quatro homens carregavam duas varas [...] e o que os queimar lavará as suas roupas.