O que fazia? Dividia a língua de lã escarlate: metade amarrava na rocha, e metade amarrava entre os dois chifres [do bode], e o empurrava para trás, e ele rolava e descia, e não chegava à metade do monte antes de se fazer em pedaços e pedaços. — Ao chegar ao ponto final, o condutor dividia em duas a fita de lã tingida de escarlate: uma metade ele fixava numa rocha do local, e a outra metade amarrava entre os chifres do próprio bode; então empurrava o animal para trás, em direção ao precipício, e o bode caía rolando montanha abaixo com tal violência que, antes mesmo de percorrer metade da distância até o sopé, seu corpo já se despedaçava em múltiplos pedaços.
Vinha e se sentava sob a última cabana até escurecer. — Cumprida sua tarefa, o condutor não retornava imediatamente — permanecia sentado, esperando, sob a última das dez cabanas, até que a noite caísse, pois o esforço da jornada e o receio de permanecer sozinho no deserto justificavam essa pausa antes do retorno.
E a partir de quando contamina as roupas? A partir de quando sai para fora do muro de Jerusalém. Rabi Shimon diz: a partir do momento em que o empurra ao penhasco. — A Torá determina que quem participa do envio do bode fica ritualmente impuro e deve lavar suas roupas; a mishná registra uma disputa sobre o momento exato em que essa impureza começa a se aplicar — a opinião anônima situa o início já na saída da cidade, enquanto Rabi Shimon o posterga até o instante concreto do empurrão final no penhasco.
É o próprio verbo "o que envia" (hameshale'ach) que a mishná debate: a opinião anônima entende que o "envio" já se realiza no ato de conduzir o bode para fora da cidade, ao passo que Rabi Shimon entende que "enviar" só se completa no gesto concreto que o lança em direção ao precipício. Essa é a mesma raiz do verbo usado desde Vayikra 16:10, 16:21 e 16:22 para descrever toda a operação do bode — "enviá-lo ao deserto" — e a disputa reflete duas leituras possíveis de quando, dentro desse processo contínuo que começa na entrega das mãos do Cohen Gadol e termina no despenhamento, o gesto humano de "enviar" está de fato concluído para fins de contaminação das roupas.
O Rambam explica a razão de se dividir a língua de lã em duas metades, e decide contra Rabi Shimon.
Não amarrava toda a língua no penhasco, para que não branqueasse antes do empurrão do bode, fazendo-os pensar que os pecados já haviam sido expiados antes de o bode ser empurrado. E o que obrigou a não amarrá-la toda entre seus chifres é que, no momento do empurrão, ele poderia curvar a cabeça e a língua de lã não seria vista mesmo que branqueasse, e o ânimo do povo enfraqueceria, pensando que a expiação não se completou. E a halachá não é como Rabi Shimon.
Bartenura e Rashi explicam por que a língua era dividida entre a rocha e os chifres, e a razão de o condutor esperar até escurecer antes de voltar.
"Metade amarrava na rocha e metade entre seus chifres" — não amarrava toda a língua de lã escarlate na rocha, para que não branqueasse imediatamente antes do empurrão do bode [...]. Por isso amarrava metade na rocha, e ela não branqueia pela metade até que se complete toda a obra. "Vinha e se sentava" — voltava até a última cabana; e ainda que quem sai para fora do limite, mesmo com permissão dos sábios, só tenha [permissão de avançar] dois mil côvados, a ele permitiram isso, porque temia permanecer no deserto depois de escurecer.
"Dividia a língua de lã escarlate" — na Guemará se explica a razão: como há um preceito quanto ao bode de empurrá-lo para trás [...] por isso, ao final, amarra a metade entre seus chifres, com os olhos fixos nele, e, por estar ocupado com ele até o fim, não deixará de empurrá-lo. "Vinha e se sentava" — voltava até a última cabana; e ainda que quem sai para fora do limite, mesmo com permissão, só tenha [direito a] dois mil côvados, a ele permitiram isso, pois está exausto e fraco, e também teme permanecer sozinho no deserto depois de escurecer. "A partir de quando contamina as roupas" — pois está escrito: "e o que enviar o bode lavará as suas roupas".