Ele amarrou uma fita de escarlate na cabeça do bode enviado e o colocou de frente para o lugar de seu envio, e o degolado de frente para o lugar de sua degolação. — Antes de enviar o bode ao deserto, o Cohen Gadol marcava sua cabeça com uma fita de lã tingida de escarlate e o posicionava voltado para a direção pela qual seria conduzido; o bode destinado à degolação era igualmente posicionado voltado para o local onde seria abatido, evitando qualquer confusão entre os dois.
Ele veio a seu segundo touro, e apoiou suas duas mãos sobre ele, e confessava. — Depois da primeira confissão sobre o touro, feita apenas por si e por sua casa, o Cohen Gadol retornava ao mesmo touro para uma segunda confissão, mais ampla, incluindo agora os demais sacerdotes.
E assim ele dizia: Ó Nome, eu pequei, transgredi, errei diante de Ti, eu e minha casa e os filhos de Aharon, teu povo santo. — A fórmula da confissão nomeia três graus de falta — o erro, a transgressão e o pecado — e se estende do próprio Cohen Gadol a sua casa e a toda a linhagem sacerdotal de Aharon.
Ó Nome, perdoa, eu Te peço, os erros e as transgressões e os pecados que errei, e que transgredi, e que pequei diante de Ti, eu e minha casa e os filhos de Aharon, teu povo santo, como está escrito na Torá de Moshé, teu servo (Vayikra 16): Pois neste dia se fará expiação sobre vós, para vos purificar; de todos os vossos pecados, diante de Hashem, sereis purificados. — À súplica de perdão segue-se a citação do próprio versículo da Torá que institui o dia da expiação, encerrando a confissão com a promessa de purificação completa que o versículo anuncia.
E eles respondiam atrás dele: Bendito o Nome de Sua gloriosa realeza para sempre e sempre. — Como no sorteio dos bodes, a menção do Nome Explícito na confissão era seguida pela mesma resposta de louvor do povo presente.
Este versículo institui a expiação de Aharon sobre o touro "por si e por sua casa", e é sobre ele que a mishná constrói a segunda confissão, agora estendida também aos filhos de Aharon. A primeira confissão sobre o touro, já descrita em 3:8, cobria apenas o Cohen Gadol e sua casa; esta segunda, ainda sobre o mesmo animal, acrescenta a expiação por todo o corpo sacerdotal — "os filhos de Aharon, teu povo santo" — antes que a expiação seja estendida, no sorteio já realizado, também ao povo de Israel por meio dos bodes. A fórmula tríplice "errei, transgredi, pequei" é a mesma que a Torá emprega em Shemot 34:7 para descrever o perdão divino — "que leva o erro, a transgressão e o pecado" — e a mishná a repete na ordem inversa, dos mais leves aos mais graves, como se verá discutido pelos mefarshim.
O Rambam explica por que a primeira confissão menciona apenas "eu e minha casa" e a segunda acrescenta "os filhos de Aharon", e observa que a ordem dos três termos da falta seguida pela mishná é a opinião de Rabi Meir, contra a qual a halachá não decide.
E o Nome, exaltado seja, diz: "e fará expiação por si e por sua casa e por toda a assembleia de Israel" (Vayikra 16:17). E por isso na primeira confissão ele diz "eu e minha casa", e na segunda diz "e os filhos de Aharon" — porque ele expia primeiro por sua própria pessoa, depois pelos sacerdotes, e depois expia por todo o Israel. E o que se vê escrito nas três confissões, "erro, transgressão e pecado", é a opinião de Rabi Meir, e a halachá não é como Rabi Meir.
Bartenura explica por que o bode enviado e o bode degolado eram posicionados voltados para direções opostas, e traz a discussão dos sábios sobre a ordem correta dos três termos da confissão — erro, transgressão e pecado.
"Fita de escarlate" — lã tingida de vermelho. "Voltado para o lugar de seu envio" — voltado para o portão pelo qual o levariam para fora. "E o degolado" — ele amarrava uma fita de escarlate voltada para o lugar de sua degolação, isto é, em seu pescoço, e assim não haveria confusão com o bode enviado, pois este a tinha na cabeça e aquele no pescoço; e ambos não se confundiam com os demais bodes, pois somente estes tinham a fita de escarlate amarrada, e os demais bodes não a tinham. "Errei, transgredi, pequei" — esta mishná segue Rabi Meir, que a deduz do versículo que diz: "e confessará sobre ele todos os erros dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, com todos os seus pecados" (Vayikra 16:21). Mas os sábios discordam dele e dizem: "erros" são os atos deliberados, "transgressões" são as rebeliões, "pecados" são os atos involuntários — e, perguntam eles, depois de confessar os atos deliberados e as rebeliões, ele voltaria a confessar os atos involuntários? Antes, ele deveria dizer: pequei, errei, transgredi. E assim também Davi diz: "pecamos com nossos pais, cometemos erro, agimos com maldade" (Tehilim 106:6). E a halachá é como os sábios.