E estes são lembrados desfavoravelmente: os da Casa de Garmu não quiseram ensinar o ofício do pão da proposição. Os da Casa de Avtinas não quiseram ensinar o ofício do incenso. Hugras ben Levi conhecia um capítulo do canto e não quis ensiná-lo. Ben Kamtzar não quis ensinar o ofício da escrita. — Diferentemente dos benfeitores da mishná anterior, estes quatro grupos possuíam habilidades técnicas essenciais ao serviço do Templo — a confecção do pão da proposição, a composição do incenso, uma técnica vocal para o canto levítico, e uma forma especial de escrita — mas se recusaram a transmiti-las a outros, preferindo manter o monopólio do ofício dentro da própria família ou pessoa.
Sobre os primeiros foi dito: "A memória do justo é para bênção" (Mishlei 10). E sobre estes foi dito: "E o nome dos ímpios apodrecerá" (ibidem). — A mishná encerra o perek com o mesmo versículo de Mishlei citado duas vezes, aplicado em seus dois hemistíquios contrastantes: aos benfeitores que compartilharam generosamente suas contribuições com o Templo, a bênção da boa memória; aos que retiveram egoisticamente seu conhecimento, a maldição do esquecimento e da reprovação.
É este mandamento que institui o pão da proposição, cuja confecção exigia uma técnica de dobra e cozimento tão precisa que apenas a Casa de Garmu a dominava — e que eles se recusaram a ensinar a outros, tornando-se, apesar de sua perícia insubstituível, objeto de reprovação e não de louvor. O paralelo é ainda mais direto com o incenso, cuja composição exata a Torá especifica em Shemot 30:34-36: a Casa de Avtinas conhecia um segredo adicional — uma erva que fazia a fumaça do incenso subir em coluna reta — e, tal como a Casa de Garmu, preferiu guardá-lo só para si. A Guemará relata que ambas as famílias apresentaram justificativas para seu silêncio, temendo que o conhecimento fosse usado para fins idólatras; mas os sábios não aceitaram essa justificativa, e por isso ambas permanecem na lista dos lembrados desfavoravelmente.
O Rambam, no Perush HaMishná, detalha em que consistiam exatamente os quatro segredos guardados por cada um dos grupos mencionados.
"Desfavoravelmente" é o oposto de "louvor". E o pão da proposição era grosso, como se explicará em Menachot; mas ajeitavam seu assamento com moldes, dobrando-o como se dobram vestes, sendo de perfeita uniformidade, e o ajuste do assamento era um ofício conhecido apenas entre eles. E Hugras ben Levi produzia as letras com sua boca de uma forma extraordinária, na hora da recitação do canto diário, colocando o polegar na boca junto com a língua durante a recitação, e não revelou a ninguém como se fazia esse ofício. E Ben Kamtzar escrevia com vários canudos de uma só vez.
Bartenura acrescenta o motivo técnico de cada recusa, e observa que os sábios rejeitaram a justificativa apresentada pelas famílias de Garmu e Avtinas.
"Não quiseram ensinar o ofício do pão da proposição" — pois os demais artesãos não sabiam retirá-lo do forno sem que se quebrasse, já que era feito como um tipo de caixa aberta. "Não quiseram ensinar o ofício do incenso" — conheciam uma erva chamada "que faz subir a fumaça", e quando a misturavam com as especiarias do incenso, a fumaça do incenso subia em coluna reta, como um bastão, sem se desviar para os lados. "Um capítulo do canto" — uma inflexão de voz agradável. "O ofício da escrita" — amarrava quatro canudos em quatro dedos, e escrevia o Nome de quatro letras de uma só vez. "Sobre os primeiros" — Ben Gamla e Ben Katin, Munbaz e Helena, sua mãe, e Nicanor. "E sobre estes últimos" — a Casa de Garmu e a Casa de Avtinas, Hugras ben Levi e Ben Kamtzar; e ainda que a Casa de Garmu e a Casa de Avtinas tenham dado uma razão para sua recusa em ensinar — temendo que alguém indigno aprendesse e fosse praticar idolatria com isso — os sábios não aceitaram essa justificativa.