Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Guimel · Mishná 10 de 11

Os benfeitores do Templo

בֶּן קָטִין עָשָׂה שְׁנֵים עָשָׂר דַּד לַכִּיּוֹר
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A menção de Ben Gamla, lembrado com louvor por dourar os lotes do sorteio, leva a mishná a uma digressão: uma lista de benfeitores do Templo, cohanim gedolim e até realeza estrangeira, cujas contribuições eram recordadas com gratidão.

Ben Katin fez doze torneiras para a pia, pois só tinha duas. E ele também fez uma máquina para a pia, para que suas águas não fossem invalidadas por permanecerem de um dia para o outro.Originalmente a pia tinha apenas duas torneiras, insuficientes para que muitos cohanim santificassem as mãos e os pés simultaneamente antes do serviço do tamid; Ben Katin acrescentou dez torneiras, totalizando doze. Ele também inventou um mecanismo que afundava a pia num poço de água corrente durante a noite, evitando que suas águas se tornassem inválidas por permanecerem paradas até a manhã seguinte.

O rei Munbaz fazia todas as alças dos utensílios de Yom Kipur de ouro. Helena, sua mãe, fez um candelabro de ouro sobre a entrada do Santuário. E ela também fez uma tábua de ouro na qual a porção de Sotá estava escrita. A Nicanor fizeram-se milagres com suas portas, e mencionavam-nos com louvor.O rei Munbaz, convertido ao judaísmo, custeava em ouro puro as alças de todos os utensílios usados em Yom Kipur. Sua mãe, a rainha Helena, doou um candelabro dourado sobre a entrada do Santuário, e também uma tábua de ouro com o texto da porção de Sotá gravado, evitando que fosse necessário trazer um rolo de Torá completo só para copiar essa passagem. Já Nicanor é lembrado por um milagre ocorrido com as portas de bronze que doou, e cujo relato a Guemará preserva.

בֶּן קָטִין עָשָׂה שְׁנֵים עָשָׂר דַּד לַכִּיּוֹר, שֶׁלֹּא הָיוּ לוֹ אֶלָּא שְׁנַיִם. וְאַף הוּא עָשָׂה מוּכְנִי לַכִּיּוֹר, שֶׁלֹּא יִהְיו מֵימָיו נִפְסָלִין בְּלִינָה. מֻנְבַּז הַמֶּלֶךְ הָיָה עוֹשֶׂה כָל יְדוֹת הַכֵּלִים שֶׁל יוֹם הַכִּפּוּרִים שֶׁל זָהָב. הִילְנִי אִמּוֹ עָשְׂתָה נִבְרֶשֶׁת שֶׁל זָהָב עַל פִּתְחוֹ שֶׁל הֵיכָל. וְאַף הִיא עָשְׂתָה טַבְלָא שֶׁל זָהָב שֶׁפָּרָשַׁת סוֹטָה כְתוּבָה עָלֶיהָ. נִיקָנוֹר נַעֲשׂוּ נִסִּים לְדַלְתוֹתָיו, וְהָיוּ מַזְכִּירִין אוֹתוֹ לְשָׁבַח:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 30:18-19
וְעָשִׂיתָ כִּיּוֹר נְחֹשֶׁת וְכַנּוֹ נְחֹשֶׁת לְרָחְצָה, וְנָתַתָּ אֹתוֹ בֵּין אֹהֶל מוֹעֵד וּבֵין הַמִּזְבֵּחַ, וְנָתַתָּ שָׁמָּה מָיִם. וְרָחֲצוּ אַהֲרֹן וּבָנָיו מִמֶּנּוּ אֶת יְדֵיהֶם וְאֶת רַגְלֵיהֶם.
E farás uma pia de bronze, e sua base de bronze, para lavagem; e a colocarás entre a Tenda do Encontro e o altar, e porás ali água. E lavarão Aharon e seus filhos, dela, suas mãos e seus pés.

Este versículo institui a pia como o utensílio original para a lavagem de mãos e pés dos cohanim, sem especificar quantas torneiras deveria ter. A Torá deixa em aberto os detalhes técnicos de sua construção, e é justamente essa lacuna que os benfeitores mencionados pela mishná — Ben Katin, com suas doze torneiras, e depois o rei Munbaz e a rainha Helena, com seus adornos de ouro — vieram preencher, aprimorando ao longo das gerações os utensílios sagrados do Templo dentro dos limites que a lei permitia.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam, no Perush HaMishná, explica por que apenas doze torneiras — e não treze — foram acrescentadas, e descreve o mecanismo da mucani e o candelabro de Helena.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 3:10
עָשָׂה לַכִּיּוֹר שְׁנֵים עָשָׂר חוֹטָמִין שֶׁהַמַּיִם יוֹצְאִין מִשָּׁם, כְּדֵי שֶׁיְּהוּ כָּל הַכֹּהֲנִים הַמִּתְעַסְּקִים בַּתָּמִיד מְקַדְּשִׁים יְדֵיהֶם וְרַגְלֵיהֶם כְּאֶחָד. וְהוּא לֹא מָנָה שׁוֹחֵט, כִּי הַשְּׁחִיטָה כְּשֵׁרָה בְּזָרִים, כְּמוֹ שֶׁקָּדַם. וְנִבְרֶשֶׁת הִיא כְּמוֹ שְׁמָשִׁית שֶׁעוֹשִׂין עַל פִּתְחֵי הַבָּתִּים מִזְּכוּכִית, וְהִיא עָשְׂתָה אוֹתָהּ מִזָּהָב טוֹב מְמֹרָט; וּכְשֶׁהָיָה הַשֶּׁמֶשׁ זוֹרֵחַ עָלֶיהָ הָיָה לְאוֹתָהּ הַשְּׁמָשִׁית אוֹרָה וְנֹגַהּ בִּתְחִלַּת הַיּוֹם, כַּעֲלוֹת הַשֶּׁמֶשׁ מֵאֹפֶק יְרוּשָׁלַיִם, וְאוֹתָהּ שָׁעָה הָיוּ קוֹרִין קְרִיאַת שְׁמַע.

Fez para a pia doze bicos pelos quais saía a água, para que todos os cohanim envolvidos no tamid santificassem suas mãos e seus pés ao mesmo tempo. E ele não contou o degolador, pois a degola é válida quando feita por um não-cohen, como já mencionado. E o candelabro é como a claraboia que se faz nas entradas das casas, de vidro; e ela o fez de ouro fino polido; e quando o sol brilhava sobre ele, essa claraboia tinha luz e brilho no início do dia, quando o sol se erguia no horizonte de Jerusalém, e nessa hora recitavam o Shemá.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica a lógica das doze torneiras frente aos treze cohanim escalados, o propósito da tábua de Sotá e o milagre associado às portas de Nicanor.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 3:10
עָשָׂה שְׁנֵים עָשָׂר דַּד לַכִּיּוֹר. כְּדֵי שֶׁיִּהְיוּ שְׁנֵים עָשָׂר כֹּהֲנִים הַזּוֹכִים בַּפַּיִס שֶׁל תָּמִיד שֶׁל שַׁחַר מְקַדְּשִׁים בְּבַת אַחַת; וְאַף עַל פִּי שֶׁשְּׁלֹשָׁה עָשָׂר כֹּהֲנִים הָיוּ, לֹא עָשָׂה דַּד לַשּׁוֹחֵט, שֶׁהַשְּׁחִיטָה כְּשֵׁרָה בְּזָר: מוּכְנִי. גַּלְגַּל לְשַׁקְּעוֹ בַּבּוֹר, שֶׁיִּהְיוּ מֵימָיו מְחֻבָּרִים בַּבּוֹר וְלֹא יִפָּסְלוּ בְּלִינָה: שֶׁפָּרָשַׁת סוֹטָה כְתוּבָה עָלֶיהָ. וְלֹא יִצְטָרֵךְ לְהָבִיא תּוֹרָה לִכְתֹּב מִמֶּנָּה פָּרָשַׁת סוֹטָה: נִיקָנוֹר. שֵׁם אָדָם, שֶׁהָלַךְ לַאֲלֶכְּסַנְדְּרִיָּא שֶׁל מִצְרַיִם לְהָבִיא דְּלָתוֹת, וּבַחֲזָרָתוֹ עָמַד סַעַר גָּדוֹל בַּיָּם לְטַבְּעָן; נָטְלוּ אַחַת מֵהֶן וְהֵטִילוּהָ בַּיָּם לְהָקֵל מֵעֲלֵיהֶם, בִּקְּשׁוּ לְהָטִיל הָאַחֶרֶת, אָמַר לָהֶם הַטִּילוּנִי עִמָּהּ, מִיָּד נָח הַיָּם מִזַּעְפּוֹ. כֵּיוָן שֶׁהִגִּיעוּ לַנָּמֵל שֶׁל עַכּוֹ הָיְתָה מְבַצְבֶּצֶת וְיָצְאָה מִתַּחַת דָּפְנֵי הַסְּפִינָה.

"Fez doze torneiras para a pia" — para que doze cohanim, os sorteados no pêis do tamid da manhã, santificassem simultaneamente; e embora fossem treze cohanim, não fez torneira para o degolador, pois a degola é válida quando feita por um não-cohen. "Mucani" — uma roda para afundá-la no poço, para que suas águas ficassem ligadas ao poço e não fossem invalidadas por permanecerem paradas. "Na qual a porção de Sotá estava escrita" — para não precisar trazer um rolo de Torá para copiar dele a porção de Sotá. "Nicanor" — nome de uma pessoa, que foi a Alexandria do Egito buscar portas, e em seu retorno surgiu uma grande tempestade no mar para afundá-las; tiraram uma delas e a lançaram ao mar para aliviar o peso; quando quiseram lançar a outra, ele lhes disse: lancem-me com ela; imediatamente o mar se acalmou de sua fúria. Quando chegaram ao porto de Acre, a porta lançada ao mar reapareceu, saindo de baixo do costado do navio.