O amonita e o moabita são proibidos, e sua proibição é proibição eterna; mas suas fêmeas são permitidas imediatamente. O egípcio e o edomita não são proibidos senão até três gerações, tanto os machos quanto as fêmeas. Rabi Shimon permite as fêmeas imediatamente. Disse Rabi Shimon: as próprias palavras são um raciocínio a fortiori — se no lugar onde proibiu os machos com proibição eterna, permitiu as fêmeas imediatamente, no lugar onde não proibiu os machos senão até três gerações, não é lógico que permitamos as fêmeas imediatamente? Disseram-lhe: se é halachá recebida, aceitamos; mas se é raciocínio teu, há resposta. Disse-lhes: não é assim, halachá eu digo. Os mamzerim e os netinim são proibidos, e sua proibição é proibição eterna, tanto os machos quanto as fêmeas. — A mishná apresenta quatro categorias de nações ou origens proibidas de entrar na assembleia de Israel, organizadas por grau decrescente de severidade. Amonitas e moabitas machos são proibidos para sempre — mesmo depois de convertidos, eles e todos os seus descendentes machos jamais podem se casar com uma israelita de nascença —, mas suas fêmeas, curiosamente, são permitidas de imediato após a conversão, por uma leitura específica do verso que usa a forma masculina. Egípcios e edomitas, por outro lado, são proibidos apenas por três gerações — o convertido e seu filho não podem se casar com uma israelita, mas o neto já pode —, e aqui a proibição vale igualmente para machos e fêmeas. Rabi Shimon propõe então um raciocínio a fortiori elegante: se no caso mais severo (amoni/moavi, proibição eterna) a Torá ainda assim permitiu as fêmeas de imediato, quanto mais deveria permitir as fêmeas de imediato no caso menos severo (mitzri/edomi, apenas três gerações)! Os sábios respondem com um princípio metodológico fundamental: se Rabi Shimon estiver transmitindo uma tradição recebida de seus mestres de que as fêmeas de mitzri/edomi são permitidas de imediato, eles aceitam sem discussão; mas se ele está apenas deduzindo isso por lógica própria, existe uma resposta que refuta o raciocínio (que a Guemará depois desenvolve). Rabi Shimon insiste que fala por tradição recebida, não por dedução — mas a halachá segue os sábios, e as fêmeas de mitzri/edomi permanecem proibidas até a terceira geração como os machos. A mishná fecha com o grupo mais severo de todos: mamzerim (nascidos de relações proibidas com pena de caret) e netinim (descendentes dos guibonitas), proibidos para sempre, machos e fêmeas por igual — sem a exceção que beneficia as fêmeas de amoni/moavi.
A Guemará (Yevamot 76b-77a) explica que a forma gramatical "עַמּוֹנִי" e "מוֹאָבִי" no masculino, e não "עַמּוֹנִית" e "מוֹאָבִית", é a base para a leitura de que apenas os machos ficam proibidos para sempre — leitura que a tradição eleva ao status de halachá le-Moshé mi-Sinai, uma tradição recebida diretamente por Moshé no Sinai, e não uma simples inferência do texto. Já quanto a mitzri e edomi, o próprio texto trata machos e fêmeas igualmente ("בָּנִים אֲשֶׁר יִוָּלְדוּ לָהֶם" inclui ambos), o que a Guemará usa precisamente para refutar o raciocínio a fortiori de Rabi Shimon: a distinção entre machos e fêmeas em amoni/moavi não é uma regra lógica generalizável, mas uma halachá específica ligada apenas àquele caso.
Rambam, em Mishné Torá, codifica exatamente a posição dos sábios contra Rabi Shimon: as fêmeas de mitzri e edomi permanecem proibidas por três gerações, como os machos.
Rambam codifica a halachá exatamente como a decidiram os sábios contra Rabi Shimon: amoni e moavi machos são proibidos para sempre por halachá le-Moshé mi-Sinai — uma tradição recebida, não uma dedução lógica —, enquanto suas fêmeas são permitidas de imediato como qualquer outra nação convertida. Já mitzri e edomi, machos e fêmeas igualmente, ficam proibidos apenas nas duas primeiras gerações após a conversão; a partir da terceira geração, tanto os netos machos quanto as netas já podem se casar livremente com israelitas de nascença, exatamente como o texto bíblico determina sem distinção de gênero.
Bartenura resume a disputa entre Rabi Shimon e os sábios e identifica os netinim; Rambam sugere a resposta que refuta o kal vachomer; Rashi, na Guemará, explora as origens históricas dos netinim e do decreto de David.
Bartenura explica a réplica dos sábios ao kal vachomer de Rabi Shimon: existe uma diferença de razão entre os dois casos que impede a generalização. A proibição de amoni/moavi vem explicitamente ligada, no próprio verso, ao motivo histórico de não terem saído ao encontro de Israel com pão e água — "עַל דְּבַר אֲשֶׁר לֹא קִדְּמוּ" —, e como não é costume da mulher sair ao encontro de exércitos, este motivo simplesmente não se aplica às fêmeas amonitas e moabitas, o que explica sua isenção específica. Já a proibição de mitzri e edomi não vem acompanhada de motivo explícito, então não há base para aplicar a mesma lógica de isenção às suas fêmeas. Bartenura confirma que a halachá segue os sábios, não Rabi Shimon — mesmo tendo ele reivindicado tradição recebida. Sobre os netinim: são os guibeonitas que se converteram enganosamente nos dias de Yehoshua e foram designados cortadores de lenha e carregadores de água para o Templo.
Rambam formula com precisão a "resposta" mencionada pelos sábios no diálogo da mishná: como não é apenas uma reação genérica, mas um argumento metodológico específico — o motivo dado para a proibição de amoni/moavi (não terem saído ao encontro de Israel com pão e água) só faz sentido para homens, já que tradicionalmente é o homem quem sai ao encontro de viajantes ou exércitos, não a mulher; por isso a Torá isentou as fêmeas amonitas e moabitas dessa proibição específica. Já a proibição de mitzri/edomi não está vinculada a nenhum motivo explícito no texto — ela simplesmente "pende" de três gerações sem razão declarada —, e por isso não há base textual para estender a ela a mesma isenção de gênero. Rambam confirma: a halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi acrescenta a camada histórica por trás da proibição dos netinim: eles são os guibeonitas que enganaram Yehoshua em Yehoshua 9, fazendo-se passar por viajantes de terra distante para obter um pacto de paz, e que foram designados servos perpétuos do Templo — cortadores de lenha e carregadores de água — como punição pelo engano. A proibição de casamento, porém, não vem de Yehoshua, mas de um decreto posterior do próprio Rei David, que — segundo a Guemará — os proibiu de entrar na assembleia para sempre, mesmo em época sem Templo, por causa da crueldade que demonstraram ao exigir a execução dos sete filhos de Shaul (Shmuel II 21), revelando um caráter cruel incompatível com a integração à assembleia de Israel. Rashi nota que o verso "וְהַגִּבְעֹנִים לֹא מִבְּנֵי יִשְׂרָאֵל הֵמָּה" confirma que sua exclusão da קהל é permanente e distinta.