Se ele a consumou, eis que ela é como sua esposa para todos os efeitos, contanto que sua ketubá esteja sobre os bens de seu primeiro marido. — Uma vez realizado o yibum, todas as dúvidas da mishná anterior desaparecem: a mulher torna-se, sem qualquer ressalva, esposa plena do yavam, podendo ele divorciá-la por get como qualquer esposa comum, e podendo reconciliar-se com ela livremente, sem as restrições que se aplicariam se ela fosse uma divorciada comum. A única condição especial que a mishná estabelece é quanto à garantia financeira de sua ketubá: em vez de o yavam precisar escrever-lhe uma nova ketubá sobre seus próprios bens, como faria qualquer noivo, a ketubá dela permanece garantida pelos bens que pertenceram a seu primeiro marido, o irmão falecido — que ela já havia recebido como herança sua ou cuja obrigação de ketubá já recaía sobre a propriedade dele antes de sua morte.
É a própria Torá que declara, com as palavras "e a tomará por esposa", que a consumação do yibum a torna esposa plena do yavam — tanto quanto qualquer outra esposa. Não é um vínculo de segunda categoria nem um casamento parcial: uma vez cumprido o ato de yibum, ela é "esposa" no sentido pleno do termo, sujeita às mesmas regras de get, de reconciliação e de herança que qualquer outro casamento. A única peculiaridade prática — e não uma diferença de status — é a origem dos bens que garantem sua ketubá, decorrente das circunstâncias específicas de como ela chegou a esse casamento.
Rambam explica o alcance da expressão "como sua esposa para todos os efeitos" e a razão prática pela qual a ketubá permanece vinculada aos bens do primeiro marido.
Rambam explica que "como sua esposa para todos os efeitos" significa que ele pode divorciá-la e reconciliar-se com ela livremente, como faria com qualquer esposa comum, sem as restrições especiais do yibum. Quanto à ketubá, ele esclarece que a terra do primeiro marido permanece como garantia da obrigação, e que, caso ela não tivesse recebido ketubá alguma daquele primeiro marido, o próprio yavam deve escrever-lhe uma ketubá, ainda que apenas no valor básico de cem zuz, sem acréscimos voluntários.
Bartenura detalha os dois efeitos práticos da expressão "como sua esposa para todos os efeitos"; Rashi, na mesma sugya da Guemará, explica por que a garantia da ketubá permanece com os bens do primeiro marido mesmo havendo dúvida sobre o status matrimonial anterior.
Rambam enfatiza que a igualdade com qualquer esposa comum é total: ele pode divorciá-la por get e reconciliar-se com ela repetidas vezes, sem qualquer das limitações que existiriam se ela ainda estivesse na condição de shomeret yavam.
Bartenura destaca dois efeitos concretos da expressão "como sua esposa para todos os efeitos": primeiro, que ele a divorcia por get comum, sem qualquer necessidade de chalitzá; e segundo, que ele pode reconciliar-se com ela quando quiser, sem que ela lhe seja proibida como seria uma divorciada comum que se casou com outro. Quanto à ketubá, as terras do primeiro marido ficam como garantia e fiança de seu pagamento; e se ela não possuía ketubá alguma do primeiro marido, o próprio yavam deve escrever-lhe uma, ainda que limitada ao valor básico de cem zuz.
Rashi, comentando a mesma sugia que discute o status patrimonial da shomeret yavam, observa que mesmo Bet Shamai — que na mishná anterior dividiam os demais bens em caso de dúvida — concordam que, quanto à ketubá especificamente, ela permanece sempre em posse presumida dos herdeiros do primeiro marido, sem partilha com os herdeiros do pai. Esse mesmo princípio — a ketubá ligada especificamente aos bens do marido de quem ela se originou — é o que esta mishná agora aplica ao caso já resolvido, em que o yibum foi efetivamente consumado.