E todas as que tinham kidushin de dúvida ou divórcio de dúvida — eis que estas são rivais, fazem chalitzá e não fazem yibum. Como é a dúvida de kidushin? Ele lançou-lhe o kidushin, e há dúvida se ficou próximo dela ou próximo dele — isso é dúvida de kidushin. Dúvida de divórcio: escreveu de próprio punho e não há testemunhas nele; há testemunhas nele e não há data; há data nele mas apenas uma testemunha — isso é dúvida de divórcio. — A mishná retorna às quinze ervot originais do Perek Alef, mas agora considera um cenário em que o próprio status da mulher em relação ao irmão falecido é incerto: talvez ela tenha sido validamente desposada por ele, talvez não; talvez tenha se divorciado dele validamente, talvez não. Em qualquer desses casos de dúvida, ela é tratada como rival potencial de uma ervah — pois talvez, na verdade, ela nunca tenha sido esposa dele (se o kidushin não se completou) ou já estivesse divorciada (se o divórcio se completou), casos em que a outra esposa dele seria uma ervah plena. Por não se saber ao certo, aplica-se a posição mais cautelosa: chalitzá, mas não yibum, para não arriscar nem permitir uma proibição nem perder desnecessariamente a possibilidade de liberação completa. A mishná então define os dois tipos de dúvida com precisão técnica: a dúvida de kidushin ocorre quando o homem lança um objeto de valor à mulher como ato de kidushin — prática permitida quando ela está de acordo — e não se sabe se ele caiu dentro do espaço de quatro amot que pertence a ela ou ao espaço que pertence a ele, determinando se o kidushin se completou ou não. A dúvida de divórcio ocorre quando o documento de divórcio (get) tem algum defeito técnico — foi escrito de próprio punho mas sem testemunhas, ou tem testemunhas mas falta a data, ou tem data mas apenas uma testemunha em vez das duas exigidas — deixando sua validade em dúvida.
O documento de divórcio (get) precisa ser um "documento" válido — sefer — o que a tradição oral exige com testemunhas e data para garantir sua autenticidade e evitar fraudes futuras. Quando falta qualquer um desses elementos, o documento entra em zona de incerteza jurídica: talvez ainda seja válido segundo alguma leitura, talvez não. O mesmo raciocínio de incerteza se aplica ao kidushin por lançamento de objeto, prática derivada da entrega direta exigida pela Torá para o casamento — quando não se sabe se o objeto realmente chegou à posse da mulher, o próprio ato de aquisição fica em dúvida.
Rambam, em seu comentário, explica a regra prática decorrente dessas dúvidas: quando o irmão falecido havia desposado alguém em dúvida, sua yevamá certa pode ser tomada em yibum sem receio, mas quando ele a havia divorciado em dúvida, ela mesma precisa de chalitzá.
Rambam explica a lógica prática por trás da regra: se o kidushin do irmão falecido com outra mulher está em dúvida, a esposa certa dele pode ser tomada em yibum sem qualquer restrição — "de qualquer forma que se considere", pois se o kidushin duvidoso foi válido, a outra mulher é de fato ervah e não gera obrigação; e se não foi válido, ela nunca foi de fato parente proibida. Mas se foi o divórcio dela mesma que ficou em dúvida, ela precisa de chalitzá, pois talvez o divórcio tenha sido válido e ela já não seja mais esposa dele — hipótese que a tornaria uma estranha comum sem obrigação de yibum — mas, sendo isso incerto, aplica-se a cautela da chalitzá.
Bartenura detalha a mecânica exata da dúvida de kidushin por lançamento e a razão da chalitzá; Rashi, na Guemará, discute por que a dúvida de kidushin não é mencionada no caso de divórcio e vice-versa.
Rambam observa, antecipando a mishná seguinte, que os mesmos princípios de dúvida por lançamento — próximo a ela ou próximo a ele — aplicam-se igualmente ao divórcio, quando o get é lançado em vez de entregue diretamente à mão, desde que ambos estejam num pátio que não pertence a nenhum dos dois.
Bartenura explica que "todas" se refere às quinze ervot originais do Perek Alef, quando o kidushin ou o divórcio do irmão falecido com alguma delas ficou em dúvida, tornando a esposa certa uma "possível rival de ervah". Ela faz chalitzá — não é isenta por completo, pois talvez não seja de fato rival de ervah — mas não faz yibum, pelo receio oposto. Bartenura detalha a mecânica espacial da dúvida de kidushin: quando havia exatamente oito amot entre os dois em via pública, e cada um "possui" quatro amot ao seu redor, o objeto lançado pode ter caído tanto no espaço dela quanto no dele, gerando a dúvida.
Rashi confirma a formulação dupla da cautela: no caso de kidushin em dúvida, talvez a suposta ervah não tenha sido realmente desposada — daí a possibilidade de yibum; no caso de divórcio em dúvida, talvez a ervah já estivesse divorciada e portanto não fosse mais tecnicamente ervah quando o irmão morreu — daí também a possibilidade de yibum. Mas em ambos os casos, o receio oposto — de que ela seja de fato rival de uma ervah plena — impede o yibum, deixando apenas a chalitzá como caminho seguro.