Três irmãos, dois deles casados com duas irmãs, ou com uma mulher e sua filha, ou com uma mulher e a filha de sua filha, ou com uma mulher e a filha de seu filho — eis que estas fazem chalitzá e não fazem yibum. E Rabi Shimon isenta. Se uma delas era proibida a ele por proibição de ervah, ele fica proibido nela e permitido em sua irmã; proibição de mitzvá ou proibição de kedushá, fazem chalitzá e não fazem yibum. — Aqui há três irmãos, e apenas dois deles — não os dois que restam — estavam casados com duas mulheres proibidas entre si: não somente duas irmãs, como no caso anterior, mas também outras combinações da mesma família de proibições da Torá — uma mulher e sua filha, ou uma mulher e sua neta por parte de filha ou de filho. Quando os dois maridos morrem, a viúva de cada um cai diante do terceiro irmão, que agora está vinculado por zika a ambas ao mesmo tempo — exatamente como no caso das quatro irmãs, mas aqui apenas um irmão sobrevive, e não dois. Por isso ambas fazem chalitzá e nenhuma faz yibum, pelo mesmo raciocínio da zika dupla. Rabi Shimon discorda e isenta ambas por completo, sem sequer exigir chalitzá — opinião que não foi aceita como halachá. A mishná fecha repetindo, para este novo cenário de três irmãos, a mesma distinção de graus de proibição já vista na mishná anterior: se uma das duas é ervah para o irmão sobrevivente, ele fica livre para desposar a irmã dela; se a proibição é apenas de mitzvá ou de kedushá, permanece preso a ambas, fazendo chalitzá sem yibum.
Rabi Shimon lê este versículo de forma distinta dos demais Sábios, e é essa leitura que fundamenta sua opinião isolada de isentar por completo. Segundo Rambam e Bartenura, Rabi Shimon entende a expressão "para rivalizá-la" como referindo-se ao momento exato em que duas mulheres se tornam rivais uma da outra — e é justamente isso que ocorre aqui, quando as duas viúvas caem simultaneamente diante do irmão sobrevivente e passam, naquele instante, a ser rivais por zika. Para Rabi Shimon, a Torá já proíbe esse próprio ato de se tornarem rivais entre parentas proibidas, de modo que nenhuma delas nunca chega a ficar sujeita sequer à chalitzá — a proibição bíblica as isenta de imediato. Os demais Sábios discordam dessa leitura, e por isso a halachá segue a opinião da maioria: chalitzá sim, yibum não.
Bartenura explica o fundamento textual da opinião de Rabi Shimon e confirma que a halachá não a acompanha.
Bartenura explica que Rabi Shimon fundamenta sua isenção total no versículo "não tomarás uma mulher junto com sua irmã, para rivalizá-la" — lido como proibindo o próprio momento em que duas parentas se tornam rivais, como ocorre aqui quando as viúvas caem juntas diante do irmão sobrevivente. Mas a halachá não segue Rabi Shimon: prevalece a opinião da maioria, que exige chalitzá.
Rambam confirma que este caso de três irmãos aplica o mesmo princípio da zika dupla já visto na primeira mishná; Bartenura detalha a leitura de Rabi Shimon; Rashi, na Guemará, discute a extensão do caso a outras combinações proibidas.
Embora este comentário de Rambam pertença tecnicamente à mishná seguinte, ele confirma o pano de fundo comum a ambas: nesta mishná, o terceiro irmão está vinculado por zika às duas viúvas ao mesmo tempo, exatamente como no caso das quatro irmãs — apenas que aqui é um único irmão remanescente que enfrenta a dupla zika, em vez de dois.
Bartenura detalha a leitura de Rabi Shimon: o versículo "não tomarás uma mulher junto com sua irmã, para rivalizá-la" é entendido por ele como proibindo o próprio instante em que duas parentas se tornam rivais uma da outra — exatamente o que acontece aqui, quando ambas caem ao mesmo tempo diante do irmão sobrevivente por zika. Rabi Shimon conclui que a Torá já veda qualquer aquisição de ambas, seja por yibum, seja por chalitzá seguida de casamento com a outra. Mas a halachá segue a maioria dos Sábios, que exige chalitzá.
Rashi, discutindo a Guemará sobre este trecho, explica por que a proibição de mitzvá — mais leve que ervah — ainda assim impede o yibum da irmã: como essa proibição "recai perante ele por força da Torá" no sentido de manter a zika ativa, a irmã se torna "irmã de sua vinculada" tanto quanto no caso de ervah propriamente dita, ainda que a proibição original seja apenas rabínica em sua origem técnica.