A mulher que foi, ela e seu marido, para terra ultramarina, e veio e disse 'meu marido morreu': ela se casa e recebe sua ketubá, e sua rival fica proibida. Se ela era filha de Israel casada a um kohen, coma da trumá — palavras de Rabi Tarfon. Rabi Akiva diz: este não é o caminho que a retira da transgressão, a menos que fique proibida de se casar e proibida de comer da trumá. — A palavra da mulher sobre a morte do marido a beneficia apenas a ela mesma: ela pode se casar e receber sua ketubá, mas sua rival — que dependeria da mesma zika de yibum — permanece proibida de fazer yibum ou se casar com base apenas nesse testemunho alheio, pois a leniência foi concedida por necessidade pessoal, não como prova objetiva da morte válida para terceiros. Sobre essa mesma rival, se ela fosse filha de Israel casada com um kohen (e portanto já comia da trumá por direito do marido), Rabi Tarfon permite que continue comendo, já que sua condição permanece tecnicamente indefinida — poderia estar ligada ao yibum ou livre dele. Mas Rabi Akiva rejeita essa solução intermediária como incoerente: uma pessoa em situação duvidosa não pode receber o pior de dois mundos apenas parcialmente — ou ela é considerada plenamente vinculada (proibida de se casar e proibida da trumá) ou plenamente livre, nunca uma mistura calculada conforme a conveniência.
A leniência de aceitar a palavra da mulher tem um limite estrutural: ela vale apenas para a própria pessoa que fala, sem que sua palavra sirva de prova para terceiros que dependem da mesma cadeia de fatos. A disputa entre Rabi Tarfon e Rabi Akiva sobre a rival é, no fundo, uma discussão sobre coerência lógica diante da incerteza: uma pessoa numa situação duvidosa deve receber tratamento consistente — plenamente vinculada ou plenamente livre — em vez de uma combinação seletiva de restrições e permissões conforme a conveniência de cada lado.
Rambam confirma que a halachá segue Rabi Tarfon quanto à trumá, contrariando a exigência de coerência total de Rabi Akiva.
Rambam decide a favor de Rabi Tarfon: a rival, cuja condição permanece genuinamente incerta, pode continuar comendo da trumá com base no direito que já possuía como esposa de um kohen, mesmo estando simultaneamente proibida de se casar por precaução quanto ao yibum. A exigência de coerência absoluta de Rabi Akiva — que a situação duvidosa produza sempre o mesmo resultado em todas as áreas — não é seguida na prática.
Bartenura explica o raciocínio de Rabi Tarfon: a presunção de que o marido está vivo continua valendo para efeitos de trumá, já que o testemunho da rival não é confiável nem para liberá-la nem para desqualificá-la.
Bartenura explica que a rival mantém a presunção de que o marido ainda está vivo para efeitos de trumá, precisamente porque o testemunho da outra esposa — insuficiente para autorizá-la a se casar (pois não é prova objetiva, apenas leniência pessoal) — também é insuficiente para desqualificá-la da trumá que já comia por direito. A mesma insuficiência que a impede de beneficiá-la também a impede de prejudicá-la, e por isso Bartenura confirma que a halachá segue Rabi Tarfon.