Ela disse 'meu marido morreu' e depois 'meu sogro morreu': ela se casa e recebe sua ketubá, e sua sogra fica proibida. Se ela era filha de Israel casada a um kohen, coma da trumá — palavras de Rabi Tarfon. Rabi Akiva diz: este não é o caminho que a retira da transgressão, a menos que fique proibida de se casar e proibida de comer da trumá. Desposou uma de cinco mulheres e não sabe qual desposou, e cada uma diz 'a mim ele desposou': ele dá um get para cada uma, e deixa a ketubá entre elas e se retira — palavras de Rabi Tarfon. Rabi Akiva diz: este não é o caminho que o retira da transgressão, a menos que dê get e ketubá para cada uma. Roubou de um de cinco e não sabe de qual roubou, e cada um diz 'a mim ele roubou': ele deixa o roubado entre eles e se retira — palavras de Rabi Tarfon. Rabi Akiva diz: este não é o caminho que o retira da transgressão, a menos que pague o roubado a cada um. — No primeiro caso, a ordem cronológica importa: como ela já é presumivelmente livre para se casar antes mesmo de mencionar o sogro, sua palavra sobre a sogra vem tarde demais para vinculá-la — a nora não pode testemunhar sobre a própria sogra, por suspeita estrutural de rivalidade, e a sogra permanece proibida de fazer yibum com base nessa mesma incerteza. Nos dois casos seguintes, a disputa generaliza-se para qualquer incerteza múltipla, mesmo sem relação com morte: Rabi Tarfon propõe uma solução prática de compromisso — cumprir a obrigação apenas uma vez, deixando o valor disponível para quem provar ter razão —, enquanto Rabi Akiva insiste que a verdadeira saída da transgressão exige cumprir integralmente a obrigação perante cada uma das partes possíveis, por mais oneroso que seja, já que a incerteza sobre qual delas é a correta não isenta de responsabilidade para com todas.
Nos dois casos finais desta mishná, a Torá exige, respectivamente, a entrega de um documento formal de divórcio a quem foi legitimamente desposada e a devolução integral do que foi roubado a seu dono verdadeiro — e a incerteza sobre a identidade exata da pessoa não anula essas obrigações, apenas as multiplica diante de cada candidata possível, segundo a posição de Rabi Akiva.
Rambam decide a favor de Rabi Akiva nos dois casos finais — kiddushin duvidoso e roubo duvidoso —, embora a halachá do início da mishná (sobre a sogra e a trumá) continue seguindo Rabi Tarfon como na mishná anterior.
Rambam decide que, quanto ao noivo que desposou uma de cinco mulheres sem saber qual, e ao ladrão que roubou de um de cinco sem saber de quem, a halachá segue Rabi Akiva: a única forma genuína de sair completamente da transgressão é cumprir a obrigação integralmente perante cada uma das partes possíveis — entregando get e ketubá a cada mulher, e pagando o valor roubado a cada possível vítima —, mesmo que isso signifique um custo multiplicado. Rambam explica ainda o princípio geral por trás de casos como o da sogra: quando já sabemos com certeza que uma proibição existe (como a de uma mulher com filho vivo, vinculada à zika de yibum), sua própria palavra não basta para removê-la dessa proibição já estabelecida — por isso continuamos cautelosos com suas declarações nesses casos.
Bartenura explica por que a nora não pode testemunhar sobre a própria sogra, e confirma que a halachá segue Rabi Tarfon apenas na primeira parte da mishná, mas Rabi Akiva nos dois casos finais.
Bartenura explica que, mesmo depois de declarar a morte do marido — o que tecnicamente a tornaria uma 'estranha' sem relação de nora com a sogra —, sua palavra sobre a morte do sogro ainda não é aceita, porque a mishná trata da suspeita estrutural de que a nora, por definição, tem interesse pessoal nessa declaração (mesmo que tecnicamente já não seja mais chamada de nora no momento em que fala). Confirma que a halachá segue Rabi Tarfon apenas quanto à trumá desta mishná (repetindo a decisão da anterior), mas segue Rabi Akiva nos dois casos finais, exigindo cumprimento integral perante cada parte possível.