Todos são confiáveis para testemunhar sobre ela, exceto sua sogra, a filha de sua sogra, sua rival, sua cunhada, e a filha de seu marido. Qual a diferença entre o get e a morte? Que o documento prova por si mesmo. Uma testemunha diz 'morreu' e ela se casou, e vem outra e diz 'não morreu' — ela não sairá. Uma testemunha diz 'morreu' e duas dizem 'não morreu' — mesmo que já tenha se casado, sairá. Duas dizem 'morreu' e uma diz 'não morreu' — mesmo que não tenha se casado, poderá se casar. — Ao contrário da própria mulher, cuja palavra os Sábios aceitaram por necessidade (já que ninguém mais estaria em posição de saber), qualquer terceiro comum também pode servir como testemunha única da morte do marido — mas cinco mulheres específicas, ligadas a ela por parentesco de afinidade, são excluídas por suspeita estrutural de que desejem prejudicá-la, cada uma por um motivo próprio de rivalidade ou interesse. Sobre o get, a mishná esclarece que ele dispensa a mesma cautela porque o próprio documento escrito, com sua data e testemunhas de confecção, constitui prova por si mesmo — diferentemente da simples palavra oral sobre uma morte ocorrida longe. Por fim, a mishná estabelece a regra de maioria: quando testemunhos se contradizem, o critério que prevalece não é o momento em que a permissão foi dada, mas o número de vozes de cada lado — mesmo entre testemunhas tecnicamente desqualificadas para outros fins.
A leniência de aceitar uma única testemunha para a morte do marido não se estende igualmente a qualquer pessoa: mulheres cuja relação de parentesco por afinidade cria suspeita estrutural de interesse próprio ficam excluídas, exatamente como a Torá, em outros contextos, desqualifica testemunhas com interesse direto no resultado. E, quando testemunhos se contradizem, a mishná aplica o princípio de que a força de um testemunho está no número de vozes que o sustentam, não na ordem cronológica em que foram ouvidas.
Rambam confirma que a opinião de Rabi Meir sobre a rejeição das duas últimas cláusulas não é seguida na prática, mantendo-se a regra simples de maioria.
Rambam confirma, em nota breve mas decisiva, que a halachá segue a regra simples de maioria de vozes exposta na mishná — duas testemunhas contra uma, em qualquer direção, determinam o resultado —, e não a posição mais restritiva atribuída a Rabi Meir sobre casos de testemunhos contraditórios, que a Guemará discute em conexão com esta mishná.
Bartenura explica o motivo específico de suspeita para cada uma das cinco parentes excluídas, e por que o get dispensa essa mesma cautela.
Bartenura detalha o motivo particular de suspeita para cada uma das cinco: a sogra teme perder para a nora o fruto de seu próprio esforço; a filha da sogra (cunhada por parte da mãe do marido) teme que a nora venha a herdar o que ela própria esperava herdar de seus pais; a cunhada (co-esposa potencial no yibum) teme se tornar futuramente rival dela mesma; e a filha do marido (enteada) teme que a madrasta venha a ocupar o lugar de sua própria mãe. Quanto à diferença entre get e morte, Bartenura explica que, no caso do get, a prova central repousa sobre o próprio documento escrito — com data e testemunhas de confecção —, e não apenas sobre a palavra de quem o relata, por isso não exige as mesmas cautelas do testemunho oral sobre uma morte.