O menino de nove anos e um dia que teve relação com sua cunhada, e depois teve relação com a rival dela — desqualificou por si mesmo. Rabi Shimon diz: não desqualificou. O menino de nove anos e um dia que teve relação com sua cunhada e morreu — ela faz chalitzá e não faz yibum. Se ele se casou com uma mulher e morreu — ela fica isenta. — Na primeira cláusula, o próprio menino, tendo relação sucessiva com duas mulheres vinculadas à mesma zikah (a cunhada e sua rival), desqualifica ambas de serem tomadas em yibum por seus irmãos maiores — pois sua primeira relação (equivalente a um maamar) já fixou parte do vínculo, e sua segunda relação com a rival duplica essa fixação parcial, deixando as duas apenas com a opção de chalitzá. Na segunda cláusula, quando o próprio menino morre depois de ter tido relação com a cunhada, ela cai sob uma "dupla vinculação" (zikat shnei yevamin): sua relação com o menino (equivalente a um maamar) não a retirou completamente do vínculo original com os outros irmãos, mas também gerou um novo vínculo com a linha do menino falecido — e a mishná ensina que uma mulher presa a dois vínculos simultâneos só pode ser liberada por chalitzá, nunca por yibum. Já se o menino, depois de crescer e se casar com outra mulher (não sua cunhada), morre sem filhos, essa segunda esposa fica totalmente isenta de yibum e chalitzá, porque o casamento de um menor não tem validade plena — seus kidushin não se firmam até que ele traga dois pelos, exceto no caso específico da cunhada, onde os sábios equipararam sua relação a um maamar.
A regra de que uma mulher presa a "zikat shnei yevamin" — o vínculo simultâneo de dois cunhados — só pode ser liberada por chalitzá, e não por yibum, já aparece implícita no Perek Dalet, com o caso clássico de quatro irmãos casados a quatro irmãs; esta mishná aplica o mesmo princípio ao vínculo criado pela relação do menino de nove anos. A lógica é que o yibum requer um vínculo único e claro com um único cunhado — quando a mulher está vinculada, ainda que parcialmente, a dois vínculos distintos, nenhum yavam pode "construir a casa do irmão" sem apagar por completo o vínculo do outro, algo que a halachá não permite fazer por meio da relação sexual (apenas por chalitzá, que dissolve formalmente qualquer vínculo).
A halachá segue o tana kama contra Rabi Shimon; Rambam liga esta mishná ao princípio, já estabelecido no Perek Dalet, de que a esposa e a esposa de um menor estão isentas de yibum e chalitzá.
Rambam liga a última cláusula da mishná a um princípio geral já estabelecido: a esposa de um menor (kattan) — assim como a de um insano (shotê) — está isenta tanto de yibum quanto de chalitzá, porque o kidushin de um menor não tem validade plena, e sem casamento válido não há vínculo de yibum algum a ser considerado. A única exceção reconhecida pelos sábios é precisamente o caso da relação com a própria cunhada: ali, por decreto rabínico específico, a relação do menino de nove anos e um dia é equiparada a um maamar de adulto — mas essa equiparação não se estende a um casamento comum com uma mulher qualquer.
Bartenura explica a mecânica exata da dupla vinculação (zikat shnei yevamin) que fecha a mishná; Rashi, na Guemará, detalha a lógica de Rabi Shimon na primeira cláusula.
Bartenura explica com precisão o mecanismo da "dupla vinculação": a relação do menino com sua cunhada, sendo equivalente a um maamar, não a retirou completamente do vínculo original de zikah que ela tinha com todos os irmãos desde a morte do primeiro marido — apenas o "reduziu" parcialmente. Quando o próprio menino morre em seguida, um novo vínculo de nefilah (queda em zikah) recai sobre ela, sobrepondo-se ao vínculo original ainda não totalmente resolvido — e essa sobreposição de dois vínculos distintos é o que a halachá resolve exclusivamente por chalitzá. Já no caso de um casamento comum, Bartenura reafirma o ponto de Rambam: a diferença crucial é que apenas na cunhada os sábios decretaram a equiparação da relação do menor a um maamar — uma esposa comum de um menor não tem vínculo válido algum.
Rashi explica por que o tana kama desqualifica ambas as mulheres, e não apenas a rival: um único homem só pode "construir uma casa" (realizar yibum válido) com uma delas — nunca com as duas. Como a relação do menino com a primeira cunhada não é uma aquisição plena, sua relação subsequente com a rival tem efeito real, obrigando um get formal para desfazer aquele vínculo específico — e, uma vez que esse get é dado, "toda a casa fica de pé sem poder ser construída": nenhuma das duas mulheres pode mais ser tomada em yibum por ninguém, restando a chalitzá para ambas. Rabi Shimon, mantendo sua posição consistente das mishnayot anteriores, nega esse efeito porque, para ele, a relação do menino nunca deixa um resultado "parcial" — ou adquire por completo, ou não adquire nada.