O que capina (arranca ervas daninhas para limpar a plantação) junto com o gentio (trabalhando como empregado ou parceiro de um agricultor gentio) em terreno de bulbos (campo plantado com alho, cebola, luf e plantas semelhantes — as mesmas espécies de semente que não se decompõe mencionadas na mishná anterior), ainda que seus frutos sejam tevel (pois, segundo a opinião de que não há aquisição legal por um gentio em Eretz Israel capaz de isentar o produto dos dízimos, a plantação do gentio continua sujeita a tevel exatamente como se fosse de um israelita), pode comer deles casualmente (o trabalhador judeu pode comer, de modo ocasional e não como refeição formal, dos bulbos que arranca durante a capina, apesar de serem tevel — uma leniência prática concedida ao trabalhador, similar à permissão geral de comer casualmente de tevel antes que sua "obra" seja concluída). Mudas de teruma (brotos ainda não colhidos, destinados a serem plantados, como de repolho ou acelga, que tinham status de teruma) que ficaram impuras (contraíram impureza ritual antes de serem plantadas) e foram replantadas (o dono, em vez de descartá-las, as replanta na terra) — tornam-se puras da impureza (uma vez conectadas à terra através do replantio, deixam de ser consideradas "alimento" sujeito às leis de impureza, e assim se purificam automaticamente), mas são proibidas para comer (mesmo puras, ainda não podem ser comidas livremente) até que se corte a parte comestível (a porção que já existia como folha ou broto no momento em que a muda tinha status de alimento impuro deve ser cortada e descartada; somente o que crescer depois disso, como parte nova e genuinamente pós-plantio, pode ser comido). Rabi Yehudá diz: até que se corte e se repita (Rabi Yehudá exige um padrão mais rigoroso: cortar a parte comestível uma primeira vez, deixar crescer novamente, e cortar uma segunda vez — somente o que crescer depois dessa segunda corte estará plenamente liberado para consumo).
Esta mishná final combina dois temas: a questão da aquisição de terra por um gentio em Eretz Israel para efeito de dízimos, e o princípio de que a conexão à terra ("chibur la-karka") purifica alimentos da impureza ritual, ambos derivados da santidade especial atribuída à Terra de Israel e a seus produtos.
Por que a mishná final do capítulo aborda dois temas aparentemente distintos — o gentio que capina e a muda de teruma impura — e como eles se conectam ao tema geral do Perek Tet? Esta mishná encerra o capítulo retomando, num único caso prático, os dois fios condutores que percorreram todo o Perek Tet: de um lado, a questão do tevel e das espécies de semente que não se decompõe (luf, alho, cebola), já introduzida na mishná anterior, agora aplicada ao caso concreto do trabalhador judeu que capina terreno de um gentio — situação em que a opinião adotada (a de que não há aquisição legal por gentio em Eretz Israel capaz de isentar dízimos) implica que o produto continua sendo tevel mesmo em mãos gentias, mas a leniência de consumo ocasional (aráí) permanece válida para o trabalhador. De outro lado, o caso das mudas de teruma impuras que são replantadas retoma o tema central de todo o capítulo — a semeadura de produtos com status especial (teruma) e as consequências desse replantio — mas agora sob o ângulo da impureza ritual, e não apenas da proibição de consumo por estranhos. O princípio unificador é que a conexão física à terra ("chibur la-karka") tem o poder de alterar profundamente o status de um produto: pode purificá-lo da impureza (como no caso da muda replantada), pode gerar uma nova entidade com status derivado (como a teruma que germina em gidulei teruma), e pode, através da distinção botânica entre sementes que se decompõem e sementes que não se decompõem, determinar se essa alteração de status se propaga por uma ou várias gerações de crescimento — encerrando o capítulo com uma síntese prática de todos esses princípios.
Como o Rambam codifica a segunda metade desta mishná (as mudas de teruma impuras) em Hilchot Terumot; a primeira metade, sobre o gentio que capina, não tem halachá dedicada equivalente, por depender de uma opinião específica (a de que não há aquisição por gentio em Eretz Israel) que não é a posição normativa final do Rambam em outros contextos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que encerra o Perek Tet.
"Chasiyot": é um nome que recai sobre os alhos e as espécies de cebolas. Disseram na Tosefta: as chasiyot são o alho, as cebolas e os kaflotot (e os kaflotot são o alho-poró da Terra de Israel, chamado em árabe "karati" e em hebraico "chatzir", como em "lembramo-nos... do chatzir" — Bemidbar 11). E "o que capina" é como "o que limpa" (remove ervas daninhas). E já nos precedeu o princípio, segundo Rabi Meir, de que não há aquisição para o gentio em Eretz Israel capaz de isentar dos dízimos — e, sendo assim, como mencionamos, seus frutos serão tevel (mesmo pertencendo ao gentio, a terra de Israel mantém sua santidade agrícola original).
"E é proibido comê-las": porque são teruma impura, cuja lei é ser queimada; e se as plantou, a coisa que cresce delas é revelada e visível a olho nu (a distinção entre a parte antiga, já existente quando impura, e a nova, que cresceu depois do plantio, é fisicamente perceptível)... E não é a halachá como Rabi Yehudá (prevalece a opinião mais lene, de cortar apenas uma vez).
"O que capina": arranca as ervas daninhas que crescem entre a plantação e os vegetais.
"Em terreno de chasiyot": como o alho, o luf, as cebolas e o alho-poró — todos estes são chamados chasiyot.
"Ainda que seus frutos": do gentio, sejam tevel — pois este tanna entende que não há aquisição para o gentio em Eretz Israel capaz de isentar dos dízimos, e os crescimentos do tevel são tevel em coisa cuja semente não se decompõe; ainda assim, come deles casualmente (a leniência do consumo ocasional prevalece mesmo nessas condições mais restritivas).
"Mudas de teruma": como mudas de repolho e acelga.
"Que ficaram impuras e foram replantadas, tornam-se puras da impureza": pois, uma vez que se conectaram à terra, deixaram de ter a categoria de alimento (e alimentos são a categoria sujeita a se tornar impura — uma vez replantada e novamente parte da terra viva, a muda sai dessa categoria e, com isso, purifica-se da impureza que carregava).