Estava comendo (consumo ocasional, não uma refeição formal, do tipo permitido antes da separação do dízimo) um cacho de uvas (colhido no jardim), e entrou do jardim para o pátio (e o pátio é o lugar que fixa a obrigação do dízimo — a partir do momento em que o produto entra no pátio do dono, mesmo o consumo ocasional passa a exigir a separação prévia do dízimo) — Rabi Eliezer diz: que termine (de comer, mas entende-se que ele deve primeiro sair do pátio de volta ao jardim para terminar, pois dentro do pátio mesmo o consumo ocasional já está proibido sem o dízimo). E Rabi Yehoshua diz: que não termine (nem mesmo saindo, pois, uma vez que o produto entrou no pátio e a obrigação se fixou, ela persiste mesmo que ele volte ao jardim). Anoiteceu na sexta-feira à noite (início do Shabat, que, segundo esta opinião, também fixa a obrigação do dízimo mesmo sobre o consumo ocasional, pois nesse momento tudo se torna "pronto" e destinado ao prazer do Shabat) — Rabi Yehoshua diz: que termine (de comer, até a saída do Shabat, mas não durante o próprio Shabat). E Rabi Eliezer diz: que não termine (sequer depois do Shabat, sem antes separar o dízimo).
Esta mishná, embora trate diretamente do dízimo (maasser) e não da teruma em si, encerra a sequência sobre mudança de condição durante a refeição, com fundamento no mesmo princípio de "guarda" que rege as separações sagradas.
Por que o pátio e o início do Shabat fixam a obrigação do dízimo mesmo sobre o consumo ocasional, e por que os dois sábios se invertem entre os dois cenários? A regra geral é que o consumo ocasional (comer de passagem, sem se sentar para uma refeição) é permitido mesmo antes da separação do dízimo, desde que o produto ainda não tenha "visto a face da casa". O pátio do dono é considerado, para Rabi Eliezer, um lugar que ainda permite terminar de comer se a pessoa retornar ao jardim (o lugar original, onde a obrigação ainda não se fixou), mas para Rabi Yehoshua o simples fato de ter entrado no pátio já fixou a obrigação de modo irreversível, mesmo que se volte ao jardim depois. Já quanto ao início do Shabat, a lógica se inverte: Rabi Yehoshua entende que o versículo de Yeshayahu 58:13, "e chamarás ao Shabat de delícia", implica que tudo o que está disponível para comer no Shabat já se considera "pronto" e fixado para consumo — mas apenas até o Shabat propriamente dito, podendo terminar de comer depois de sua saída (מוֹצָאֵי שַׁבָּת), pois durante o próprio Shabat não se pode separar o dízimo, e a permissão persiste. Rabi Eliezer, ao contrário, entende que a chegada do Shabat fixa definitivamente a obrigação, tornando necessário dizimar antes de continuar a comer, mesmo depois de o Shabat terminar.
Como o Rambam trata, no Perush HaMishná, o mecanismo da fixação da obrigação do dízimo — matéria que pertence propriamente a Hilchot Maasser, não a Hilchot Terumot.
Esta mishná trata do dízimo (maasser), e não diretamente da teruma — por isso, sua matéria pertence propriamente a Hilchot Maasser (As Leis do Dízimo) do Rambam, e não a Hilchot Terumot. Registra-se aqui, honestamente, que não há uma halachá específica em Hilchot Terumot para este caso, por não ser este seu lugar próprio de codificação; o Rambam, no entanto, no seu Perush HaMishná, já explicita o princípio geral de que "o Shabat fixa para o dízimo" (שַׁבָּת קוֹבַעַת לְמַעֲשֵׂר) do mesmo modo que o pátio, e que a halachá final segue Rabi Yehoshua em ambos os debates desta mishná — tanto o de que não se pode terminar de comer depois de entrar no pátio, quanto o de que se pode terminar de comer na saída do Shabat.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que encerra a primeira parte do Perek Chet.
O princípio fundamental entre nós é que o tevel (produto do qual ainda não foram separados dízimos e teruma) não se torna obrigado aos dízimos até que "veja a face da casa", pois está dito (Devarim 26:13): "Eliminei o sagrado da casa". E todos os frutos comidos no jardim ou no campo não estão obrigados aos dízimos, pois é consumo ocasional. E o segundo princípio fundamental é que o Shabat fixa a obrigação do dízimo, e é proibido comer do tevel, mesmo em consumo ocasional, no Shabat, porque desde o momento em que entra o Shabat, tudo está pronto para o consumo e preparado, e torna-se obrigado ao dízimo, conforme a palavra do Nome, bendito seja: "e chamarás ao Shabat de delícia" (Yeshayahu 58:13) — e tudo o que se encontrar pronto, que se coma e beba dele no Shabat. E mais se explicará tudo isto na Massechet Maasserot.
E a afirmação de Rabi Eliezer "que termine" é específica, e explica-se que sua intenção é que ele saia do pátio e termine (de comer no jardim), mas dentro do pátio é proibido a ele completar a refeição. E, igualmente, a afirmação de Rabi Yehoshua "que termine", quer dizer que deixe até a saída do Shabat e complete sua refeição, mas no próprio Shabat é proibido a ele comê-lo. E o que ambos disseram "que não termine" significa que não complete sua refeição até dizimar. E a halachá é como Rabi Yehoshua em ambas as afirmações.
"Estava comendo um cacho de uvas": arrancou um cacho de uma videira no jardim, e estava comendo enquanto caminhava, até que entrou no pátio; e o pátio fixa a obrigação do dízimo, e mesmo o consumo ocasional é proibido até que se separe a teruma e se dizime.
"Rabi Eliezer diz: que termine": não que coma no pátio, mas que saia para fora do pátio e termine de comer o cacho no jardim.
"Que não termine": mesmo no jardim, até que dizime.
"Anoiteceu na sexta-feira à noite": e estava comendo consumo ocasional, e o Shabat fixa a obrigação do dízimo, e mesmo o consumo ocasional é proibido.
"Que termine": até a saída do Shabat, mas no próprio Shabat concorda que é proibido.
"Que não termine": mesmo na saída do Shabat, até que dizime. E a halachá é como Rabi Yehoshua.