E todos eles (a mulher, o servo, e o cohen dos casos da mishná anterior), tendo teruma dentro de sua boca (no exato momento em que lhes chega a notícia da mudança de status) — Rabi Eliezer diz: que engulam (pois, no momento em que puseram a teruma na boca, ainda eram aptos, e o ato de comer já havia começado licitamente). E Rabi Yehoshua diz: que cuspam (por prudência, mesmo que o início do ato tenha sido lícito, uma vez que a condição mudou antes de a deglutição se completar). Se lhes disseram: tu te tornaste impuro, e a teruma se tornou impura (ambos ao mesmo tempo, enquanto a teruma ainda está na boca) — Rabi Eliezer diz: que engula (pelo mesmo princípio anterior). E Rabi Yehoshua diz: que cuspa (por igual prudência). Mas se já se estava impuro, e a teruma já era impura (antes mesmo de pôr a teruma na boca, ou seja, o ato de comer já começou de modo objetivamente proibido), ou se soube que era tevel (produto do qual nem teruma nem dízimos foram ainda retirados, e portanto proibido a todos), e primeiro dízimo do qual não foi retirada sua teruma (que ainda contém teruma embutida e proibida), e segundo dízimo e consagrado que não foram resgatados (e, portanto, ainda mantêm sua santidade e proibição), ou se sentiu o sabor de um inseto dentro de sua boca — eis que, em todos esses casos, deve cuspir (pois, ao contrário dos casos anteriores, aqui o início do ato já era objetivamente proibido, sem qualquer margem de licitude inicial — e mesmo Rabi Eliezer concorda).
Esta mishná aprofunda o tema da mishná anterior, tratando do instante exato em que a teruma ainda está na boca, e distinguindo entre início lícito e início já proibido do ato de comer.
Por que a discussão entre engolir e cuspir só se aplica quando o início do ato era lícito, e por que todos concordam em cuspir nos demais casos? O debate entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, nos primeiros dois cenários desta mishná, pressupõe que a pessoa começou a comer a teruma licitamente — ela era, no momento em que pôs o alimento na boca, esposa, servo ou cohen apto, e a notícia da mudança (morte, impureza) chegou apenas depois. Rabi Eliezer sustenta que, uma vez iniciado licitamente o ato de comer, ele pode ser concluído, pois o momento relevante para julgar a licitude é o início; Rabi Yehoshua, mais rigoroso, sustenta que mesmo um ato iniciado licitamente deve ser interrompido assim que a condição muda, por prudência e por considerar todo o processo de deglutição como uma unidade contínua sujeita à condição atual. Já nos demais casos listados — impureza pessoal ou da teruma anteriores ao ato, tevel, primeiro dízimo com teruma embutida, segundo dízimo ou consagrado não resgatados, ou o sabor de um inseto — o próprio início do ato já era objetivamente proibido, sem qualquer margem de licitude inicial da qual partir; por isso, mesmo Rabi Eliezer concorda que se deve cuspir, pois não há aqui nenhum momento lícito anterior a que apelar.
Como o Rambam, no Perush HaMishná, explica os termos técnicos desta mishná e confirma a halachá vencedora.
O Rambam não dedica, dentro de Hilchot Terumot, uma halachá isolada a este caso específico da teruma ainda na boca — a matéria integra-se, de modo mais geral, às leis já codificadas sobre quem está apto a comer teruma e sobre a proibição de "estranhos". Registra-se aqui, honestamente, a ausência de uma halachá dedicada a este instante preciso; o Rambam, contudo, no seu Perush HaMishná, explica o mecanismo da restituição e confirma que a halachá segue Rabi Yehoshua em todo o capítulo (cuspir sempre que há dúvida ou mudança de condição), preservando a lenidade apenas para os casos em que o início do consumo foi inteiramente lícito.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
A afirmação de Rabi Eliezer "que engulam" significa que se soma o que engoliu ao que comeu depois da morte ou do divórcio, ou de tudo o que foi mencionado, e paga tudo com o acréscimo do quinto, conforme a opinião de Rabi Eliezer (pois, para ele, engolir a teruma já na boca é equiparado a continuar comendo depois de saber, gerando a mesma obrigação de restituição).
E o significado de "que cuspa": que a tire de sua boca.
E "pishpesh" é um tipo de vermes redondos e vermelhos em forma de lentilhas, muito repugnantes, chamados em árabe "baq"; e a intenção aqui é que se encontre em sua boca algo que o impeça de comer o que colocou em sua boca, por causa da sujeira e da repugnância. E a halachá é como Rabi Yehoshua.
"E todos eles": servo e mulher que comeram desde o início licitamente — é sobre esse caso que Rabi Eliezer diz que engulam; mas o filho de divorciada ou de chalutzá, que nunca comeu licitamente, Rabi Eliezer concorda que cuspa, do mesmo modo que no caso de "tu já estavas impuro, ou a teruma já era impura antes de a pôr na boca", em que Rabi Eliezer também concorda que cuspa.
"Ou se sentiu o sabor de pishpesh": um inseto rasteiro, que, quando esmagado, seu cheiro é extremamente repugnante, e é encontrado nas paredes e nas camas, e o chamam em árabe "baki" e em língua estrangeira "tzimitza". E a halachá é como Rabi Yehoshua.