A Mishná · הַמִּשְׁנָה
Continua o tema da mishná anterior: e igualmente um barril de azeite de teruma que se derramou — se for possível salvar dele um quarto em pureza, que se salve; e se não, Rabi Eliezer diz que desça e seja absorvido, sem que ninguém o torne absorvido com as próprias mãos
E igualmente (pelo mesmo princípio da mishná anterior sobre o vinho) um barril de azeite (de teruma) que se derramou (quebrando-se e espalhando o azeite sobre superfície ou substância que o tornaria impuro ou absorvido de modo irrecuperável) — Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se for possível salvar dele um quarto (a mesma pequena medida de log) em pureza, que se salve. E se não, Rabi Eliezer diz: que desça e seja absorvido (que o azeite restante se espalhe e seja absorvido pelo chão, ou pela substância impura, naturalmente, sem intervenção humana direta), mas que ninguém o torne absorvido com suas próprias mãos (não se deve apressar ou empurrar ativamente o processo de absorção, pelo mesmo princípio de que a ação humana deliberada sobre a perda da teruma é distinta do resultado natural e passivo dos acontecimentos).
וְכֵן חָבִית שֶׁל שֶׁמֶן שֶׁנִּשְׁפְּכָה, מוֹדֶה רַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ, שֶׁאִם יָכוֹל לְהַצִּיל מִמֶּנָּה רְבִיעִית בְּטָהֳרָה, יַצִּיל. וְאִם לָאו, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, תֵּרֵד וְתִבָּלַע, וְאַל יְבַלְּעֶנָּה בְיָדָיו:
Fontes da Torá · מְקוֹרוֹת בַּתּוֹרָה
Esta mishná aplica ao azeite o mesmo princípio da mishná anterior sobre o vinho, com uma distinção prática que o Bartenura explicita adiante — o azeite, mesmo perdido para consumo puro, ainda serve para acender lâmpadas.
Bemidbar (Números) 18:12
כֹּל חֵלֶב יִצְהָר וְכָל־חֵלֶב תִּירוֹשׁ וְדָגָן, רֵאשִׁיתָם אֲשֶׁר־יִתְּנוּ לַיהוה, לְךָ נְתַתִּים.
"Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do vinho e do grão, suas primícias que derem ao Eterno, a ti as dei" (Bemidbar 18:12) — o mesmo versículo que estabelece o azeite, o vinho e o grão como as três categorias centrais de teruma agrícola aplica-se igualmente à preocupação desta mishná: mesmo quando a pureza do azeite para consumo humano não pode ser preservada, sua condição de teruma exige que se evite, na medida do possível, transformar sua perda em um ato ativo e deliberado, preferindo-se sempre que a perda ocorra pelo curso natural dos acontecimentos.
Por que a mishná trata separadamente do azeite, já tendo estabelecido o mesmo princípio para o vinho? Embora o princípio geral seja idêntico ao da mishná anterior, a repetição para o caso do azeite não é meramente redundante: o azeite tem uma propriedade prática que o vinho não tem — mesmo quando se torna impuro e, portanto, proibido ao consumo humano em pureza, o azeite ainda pode ser aproveitado para acender lâmpadas, um uso que não exige pureza ritual. Essa possibilidade de aproveitamento residual poderia, à primeira vista, sugerir que valeria a pena um esforço ainda maior — incluindo talvez a intervenção manual direta — para salvar o máximo de azeite possível, já que "nada se perde totalmente". A mishná, ao aplicar exatamente o mesmo princípio restritivo do vinho ao azeite, ensina que essa possibilidade de aproveitamento residual não altera a regra fundamental: mesmo que o azeite "impuro" ainda tenha alguma utilidade, isso não justifica que se torne ativamente impuro com as próprias mãos, pois o princípio em jogo não é sobre o valor econômico residual do produto, mas sobre a natureza do ato humano em relação à teruma.
Halachot · הֲלָכוֹת
O Rambam une as leis do vinho e do azeite em uma única halachá, explicitando a razão prática da lenidade quanto ao azeite.
Rambam · Mishné Torá, Hilchot Terumot 12:5
אוֹ שֶׁהָיְתָה חָבִית שֶׁל שֶׁמֶן. תֵּרֵד וְתִטָּמֵא וְאַל יְטַמְּאֶנָּה בְּיָדָיו, שֶׁהֲרֵי הַכֹּל רָאוּי לְהַדְלָקָה וְאֵין שָׁם הֶפְסֵד מְרֻבֶּה. וְכֵן חָבִית שֶׁמֶן שֶׁנִּשְׁפְּכָה, אִם יָכוֹל לְהַצִּיל רְבִיעִית בְּטָהֳרָה יַצִּיל, וְאִם לָאו יַצִּיל בְּטֻמְאָה, שֶׁכֵּיוָן שֶׁנִּשְׁבְּרָה הֶחָבִית אֵינוֹ מֻזְהָר שֶׁלֹּא לְהַצִּיל בְּטֻמְאָה מִפְּנֵי שֶׁהוּא בָּהוּל.
"Ou se era um barril de azeite: que desça e se torne impuro, mas que ninguém o torne impuro com as mãos, pois tudo é próprio para acender, e não há ali grande perda. E, igualmente, um barril de azeite que se derramou: se pode salvar um quarto em pureza, que salve; e se não, que salve em impureza, pois, uma vez que o barril já se quebrou, não está advertido a não salvar em impureza, por estar apressado." O Rambam explicita aqui a razão da lenidade específica do azeite: mesmo tornando-se impuro, todo ele ainda serve para acender lâmpadas, de modo que não há "grande perda" (הֶפְסֵד מְרֻבֶּה) — distinguindo sutilmente este caso do vinho, onde a perda é mais completa, ainda que a regra prática de não tocar ativamente permaneça a mesma em ambos.
Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Terumot 8:10
וְכֵן חָבִית שֶׁל שֶׁמֶן. טְהוֹרָה שֶׁנִּשְׁפְּכָה וְכֻלָּהּ הוֹלֶכֶת לְאִבּוּד, פְּלִיגֵי כְּדִלְעֵיל. וּלְהָכִי קָתָנֵי גַבֵּי שֶׁמֶן נִשְׁפְּכָה וְלֹא נָקַט כְּמוֹ גַבֵּי יַיִן, מִשּׁוּם דִּבְחָבִית שֶׁל שֶׁמֶן שֶׁנִּשְׁבְּרָה בַּגַּת הָעֶלְיוֹנָה, וּבַתַּחְתּוֹנָה חֻלִּין טְמֵאִים, מוֹדֶה רַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ שֶׁאִם יָכוֹל לְהַצִּיל מִמֶּנָּה רְבִיעִית בְּטָהֳרָה יַצִּיל וְאִם לָאו תֵּרֵד וְאַל יְטַמְּאֶנָּה בַּיָּד, מִשּׁוּם דְּשֶׁמֶן רָאוּי לְהַדְלִיק וְלֹא חָשׁוּ לְהֶפְסֵד מֻעָט. וּבְיַיִן נַמִּי לֹא נֶחְלְקוּ אֶלָּא דַוְקָא בִּדְאִיכָּא בַּתַּחְתּוֹנָה פָּחוֹת מִמֵּאָה חֻלִּין, שֶׁנַּעֲשִׂין הַחֻלִּין כֻּלָּן מְדֻמָּע וְאִיכָּא הֶפְסֵד, אֲבָל אִי אִיכָּא מֵאָה חֻלִּין כֻּלְּהוּ מוֹדוּ דְּאַל יְטַמְּאֶנָּה בַּיָּד, מִשּׁוּם דְּלֵיכָּא הֶפְסֵד.
"E igualmente um barril de azeite": puro, que se derramou e todo ele vai para a perda — divergem como acima. E por isso ensina, quanto ao azeite, "derramou-se", e não usa a mesma expressão que usou para o vinho, porque, no caso de um barril de azeite que se quebrou na prensa superior, e na inferior há produto comum impuro, Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se pode salvar dele um quarto em pureza, que salve; e se não, que desça, e que não o torne impuro com a mão — pois o azeite é próprio para acender, e não se preocuparam com uma perda pequena.
E, quanto ao vinho também, não divergem senão especificamente quando há na prensa inferior menos de cem medidas de produto comum, pois então todo o produto comum se torna medumá e há perda; mas se há cem medidas de produto comum, todos concordam que não se deve tornar a teruma impura com a mão, pois não há perda (já que, proporcionalmente, a pequena quantidade de teruma se anula no meio de cem partes de produto comum, sem prejudicá-lo).
Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — como os demais tratados da Ordem de Zeraim (com exceção de Berachot), restando apenas o Talmud Yerushalmi e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado. Nesta mishná, o Rambam não dedicou um comentário próprio e específico no Perush HaMishná além do que já explicitara na mishná anterior, por tratar-se de aplicação direta do mesmo princípio.