E sobre esta, e sobre esta (sobre o caso do vinho na mishná 8:9 e o do azeite na mishná 8:10), disse Rabi Yehoshua: não é esta a teruma sobre a qual fui advertido a não torná-la impura, mas sim a não comê-la (formulando o princípio geral por trás de sua posição nas duas mishnayot anteriores: a advertência bíblica contra "profanar" a teruma refere-se especificamente ao consumo indevido por um estranho, e não à sua impureza ritual em si — daí ser permitido, quando necessário, tocar ativamente na teruma para salvá-la, mesmo tornando-a impura no processo). E como não a torna impura? (Rabi Yehoshua ilustra com um novo caso, distinto dos anteriores) Estava passando de um lugar para outro, e havia pães de teruma em sua mão (carregando-os, talvez para entregá-los ao cohen ao qual pertencem), e um gentio lhe disse: dá-me um deles, e o tornarei impuro (tocando nele ou de outro modo o contaminando ritualmente); e se não, eis que tornarei todos impuros (ameaçando tocar em todos os pães que ele carrega, caso não lhe seja entregue um) — Rabi Eliezer diz: que torne todos impuros (o gentio, deixando-o fazer o que quiser com todos eles), mas que não lhe dê um deles (diretamente, com as próprias mãos, para que ele o torne impuro sozinho — pois entregar ativamente seria participar do ato de profanação). Rabi Yehoshua diz: que coloque diante dele um deles sobre a pedra (deixando um pão sobre uma pedra próxima, ao alcance do gentio, sem entregá-lo diretamente nas mãos dele — uma solução intermediária que evita tanto a perda total quanto a entrega direta).
Esta mishná formula explicitamente o princípio que já operava implicitamente nas duas mishnayot anteriores, com fundamento direto no versículo que distingue as duas proibições bíblicas relativas à teruma.
Por que Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua divergem sobre entregar um pão ao gentio, e qual é a diferença entre "entregar" e "colocar sobre a pedra"? Este caso final ilustra, de modo mais dramático, o mesmo princípio das mishnayot anteriores. Rabi Eliezer mantém sua posição mais rigorosa: mesmo diante da ameaça de perder todos os pães, não se deve participar ativamente da profanação de nenhum deles, entregando-o diretamente nas mãos do gentio — prefere-se que ele torne todos impuros por sua própria iniciativa, sem qualquer colaboração humana direta da parte judaica. Rabi Yehoshua, consistente com seu princípio de que a advertência bíblica não veda tornar a teruma impura (apenas comê-la), busca uma solução intermediária: colocar um pão sobre uma pedra próxima, ao alcance do gentio, sem entregá-lo diretamente em suas mãos. Essa diferença sutil — colocar sobre uma superfície neutra versus entregar diretamente — preserva a distinção entre participação ativa e passiva no ato de profanação: ao colocar o pão sobre a pedra, a pessoa realiza uma ação que, tecnicamente, não constitui "dar" no sentido pleno de transferência direta de posse, permitindo que o gentio o tome por conta própria, do mesmo modo que ele tomaria qualquer objeto encontrado, sem que a mão do judeu tenha participado do ato final de contaminação.
O Rambam codifica este caso quase literalmente em Hilchot Terumot, confirmando a halachá segundo Rabi Yehoshua.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que formula o princípio geral por trás das mishnayot anteriores.
"E não a tornarás impura": seu significado é que não se tenha a intenção de torná-la impura, mas auxiliar nisso, depois que já se derramou, é permitido. E a halachá é como Rabi Yehoshua em tudo isto.
"Sobre esta e sobre esta": sobre esta em que nasceu dúvida de impureza (mishná 8:8, embora ali a halachá final seja como Rabán Gamliel), e sobre esta que vai para a perda (mishnayot 8:9-8:10), disse Rabi Yehoshua que não está advertido quanto à impureza delas; e aquela sobre a qual está advertido de não tornar impura, como é? Estava passando, etc. — pois diz Rabi Yehoshua que coloque diante dele um deles sobre a pedra, para não causar impureza aos demais, e mesmo aquele único deve colocar sobre a pedra e não entregá-lo em sua mão, para não tornar a teruma impura com as mãos. E a halachá é como Rabi Yehoshua.