Uma seá de teruma impura que caiu dentro de cem (seá) de produto comum puro: Rabi Eliezer diz: separa-se (uma seá da mistura) e queima-se (como se faz com toda teruma impura), pois eu digo que a seá que caiu é a seá que se eleva (Rabi Eliezer sustenta que, uma vez que a proporção de cem e mais permite retirar uma seá para tratá-la como se fosse a teruma original, essa mesma seá retirada continua sendo, em essência, aquela teruma impura — e por isso deve ser tratada com todo o rigor de teruma impura, isto é, queimada, sem qualquer benefício). Mas os sábios dizem: separa-se e come-se (a seá retirada, pelos cohanim) em pedaços secos, ou torrada, ou amassa-se com suco de frutas, ou se distribui em massas, de modo que não haja em nenhum lugar o tamanho de um ovo (os sábios discordam de Rabi Eliezer, sustentando que a seá retirada não precisa ser tratada como teruma impura certa e proibida a todo uso — bastando os mesmos cuidados de pureza já descritos na mishná anterior, ela pode ser comida pelos cohanim).
Esta mishná examina o caso em que há cem partes de produto comum puro para uma seá de teruma impura — quantidade suficiente para o bittul padrão — e debate se a seá retirada mantém o status pleno de teruma impura ou se pode ser comida com os devidos cuidados de pureza.
Por que Rabi Eliezer insiste que a seá retirada da mistura deve ser queimada, e não apenas comida com cuidado, enquanto os sábios permitem seu consumo? O ponto central do debate é conceitual: quando uma seá de teruma impura cai em cem de produto comum puro, e se retira uma seá da mistura para entregá-la ao cohen (como ensinado na mishná anterior para o caso geral de bittul), qual é o status exato dessa seá retirada? Rabi Eliezer sustenta que, do ponto de vista prático, "a seá que caiu é a seá que se eleva" — isto é, ainda que reconheça o princípio do bittul em cem e mais, ele considera que a seá especificamente retirada continua sendo, em termos de identidade haláchica, aquela mesma teruma impura original, e por isso deve ser tratada com todo o rigor devido: queimada, sem consumo por ninguém. Os sábios, em contrapartida, entendem que, uma vez ocorrido o bittul, a seá retirada da mistura já não carrega a identidade certa da teruma impura original — ela é apenas uma seá "representativa" que se separa para cumprir a obrigação de dar ao cohen o equivalente à teruma. Por isso, tratando-a como teruma pura comum sujeita aos cuidados usuais contra nova impureza (pedaços secos, torrados, suco de frutas), ela pode ser licitamente consumida pelos cohanim.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado ao bittul de teruma impura em cem de produto comum puro — decidindo como os sábios, contra Rabi Eliezer.
O Rambam decide expressamente como os sábios contra Rabi Eliezer: a seá retirada não é considerada a mesma teruma impura original, e por isso pode ser comida com os cuidados de pureza descritos, sem necessidade de ser queimada.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Quando caiu em cem, não se torna tudo medumá, como já foi dito. E Rabi Eliezer diz que, assim como se fosse pura se elevaria e se comeria, do mesmo modo, se é impura, se eleva e se queima. E a lei segue os sábios. E quando entenderes o que dissemos na halachá anterior, esta halachá se esclarecerá para ti, junto com a que vem depois dela.
"Uma seá de teruma impura que caiu em cem de produto comum puro": e agora a teruma se eleva na proporção de um para cem, e não se torna tudo medumá; e o produto comum puro não se tornou apto a receber impureza, e a teruma impura não o contaminou.
"Separa-se e queima-se": assim como, se fosse teruma pura, se elevaria e se comeria, do mesmo modo a impura se separa e se queima. E esse "se queima" é semelhante a "deve apodrecer", pois é proibido tirar proveito dela no momento em que a queima — pois, se fosse permitido tirar proveito dela, alguém poderia acabar comendo-a, pensando que está permitida por meio do bittul.
"Separa-se e come-se em pedaços secos": tudo seco, conforme já explicamos acima. E a lei segue os sábios.