Uma seá de teruma pura que caiu em cem (seá) de produto comum impuro, eleva-se e come-se em pedaços secos, ou torrada, ou amassa-se com suco de frutas, ou se distribui em massas, de modo que não haja em nenhum lugar o tamanho de um ovo (este caso — o inverso do anterior, com a teruma pura caindo, e não o produto comum — é aceito sem qualquer discordância entre Rabi Eliezer e os sábios: como será explicado pelos comentadores, aqui até Rabi Eliezer concorda que a seá retirada é comida, e não queimada, pois sua opinião mais severa aplicava-se apenas ao caso em que a própria teruma que caiu era impura).
Esta mishná espelha a anterior, invertendo qual elemento é impuro: agora é o produto comum, e não a teruma, que carrega a impureza — e, notavelmente, aqui não há disputa entre Rabi Eliezer e os sábios.
Por que, neste caso, não há qualquer discordância entre Rabi Eliezer e os sábios, ao contrário da mishná anterior? Segundo os comentadores, a opinião mais severa de Rabi Eliezer na mishná anterior — de que "a seá que caiu é a seá que se eleva" e por isso deve ser queimada — aplicava-se especificamente ao caso em que a teruma que caiu era, ela mesma, impura: ali, mesmo após o bittul técnico, Rabi Eliezer temia que a seá retirada carregasse a identidade da teruma impura original, exigindo tratamento severo. Mas aqui a situação é distinta: a teruma que caiu era pura — apenas o produto comum ao redor estava impuro. Nesse caso, mesmo Rabi Eliezer concorda que a seá retirada, mantendo-se pura desde a origem e sendo apenas protegida contra nova contaminação pelos cuidados descritos, pode ser legitimamente comida pelos cohanim. O debate entre Rabi Eliezer e os sábios dizia respeito, portanto, apenas à identidade de uma teruma que já era impura por si mesma — e não a uma teruma pura que meramente precisa ser resguardada de impureza externa.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no mesmo parágrafo dedicado ao bittul de teruma em cem partes, unificando os dois casos — teruma impura em produto comum puro, e teruma pura em produto comum impuro.
O Rambam trata os dois casos — mishná 5:2 e esta mishná 5:3 — em um único parágrafo, pois a lei prática resultante é a mesma para ambos: a seá se eleva e se come com os cuidados de pureza descritos, uma vez decidida a lei como os sábios na disputa da mishná anterior.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Rabi Eliezer não discorda aqui, e não diz "a seá que caiu é a seá que se eleva" — pois tudo o que ele afirma, não o afirma senão para ser mais rigoroso (e neste caso, em que é o produto comum que está impuro e a teruma permanece pura, não há motivo de rigor adicional, pois a teruma retirada mantém plenamente sua pureza original).
"Eleva-se e come-se": nisto Rabi Eliezer concorda que também aquela seá é comida — pois acima, quando teruma impura caiu, ainda que se tenha anulado no produto comum puro, de qualquer forma, quando a retira, o nome de teruma recai sobre ela e ela retorna ao seu nome original (de teruma impura, exigindo ser queimada). Mas aqui, onde a que caiu era pura, ainda que o produto comum fosse impuro, quando a retira, ela retorna ao nome de teruma pura, como era antes.