A medida da teruma (a fração da colheita que os sábios estabeleceram como parâmetro ideal para a separação): olho generoso (quem deseja dar com liberalidade separa) um quarentavos. Bet Shamai diz: um trintavos (medida ainda mais generosa que a atribuída pelos sábios ao "olho generoso"). E a média, um cinquentavos. E a pobre (quem dá com menos liberalidade), um sessentavos (o mínimo aceitável idealmente). Se separou e lhe coube na mão um sessentavos, é teruma (mesmo tendo caído exatamente no limite mínimo, vale plenamente), e não precisa separar novamente (pois cumpriu ao menos a medida da "pobre"). Se voltou e acrescentou (mais produto à porção já designada como teruma, depois de já ter separado o sessentavos), o acréscimo fica obrigado aos dízimos (pois aquilo que foi acrescentado depois já não recebe automaticamente o status de teruma pela primeira designação, e portanto continua sujeito à obrigação de dízimo como produto comum, até ser tratado à parte). Se lhe coube na mão um sessentavos e um pouco a mais (passando ligeiramente do sessentavos, sem que isso fosse intencional), é teruma, mas por precaução (porque talvez o excedente já não conte plenamente como teruma da primeira designação, sendo prudente considerar a totalidade como teruma apenas por segurança, sem que isso implique nova obrigação de dízimo sobre o excedente pequeno e involuntário).
Diferentemente do dízimo, cuja proporção (um décimo) é explícita na Torá, a teruma não tem medida bíblica fixa — apenas a designação verbal do doador a torna sagrada, "seja qual for" a quantidade. A medida aqui discutida é uma diretriz rabínica sobre a proporção ideal a ser seguida.
Por que a Torá não estabelece uma medida fixa para a teruma, como faz para o dízimo? A diferença reflete a natureza distinta dos dois presentes sacerdotais. O dízimo é uma obrigação proporcional e objetiva — um décimo exato — porque sua finalidade é sustentar de modo previsível toda a tribo de Levi. Já a teruma, entregue diretamente ao cohen, é concebida como uma expressão da generosidade voluntária do doador para com "o melhor" de sua colheita — daí a designação "עַיִן יָפָה" ("olho bom" ou generoso) e "עַיִן רָעָה" ("olho mau" ou parcimonioso) como categorias morais, e não apenas técnicas. Os sábios, reconhecendo que a ausência de medida fixa poderia gerar tanto excessos onerosos quanto tacanhez vergonhosa, estabeleceram uma escala de referência (de um trintavos, segundo Bet Shamai, até um sessentavos) que orienta sem, contudo, invalidar quantidades diferentes: por isso mesmo, mesmo o sessentavos e um pouco a mais ainda vale como teruma, "por precaução" — já que o essencial, do ponto de vista bíblico, é apenas a designação verbal sobre "algo" do produto.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado à medida (shiur) da teruma grande.
O Rambam decide como lei prática a opinião dos sábios (não a de Bet Shamai) — um quarentavos, cinquentavos e sessentavos —, deixando de fora a medida de um trintavos atribuída a Bet Shamai nesta mishná.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Olho generoso, um quarentavos": já explicamos isso no tratado de Peá. E se ensina aqui que, se lhe coube na mão a medida da "pobre", que é um sessentavos, cumpriu sua obrigação e não precisa voltar a separar; e do mesmo modo, se lhe coube um pouco mais do que isso, eis que é teruma, mas por dúvida deve voltar e separar uma segunda vez, pois talvez não tenha pretendido explicitamente essa medida.
E se acrescentou àquilo que já lhe coube — um sessentavos — depois de já ter separado com aquela medida, ficará obrigado ao dízimo sobre o que acrescentou, pois sua intenção original era teruma apenas na medida primeira.
"A medida da teruma: olho generoso, um quarentavos": aquele que tem olho generoso separa um quarentavos.
"Bet Shamai diz: um trintavos": e a lei segue Bet Hilel (implicitamente presente na medida dos sábios citada na mishná).
"E a média, um cinquentavos": quem não é nem de olho generoso nem de olho parcimonioso separa um cinquentavos.
"E a pobre, um sessentavos": quem tem olho parcimonioso separa um sessentavos, e não se separa menos do que isso.
"Separou e lhe coube na mão um sessentavos: é teruma, e não precisa separar novamente": pois já deu conforme a própria medida da "pobre", no limite maior.
"Se voltou e acrescentou, o acréscimo fica obrigado aos dízimos": o acréscimo fica obrigado ao dízimo, pois sua teruma já lhe havia coube na mão, e ao acrescentar não pretendia senão somar à teruma já separada — e acréscimo sobre teruma não é teruma.
"Se lhe coube um sessentavos e um pouco a mais, é teruma, por precaução": pois talvez não tivesse pretendido separar apenas na medida da "pobre", e por isso é necessário voltar e separar outra vez.