Aquele cujos frutos estavam no celeiro (ainda não desobrigados de teruma e dízimos), e deu uma seá ao levita (como se já fosse o dízimo devido, antes de formalmente separar teruma e dízimo do restante) e uma seá ao pobre (como se já fosse o dízimo do pobre): separa até oito seín (pode ainda tirar do restante do celeiro, como teruma e dízimos regulares, até completar oito seín, calculando retroativamente que as duas primeiras seín já cumpriram sua função) e as consome (o restante que sobrar depois de descontadas as porções sagradas, tratando-o como produto já totalmente desobrigado) — palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: não separa senão na proporção do cálculo (deve calcular exatamente qual fração do total as duas seín já dadas representam, e separar teruma e dízimos do restante apenas nessa mesma proporção, sem o arredondamento generoso de Rabi Meir).
O debate desta mishná diz respeito à proporção exata entre teruma, dízimo levítico (maasser rishon) e dízimo do pobre (maasser ani), quando porções já foram entregues antes da separação formal ser concluída.
Por que Rabi Meir permite arredondar até oito seín, enquanto os sábios exigem o cálculo exato? Segundo Rabi Meir, uma vez que já se deu uma seá ao levita e uma ao pobre — presumindo que essas representam, respectivamente, o dízimo levítico e o dízimo do pobre de uma certa quantidade de produto —, pode-se generosamente presumir que aquele bloco already conta como referente a um total redondo de oito seín (a proporção padrão entre dízimo e o todo, somada a alguma margem), permitindo que o restante seja tratado com maior simplicidade prática. Os sábios rejeitam esse arredondamento: a designação de teruma e dízimos exige precisão proporcional exata, e presumir mais do que o cálculo estrito permite arriscaria consumir, sem desobrigação adequada, produto que ainda seria tevel (sujeito à obrigação). O debate reflete a tensão geral do Perek Dalet entre praticidade na estimativa (como se verá nas mishnayot seguintes, sobre o shiur da teruma) e o rigor da designação exata.
O Rambam não dedica uma halachá específica e isolada a este caso preciso — o cálculo proporcional entre dízimo já entregue informalmente e a separação subsequente de teruma e dízimos do restante do celeiro. O tema geral da ordem de separação (bikurim, depois teruma, depois maasser rishon, depois maasser sheni ou maasser ani) é tratado alhures em Hilchot Terumot 3:23, já citado no comentário à mishná 3:9. Registra-se aqui, honestamente, a ausência de uma halachá dedicada a este caso específico, cuja opinião decisória (contra Rabi Meir, a favor dos sábios) permanece implícita no princípio geral de precisão proporcional.
É esse princípio de ordem e proporção — bikurim, depois teruma, depois maasser — que sustenta a exigência dos sábios de calcular com precisão o que as duas seín já entregues representam antes de completar a separação do restante, em vez do arredondamento de Rabi Meir.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Já explicamos anteriormente que o dízimo é um décimo do monte, depois da teruma grande. E aqui se ensina que, se alguém tinha frutos dos quais ainda não havia separado teruma grande nem dízimo, e deu uma seá ao levita pensando que era o dízimo, e deu uma seá ao pobre pensando que era o dízimo do pobre — tem permissão de separar do restante até que o cálculo total chegue a oito seín de teruma, primeiro dízimo e dízimo do pobre. E isso se explica assim: o primeiro dízimo é um décimo das nove seín que restam depois da teruma grande, e o dízimo do pobre é igualmente assim; e se o cálculo for tal que se deu uma seá para cada um deles, a medida total será de oito seín, como se explicará no cálculo.
E Rabi Meir sustenta que ele tem permissão de completar esse cálculo, ainda que não tivesse originalmente pretendido um número determinado; e os sábios dizem que ele só tem permissão conforme o cálculo de sua intenção original — ou seja, se sua intenção inicial era dar ao levita o dízimo sobre a medida de cem seín, não separa agora para completar este cálculo (de oito), mas apenas segundo aquele cálculo que tinha em mente. E a lei não segue Rabi Meir.
"Aquele cujos frutos estavam no celeiro": e ainda não havia separado deles teruma e dízimo.
"E deu uma seá ao levita": no cálculo de que seria o dízimo.
"E uma seá ao pobre": no cálculo do dízimo do pobre.
"Separa até oito seín": do restante do celeiro — teruma, primeiro dízimo e dízimo do pobre — e o cálculo se completa de modo que a seá dada ao levita e a seá dada ao pobre estejam dentro dessas oito seín, e o restante é produto comum e pode ser consumido.
"Palavras de Rabi Meir": que se apoia na estimativa aproximada.
"Mas os sábios dizem: não separa senão na proporção do cálculo": o cálculo minucioso, conforme o que tinha em mente desde o início. E a lei segue os sábios.