Mel de tâmaras, vinho de maçãs, vinagre de uvas de inverno (sitvaniot — uvas tardias, colhidas já no inverno, comumente usadas para fazer vinagre), e todos os demais sucos de frutas de teruma (exceto vinho de uva e azeite de oliva): Rabi Eliezer obriga o principal e o quinto (a quem os consumiu por engano, tratando-os como teruma plena para efeito de restituição — kéren vachômesh), e Rabi Yehoshua isenta (do pagamento do quinto, embora reconheça a proibição de consumo). E Rabi Eliezer os torna impuros por serem líquido (considera esses sucos de frutas capazes de transmitir e receber impureza como os sete líquidos que os sábios enumeraram, tornando os alimentos com os quais entram em contato suscetíveis à impureza). Disse Rabi Yehoshua: os sábios não contaram sete líquidos como um perfumista que conta (que soma livremente qualquer substância aromática à sua lista, podendo sempre adicionar mais), mas disseram: sete líquidos são impuros (no sentido técnico de poderem transmitir e receber impureza), e todos os demais líquidos são puros (a lista dos sete é fechada e exclusiva — água, orvalho, vinho, azeite, mel de abelhas, leite e sangue —, não podendo ser estendida a outros sucos de frutas, por mais que se assemelhem a eles).
O debate desta mishná gira em torno de dois eixos distintos: a extensão da obrigação de restituição por consumo indevido de teruma (Vayikrá 22:14), e a lista fechada dos sete líquidos que tornam alimentos suscetíveis à impureza (Vayikrá 11:34).
Por que apenas sete líquidos transmitem impureza? A base está em Vayikrá 11:34, que fala do alimento tornado suscetível à impureza quando entra em contato com água ("אֲשֶׁר יָבֹא עָלָיו מַיִם"), e em Vayikrá 11:38, que acrescenta "וְכִי יֻתַּן מַיִם עַל זֶרַע". Os sábios, por tradição recebida (halachá leMoshé miSinai, segundo a maioria dos comentadores), identificaram sete líquidos abrangidos por esse princípio: água, orvalho, vinho, azeite, mel de abelhas, leite e sangue. Rabi Eliezer sustenta que essa lista é apenas exemplificativa, e que qualquer suco de fruta — como o mel de tâmaras ou o vinho de maçãs — também se qualifica como "líquido" para esse efeito. Rabi Yehoshua rejeita essa extensão com a metáfora do perfumista: assim como um perfumista profissional soma livremente ingredientes à sua composição, sem limite fixo, um leitor descuidado poderia pensar que a lista dos sete líquidos é igualmente aberta a adições. Mas os sábios não "contaram" os sete líquidos dessa forma frouxa — eles fixaram uma lista exata e exclusiva, e todo o restante permanece puro, por mais que se pareça com um dos sete em aparência ou uso.
O Rambam decide esta controvérsia seguindo Rabi Yehoshua, tanto quanto à isenção do quinto quanto à lista fechada dos sete líquidos — halachá já estabelecida no Perush HaMishná e refletida nas leis de tumat ochalin.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Vinagre de uvas de inverno" é o vinagre feito das uvas dos dias de inverno, derivado da expressão "eis que o inverno passou" (Shir HaShirim 2:11), sendo esse um termo para a estação chuvosa. E Rabi Eliezer obriga o principal e o quinto a quem os come por engano, como já mencionado, pois em sua opinião esses sucos são como a própria teruma, e o mesmo vale para todos os líquidos (qualquer suco extraído de fruto de teruma mantém, para ele, o status pleno da teruma original).
E Rabi Yehoshua isenta do quinto (mas concorda com a proibição básica de consumo). E também Rabi Eliezer entende que o mel de tâmaras, o vinho de maçãs e o vinagre de uvas de inverno recebem impureza por serem líquido, e estão incluídos no que disse o Nome, bendito seja: "e todo líquido que se bebe, em qualquer vaso, se torna impuro" (Vayikrá 11:34). Mas o princípio estabelecido entre nós é que apenas sete líquidos recebem impureza, e apenas sobre eles e suas derivações disse o versículo "e todo líquido que se bebe" (a interpretação normativa restringe o versículo geral aos sete líquidos especificamente enumerados pela tradição), e eles também são os que tornam as sementes suscetíveis à impureza... Mas os sábios os contaram apenas para dizer que nenhum outro líquido, exceto estes sete, torna impuro ou torna suscetível à impureza — e eles são: o vinho, o orvalho, a água, o azeite, o leite, o sangue e o mel; e o termo "mel" sem qualificação se refere apenas ao mel de abelhas (distinguindo-o do mel de tâmaras mencionado na mishná, que não integra a lista fechada)... E a halachá é como Rabi Yehoshua em tudo isso.
"Uvas de inverno": uvas que não amadurecem até os dias do outono/inverno, e é costume fazer delas vinagre. "E todos os demais sucos de frutas": exceto vinho e azeite.
"Obriga o principal e o quinto": ao estranho que os come por engano, pois Rabi Eliezer os considera bebida de teruma propriamente dita. "E Rabi Yehoshua isenta": do quinto — mas do principal é obrigado, e a princípio são proibidos aos estranhos (a diferença entre eles não é sobre a proibição básica, que ambos aceitam, mas apenas sobre a severidade da penalidade de restituição).
"Torna impuro por ser líquido": são impuros, e tornam impuro, e tornam as sementes suscetíveis a receber impureza como os demais líquidos, pois está escrito (Vayikrá 11) "sobre o qual vier água, se tornará impuro" e "todo líquido que se bebe" (Rabi Eliezer lê esses versículos de modo amplo, incluindo qualquer suco de fruta).
"Como um perfumista que conta": como esse perfumista que conta seus pacotes de especiarias sem exatidão e continua acrescentando a eles — mas os sábios, com exatidão, contaram sete líquidos (a lista é fixa e fechada, ao contrário da acumulação livre de um perfumista)... E a halachá é como Rabi Yehoshua.