E separa-se azeite sobre azeitonas destinadas à conserva (preservadas inteiras em salmoura, não destinadas a serem moídas), e vinho sobre uvas destinadas a serem feitas passas (secas ao sol, não destinadas a serem pisadas) (pois, nesses casos, as azeitonas e uvas já atingiram seu estágio final de processamento — a conserva e a secagem —, sendo consideradas produto "acabado" tanto quanto o azeite ou vinho). Eis que alguém separou azeite sobre azeitonas destinadas ao consumo (como fruta, não como matéria-prima de azeite), e azeitonas sobre azeitonas destinadas ao consumo, e vinho sobre uvas destinadas ao consumo, e uvas sobre uvas destinadas ao consumo (em todos os quatro casos, a separação foi válida por serem ambos produtos "completos" em seu estado de consumo), e depois mudou de ideia para processá-las (decidindo, após a separação, moer as azeitonas ou pisar as uvas restantes para extrair azeite ou vinho), não precisa voltar a separar (pois no momento em que separou, a teruma foi válida e completa, e a mudança posterior de destino não invalida o que já foi corretamente feito).
Esta mishná esclarece que a exigência de "produto completo sobre produto completo" (Bemidbar 18:27, ver 1:4 e 1:8) depende do destino pretendido para o produto — não apenas de seu estado físico objetivo.
A chave para entender esta mishná está em que "completude" (גְּמַר מְלָאכָה — conclusão do processamento) não é um estado físico absoluto, mas relativo ao uso pretendido. Azeitonas destinadas à conserva atingem seu "acabamento" quando salgadas e preparadas para comer — não precisam ser moídas para se tornarem um produto final; nesse sentido, elas já são tão "completas" quanto o azeite, e por isso o azeite pode servir de teruma sobre elas sem violar "produto completo sobre produto completo". O mesmo vale para uvas destinadas a passas. Já quando o dono muda de ideia depois da separação — decidindo processar o que havia destinado ao consumo —, a validade da teruma já se fixou no momento do ato: a intenção presente naquele momento (consumo, e portanto "completude") é o que determina a validade, e uma mudança de intenção posterior não desfaz retroativamente o que já foi corretamente separado.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, completando o quadro das combinações permitidas e proibidas de produto processado e não processado.
O Rambam confirma integralmente a distinção desta mishná: a "completude" exigida pela teruma depende do destino que o dono dá ao produto no momento da separação, e uma mudança de planos posterior não invalida retroativamente uma teruma que foi corretamente separada segundo a intenção original.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Azeitonas destinadas à conserva" são as azeitonas embebidas em água e sal, preparadas para consumo; e é permitido extrair do azeite a teruma devida a esse azeite e a medida da teruma devida àquelas azeitonas ao mesmo tempo, pois se as extraíssem apenas do azeite não haveria benefício ao cohen quanto às azeitonas de conserva.
E quanto a este que mudou de ideia depois de as ter destinado ao consumo e voltou a espremê-las (processando-as em azeite ou vinho): aquelas azeitonas retornaram como se seu processamento estivesse concluído (na hora da separação); não precisa separar uma segunda vez, porque, quando extraiu a teruma, cada uma delas tinha seu processamento concluído naquela hora, segundo sua intenção então.
"Azeitonas destinadas à conserva": azeitonas salgadas e conservadas em vinho ou vinagre para que se preservem, e são consideradas coisa cujo processamento já terminou; por isso, separa-se do azeite sobre elas (sem violar o princípio de "produto completo sobre produto completo").
"Não precisa voltar a separar": pois, quando separou, separou corretamente — visto que naquela hora as azeitonas ou uvas estavam destinadas ao consumo (e por isso já eram consideradas produto completo naquele momento, independentemente do que se fizesse com elas depois).