A oferenda de pecado do indivíduo cujos donos já obtiveram expiação, morre; e a da comunidade, não morre. Rabi Yehuda diz: morrerão. Disse Rabi Shimon: o que encontramos quanto à cria da oferenda de pecado, e quanto à troca da oferenda de pecado, e quanto à oferenda de pecado cujos donos morreram — no indivíduo essas palavras foram ditas, mas não na comunidade — também quanto às que os donos obtiveram expiação e cujo ano passou, no indivíduo essas palavras foram ditas, mas não na comunidade.
— Existe uma halachá recebida de Moshé no Sinai segundo a qual cinco categorias de oferenda de pecado (chatat) ficam impróprias para o altar sem remédio, e por isso são deixadas para morrer de fome, encerradas: a cria da chatat, a troca (temurá) da chatat, a chatat cujo dono morreu, a chatat cujo dono já obteve expiação por outra (porque a primeira, perdida, foi depois encontrada) e a chatat cujo ano se passou. Esta mishná debate se essa lei vale igualmente para chatat da comunidade. Os Sábios anônimos (tanna kamma) sustentam que apenas a chatat de indivíduo cujo dono já se expiou é deixada para morrer — a comunidade, por não poder “morrer” como entidade nem gerar cria ou troca, não estaria sujeita a essa mesma regra em nenhuma de suas cinco formas, mas quanto especificamente ao caso de expiação alheia, entendem que ela se aplica igualmente à comunidade. Rabi Yehuda discorda quanto a esse ponto e sustenta que, mesmo a chatat da comunidade cujo grupo já se expiou por outra, deve morrer. Rabi Shimon propõe um raciocínio comparativo mais amplo: três das cinco categorias — cria, troca e morte do dono — simplesmente não podem ocorrer com oferendas da comunidade (a comunidade não tem chatat fêmea capaz de gerar cria, não gera temurá, e não pode “morrer”); e, já que essas três são exclusivas do indivíduo, as outras duas — expiação alheia e o ano vencido — devem ser lidas da mesma forma, como exclusivas do indivíduo, ainda que fisicamente pudessem ocorrer também com uma oferenda comunitária.
Rambam esclarece primeiro o que significa “cujo dono já se expiou”: o dono separou sua chatat, ela se perdeu, ele separou outra e a trouxe, e só depois a primeira foi encontrada — essa primeira, agora sobrando, é deixada para morrer. Explica por que três das cinco categorias não existem, por definição, entre as ofertas comunitárias: não há cria, pois todo korban tzibbur é macho, mesmo a chatat; não há temurá, pois a comunidade não gera troca; e não há “morte do dono”, pois um povo, ou mesmo uma tribo, não “morre” como entidade. Já as outras duas categorias — expiação alheia e ano vencido — são fisicamente possíveis também na comunidade, e por isso o debate: Rabi Shimon aprende o caso implícito (não explicitado na tradição sinaítica) a partir do caso explícito, aplicando a mesma restrição ao indivíduo; Rabi Yehuda não faz essa comparação, e aplica a regra da morte sempre que fisicamente possível, mesmo à comunidade. A halachá segue Rabi Shimon.
Bartenura define os dois casos concretos: “cujo dono já se expiou” é a chatat perdida e depois encontrada, quando já houve expiação com outra; “da comunidade” é o caso paralelo, quando a comunidade já se expiou com outra chatat comunitária. Explica a posição dos Sábios anônimos como baseada na leitura de que a tradição sinaítica fala apenas do indivíduo. Detalha o raciocínio de Rabi Shimon caso a caso: cria não existe na comunidade porque não há chatat fêmea comunitária; troca não existe porque a comunidade não gera temurá; morte do dono não existe porque a comunidade não morre — e, sendo essas três exclusivamente do indivíduo, as outras duas (expiação alheia, ano vencido), embora fisicamente possíveis na comunidade, seguem a mesma regra por comparação. Conclui confirmando que a halachá segue Rabi Shimon.
Rashi segue de perto a mesma estrutura do Bartenura, confirmando que a exclusão da comunidade nas três primeiras categorias decorre da própria impossibilidade física: não há chatat fêmea entre as oferendas comunitárias (pois todo korban tzibbur é macho), a comunidade não gera temurá, e um povo não “morre” como o dono individual de uma oferenda morre. A partir dessas três impossibilidades, Rabi Shimon estende por comparação a mesma exclusão às outras duas categorias, ainda que fisicamente possíveis na comunidade. Rashi remete à continuação da sugya na Guemará para a fonte de que “a comunidade não morre”.