Começaram a subir pelas escadas do vestíbulo. Os que venceram a remoção de cinzas do altar interno e da candeia os precediam. Aquele que venceu a remoção de cinzas do altar interno entrava, e tomava a cesta, e se prostrava e saía. Aquele que venceu a remoção de cinzas da candeia entrava e encontrava as duas lâmpadas orientais acesas: removia as cinzas da oriental, e deixava a ocidental acesa, pois dela acendia a candeia entre as tardes. Se a encontrava apagada, removia suas cinzas e a acendia do altar da oferenda queimada. Tomava o jarro do segundo degrau, e se prostrava e saía.
O sacerdote portador do incenso e o sacerdote portador das brasas na pá de ouro começavam a subir as doze escadas que levavam ao ulam, o vestíbulo diante do Santuário. Diante deles, porém, dois outros sacerdotes já os precediam para retirar os utensílios que haviam deixado no Santuário na etapa anterior do serviço: o que vencera o sorteio para a remoção de cinzas do altar interno, e o que vencera o sorteio para a remoção de cinzas da candeia. O primeiro entrava, tomava o teni — a cesta em que recolhera as cinzas do altar interno —, prostrava-se e saía, com sua tarefa encerrada. O segundo entrava e verificava o estado das duas lâmpadas orientais da candeia, isto é, as duas mais próximas do lado leste. Se as encontrava ainda acesas, removia as cinzas apenas da mais oriental delas e a preparava de novo, mas deixava intacta, ainda acesa, a lâmpada imediatamente a oeste desta, pois seria dela que se acenderiam todas as lâmpadas da candeia à tarde. Caso encontrasse essa lâmpada ocidental já apagada, removia suas cinzas e a acendia a partir do fogo do altar externo, o altar da oferenda queimada, nunca de outra lâmpada. Por fim, tomava o jarro em que recolhera cinzas e pavios, guardado no segundo dos três degraus diante da candeia, prostrava-se e saía.
Rambam recorda que já se explicou, no terceiro capítulo, que o sacerdote da candeia primeiro prepara cinco lâmpadas e sai, e depois retorna para preparar as duas lâmpadas restantes — ali chamadas as lâmpadas “seis” e “sete”, deixadas por último. Por isso a mishná diz aqui: se ao retornar ele encontra essas duas lâmpadas ainda acesas, prepara a que é numerada “dois”, a oriental, junto à outra numerada “um”, e deixa esta última exatamente como está — ou seja, sem apagá-la e reacendê-la, mas apenas ajeitando-a, retirando o pavio e acrescentando azeite, e coisas semelhantes — pois é da lâmpada ocidental, a numerada “um”, que se acenderão as demais lâmpadas entre as tardes. Por isso, se encontra a lâmpada ocidental já apagada, remove suas cinzas, coloca-lhe um pavio e a acende do altar da oferenda queimada, e não das outras lâmpadas, pois é justamente essa a lâmpada ocidental da qual as demais se acendem quando se apagam; e quando ela mesma se apaga, não se acende senão do altar da oferenda queimada. E já se explicou no terceiro capítulo que o jarro em que se recolhem as cinzas da candeia é colocado sobre o segundo degrau da pedra diante da candeia, e dali é retirado e levado para fora.
Bartenura explica que “começaram” refere-se aos que venceram o sorteio pela colher do incenso e pela pá de brasas, que subiam pelas escadas do vestíbulo — havia doze escadas ao vestíbulo. E diante deles se adiantavam: quem vencera a remoção de cinzas do altar interno, para retirar a cesta que ali deixara; e como era preciso colocar as cinzas junto ao altar, para o lado leste, assim como as cinzas da candeia, esperava-se até depois da aspersão do sangue do sacrifício perpétuo, quando quem vencera a remoção de cinzas da candeia terminava de preparar as duas lâmpadas e completava a remoção das cinzas da candeia — e então os dois retiravam juntos, um a cesta e outro o jarro, e despejavam as cinzas num mesmo lugar, junto ao altar, para o lado leste. Sobre “se prostrava e saía”: pois agora se completava seu preceito. Sobre “a encontrava apagada”: como, por exemplo, depois que morreu Shimon, o Justo, quando o milagre já não se dava — fosse porque se apagara agora, depois do abate do sacrifício perpétuo, fosse porque a encontrara apagada antes do abate e já a acendera, como se disse antes; mesmo que agora a encontrasse ainda acesa, já que o milagre não permanecia, apagava-a e removia suas cinzas para completar juntas a preparação das duas lâmpadas. Sobre “a acendia do altar da oferenda queimada”: pois nunca se acendia a lâmpada ocidental senão do fogo do altar da oferenda queimada, como está escrito: “Fogo perpétuo arderá sobre o altar”, o fogo do qual se diz “perpétuo”, como está escrito: “para acender a lâmpada perpetuamente”, arderá a partir do altar externo. Sobre “do segundo degrau”: dos três degraus que havia diante da candeia. Sobre “se prostrava e saía”: pois já completara seu preceito.