Aquele que venceu no incenso tomava a colher. E a colher era semelhante a um grande tarkav de ouro, com capacidade de três cabim, e o vaso estava em seu interior, cheio e transbordante de incenso. E havia para ele uma tampa, e uma espécie de pano estava sobre ela, por cima.
O sacerdote vencedor do terceiro sorteio, destinado à queima do incenso, tomava então a kaf, a colher usada para transportar o incenso do pátio até o altar de ouro no Santuário. Essa colher era descrita como semelhante a um grande tarkav — medida de capacidade equivalente, feita de ouro — com capacidade para três kabim. Dentro dela repousava o bazach, um vaso menor, propositalmente cheio até transbordar de incenso; a razão de se usar dois recipientes, um dentro do outro, era dupla: sem a colher grande, o incenso do vaso pequeno — já transbordante — se espalharia pelo chão durante o trajeto; e sem o vaso pequeno, seria menos digno derramar o incenso diretamente da colher grande, já parcialmente vazia, sobre as brasas no momento da queima. O vaso pequeno possuía sua própria tampa, para evitar que o incenso se derramasse durante o transporte, e sobre essa tampa colocava-se ainda uma espécie de pano ou anel — a metutelet — que servia tanto para facilitar a remoção da tampa quanto, segundo outra explicação, como um pequeno adorno de tecido colocado sobre o vaso.
Rambam explica que “cheio e transbordante” significa que o vaso pequeno (bazach) — que fica dentro da colher grande — deveria estar cheio e disposto de modo que o incenso não se espalhasse. E já explicamos em Massechet Keritot que se oferece dele, todos os dias, o peso de cem dinarim, sendo cinquenta pela manhã e cinquenta à tarde. Sobre “metutelet”: um pequeno pedaço de pano. E por isso a mishná ensina que enchiam o vaso pequeno de incenso, cobriam-no com uma tampa, e colocavam sobre a tampa, por cima, um paninho muito pequeno, como um pedaço de tecido; depois colocava-se o vaso pequeno, com tudo isso, dentro da colher grande, e o sacerdote tomava a colher em sua mão, fazendo com ela o que se explicará no próximo capítulo.
Bartenura explica que “o vaso” (bazach) é uma colher pequena. Sobre “cheio e transbordante de incenso”: e este vaso estava dentro da colher grande, pois, se não houvesse a colher grande, como o vaso pequeno estava transbordante, o incenso se espalharia pelo chão durante o transporte; e a colher grande sozinha também não bastaria, pois é mais honroso, para diante do Alto, derramar o incenso de uma colher já transbordante sobre as brasas no momento da queima. Sobre “e havia para ele uma tampa”: para o vaso. Sobre “metutelet”: meus mestres explicaram que era como um anel na parte de cima da tampa, com o qual se movia a tampa e a removia de sobre o vaso; e o Aruch explica que metutelet é um pedaço de tecido, como em “não sairá o camelo com uma metutelet”, no capítulo “com que animal se pode sair”, pois se colocava sobre a tampa do vaso uma espécie de pequeno lenço, como ornamento.