Arrumava a fogueira grande a oriente, e sua face a oriente, e as pontas internas das lenhas tocavam o Tapuach. E havia espaço entre as lenhas, pois dali acendiam a labareda.
O sacerdote que separara as cinzas arrumava, com as lenhas já subidas ao altar, a fogueira grande (maaracha guedolá) — a principal das fogueiras do altar, sobre a qual se queimava a oferenda contínua e as porções sacrificiais das demais ofertas. Ela era montada do lado oriental do altar, com sua face — isto é, sua abertura — também voltada para o oriente, e as pontas internas das lenhas alcançavam e tocavam o Tapuach, o monte de cinzas no centro. Entre as lenhas deixava-se um espaço, onde os sacerdotes colocavam gravetos finos: era dali que acendiam a alita — a labareda ou chama inicial — para que o fogo se espalhasse por toda a fogueira.
“E o fogo sobre o altar arderá nele, não se apagará; e o sacerdote queimará sobre ela lenhas pela manhã, pela manhã, e arrumará sobre ela o holocausto, e queimará sobre ela as gorduras das ofertas pacíficas. Fogo contínuo arderá sobre o altar, não se apagará.” Bartenura cita este versículo como fonte para a existência de três fogueiras diárias no altar: a grande, sobre a qual se queima a oferenda contínua; a segunda, menor, chamada fogueira do incenso, de onde se retiram as brasas para queimar o incenso pela manhã e à tarde; e a terceira, que não serve a nenhum outro propósito senão à manutenção do próprio fogo — a “fogueira de manutenção do fogo” a que alude a expressão “o fogo sobre o altar arderá nele”.
Rambam explica, retomando o que já foi dito no quarto capítulo do tratado sobre o Dia da Expiação, que é consenso entre todos que o altar não pode ter, em nenhum dia, menos de duas fogueiras de fogo: uma é a fogueira grande, sobre a qual se queima a oferenda contínua, e a outra, menor que ela, é chamada fogueira do incenso, porque dela se retira fogo com a pá para o incenso que se queima toda manhã e toda tarde. Por isso se disse: “sobre o que arde no altar toda a noite” — esta é a fogueira grande; e “o fogo do altar arderá nele” — esta é a segunda fogueira, a do incenso. E já explicamos, no início do último capítulo do tratado sobre o Dia da Expiação, o sentido da expressão “fazer-lhe uma face”: que se faz no alto da parede um sinal que indica a parede quando se olha para aquele sinal; assim também aqui, na segunda fogueira, ao arrumar as lenhas no lado oriental do altar, colocava-se sobre a arrumação das lenhas, do lado oriental, algo que indicasse que do lado oriental se começava a arrumar a fogueira. E a alita é a brasa com a qual se acendia a segunda fogueira, a do incenso.
Bartenura explica que se chama “fogueira grande” porque havia outra fogueira menor. Havia ali três fogueiras a cada dia: uma, a fogueira grande, sobre a qual se queimava a oferenda contínua; a segunda, menor que ela, chamada fogueira do incenso, da qual se retiravam brasas com a pá para o incenso queimado pela manhã e à tarde; e a terceira não servia a nada além da manutenção do fogo, como está escrito (Vayikra 6): “e o fogo sobre o altar arderá nele” — esta é a terceira fogueira, a de manutenção do fogo. Sobre “e sua face a oriente”: a aparência de sua frente, isto é, a abertura e a janela da fogueira, do lado oriental do altar. Sobre “as pontas das lenhas”: as internas eram compridas, a ponto de tocarem o Tapuach. Sobre “a alita”: raminhos e lascas finas que se enfiavam entre as lenhas grandes para acender o fogo; e alita é termo relacionado a “cauda” (alya), por alusão às pontas dos tições, semelhantes a caudas.