Estes são os turnos leigos: como está dito, "ordena aos filhos de Israel e dize-lhes: minha oferenda, meu pão" — e como pode a oferenda de um homem ser sacrificada sem que ele esteja junto dela? Os primeiros profetas instituíram vinte e quatro turnos. — O verso de Bamidbar estabelece que a oferenda diária é literalmente "a oferenda" de cada israelita individualmente, financiada por sua contribuição ao Templo, o que gera uma dificuldade: como pode algo ser considerado oferenda pessoal de alguém que sequer está presente no momento do sacrifício? Para resolver essa tensão, os profetas Shmuel e David, os "primeiros profetas", instituíram vinte e quatro turnos sacerdotais rotativos, cada um servindo por uma semana ao longo do ano.
Para cada turno havia um turno leigo correspondente em Jerusalém, de sacerdotes, de levitas e de israelitas. Ao chegar o tempo do turno de subir, os sacerdotes e levitas sobem a Jerusalém, e os israelitas daquele turno se reúnem em suas cidades e leem sobre a obra da Criação. — Paralelamente aos vinte e quatro turnos sacerdotais, foram instituídos vinte e quatro turnos leigos correspondentes, também compostos de sacerdotes, levitas e israelitas comuns, que representavam simbolicamente todo o povo diante da oferenda diária. Quando chegava a semana de determinado turno sacerdotal servir no Templo, seus sacerdotes e levitas subiam efetivamente a Jerusalém para a atividade litúrgica, enquanto os israelitas atribuídos àquele mesmo turno, em vez de subir todos fisicamente, permaneciam reunidos em suas próprias cidades espalhadas por Eretz Yisrael, lendo publicamente a passagem da Criação do mundo — presença espiritual substituindo a presença física, para que ninguém ficasse sem representação junto à oferenda oferecida em seu nome.
O verso usa uma linguagem de posse pessoal impressionante — "Minha oferenda, meu pão" — atribuindo o sacrifício coletivo diário diretamente a D'us, mas a mishná lê nele também a contrapartida: se é oferenda "de" Israel, coletivamente, então em algum sentido ela pertence a cada israelita individualmente, como sua própria oferenda pessoal. É dessa leitura que nasce a pergunta retórica da mishná — como pode a oferenda de alguém ser trazida sem que ele esteja presente? — e a resposta engenhosa dos primeiros profetas: criar uma estrutura de representação rotativa que garante que, a cada momento do ano, algum grupo de israelitas, ainda que fisicamente em suas cidades distantes, esteja espiritualmente "presente junto" à oferenda oferecida em Jerusalém, através da oração e da leitura da Criação — o relato bíblico da origem de tudo que também fundamenta, simbolicamente, a existência contínua do mundo sustentada por esse mesmo sacrifício diário.
Rambam esclarece o sentido amplo do termo maamad; Bartenura explica por que a pergunta retórica da mishná justifica precisamente a instituição descrita.
"Estes são os turnos leigos, como está dito: ordena aos filhos de Israel, etc." — já se explicou a partir desta linguagem que a palavra maamad abrange tanto os turnos dos sacerdotes quanto os turnos dos levitas e o turno dos israelitas — e isso está claro nesta nossa mishná, que descreve as três categorias reunidas sob o mesmo sistema de rotação.
"Estes são os turnos leigos" — a mishná está respondendo a uma pergunta implícita de razão: por que motivo instituíram os turnos leigos? Porque está dito "ordena aos filhos de Israel, etc." — a citação bíblica funciona como a justificativa teológica completa para toda a instituição descrita na sequência da mishná.
Rashi detalha a função litúrgica dos que ficavam em suas cidades e identifica Shmuel e David como os "primeiros profetas" que instituíram os vinte e quatro turnos.
"Estes são os turnos leigos" — os que jejuavam rezavam em suas cidades para que a oferenda de seus irmãos fosse aceita com boa vontade, como se explica adiante. "Primeiros profetas" — Shmuel e David; a Guemará explica esse ponto em detalhe. "Para cada turno" — havia vinte e quatro turnos de sacerdotes, instituídos por Shmuel e David, e para cada turno havia um turno leigo em Jerusalém, composto de pessoas fixas que permaneciam na cidade acompanhando a oferenda de seus irmãos; e, além desses residentes em Jerusalém, havia turnos leigos em cada cidade, pois Israel se dividiu em vinte e quatro turnos correspondentes aos vinte e quatro turnos sacerdotais. "Sacerdotes e levitas" — do turno subiam a Jerusalém: os sacerdotes para o serviço do Templo, os levitas para o canto litúrgico. "E os demais se reuniam em suas cidades" — e rezavam pela oferenda de seus irmãos, para que fosse aceita com boa vontade, e jejuavam, e retiravam o rolo da Torá no dia de seu jejum — o gesto físico de trazer o Sefer Torá tornava tangível, mesmo à distância de Jerusalém, a participação de cada cidade no serviço central do Templo.