Estavam jejuando, e caiu-lhes chuva antes do nascer do sol — não completam o jejum. Depois do nascer do sol — completam. Rabi Eliezer diz: antes do meio-dia não completam; depois do meio-dia, completam. — Se a comunidade já havia iniciado um jejum decretado por falta de chuva, e a chuva finalmente cai ainda antes do amanhecer daquele mesmo dia, o jejum é considerado desnecessário desde o início e não precisa ser completado; se a chuva só vem depois que o sol já nasceu, o jejum daquele dia, já iniciado com plena obrigação, deve ser completado até o fim, mesmo que a resposta tenha chegado. Rabi Eliezer amplia a margem de dispensa: para ele, o critério não é o nascer do sol, mas o meio-dia — chuva a qualquer momento da manhã ainda dispensa o jejum, e só a partir do meio-dia ele passa a ser obrigatório de completar.
Aconteceu que decretaram jejum em Lod, e caiu-lhes chuva antes do meio-dia. Disse-lhes Rabi Tarfon: saí, comei, bebei e fazei dia festivo. E saíram, e comeram, e beberam, e fizeram dia festivo, e à tarde vieram e recitaram o Hallel Grande. — O episódio ilustra na prática a posição de Rabi Eliezer: quando a chuva chegou em Lod ainda pela manhã, antes do meio-dia, Rabi Tarfon — seguindo esse critério mais generoso — não apenas dispensou o jejum, mas instruiu a comunidade a celebrar ativamente, como se fosse um dia festivo, com comida e bebida; e à tarde, reunidos novamente, encerraram o dia recitando o Hallel Grande, a série de salmos de louvor reservada às ocasiões de gratidão mais solene.
Este salmo, que abre e encerra com o refrão "porque para sempre é Sua benevolência", é identificado pela tradição como o "Hallel Grande" recitado pela comunidade de Lod ao final do episódio — um salmo estruturado como uma longa enumeração de atos de bondade divina, da criação do mundo à provisão diária de pão para toda criatura. A escolha deste salmo específico, e não do Hallel comum recitado nas festas, sinaliza algo sobre a natureza da gratidão exigida pela ocasião: não apenas alegria pela chuva recebida, mas reconhecimento explícito de que o sustento básico — "pão a toda carne" — depende inteiramente da benevolência contínua de D'us, tema que ecoa precisamente a súplica por chuva que motivou o jejum original. Rabi Tarfon, ao transformar o fim do jejum em celebração com este salmo, ensina que a resposta adequada a uma oração atendida não é apenas o alívio, mas a gratidão formal e pública.
Rambam identifica o texto exato do Hallel Grande e explica por que ele exige estômago saciado, decidindo a halachá como Rabi Eliezer; Bartenura confirma essa decisão de forma sucinta.
"Estavam jejuando, e caiu-lhes chuva antes do nascer do sol, etc." — o Hallel Grande é o salmo que vai de "Agradecei ao Eterno, porque Ele é bom" até "Cântico das Subidas" [Tehilim 136]. E o que os obrigou a não recitar o Hallel Grande antes de terem comido e bebido é que o princípio entre nós é que não se recita o Hallel Grande senão com a alma saciada e o estômago cheio. E a halachá segue Rabi Eliezer.
"Rabi Eliezer diz: antes do meio-dia não completam" — e a halachá segue Rabi Eliezer, cujo critério do meio-dia, mais generoso que o do primeiro tanna, é o que orienta o episódio de Lod narrado na sequência da mishná.
Rashi explica o fundamento técnico de cada critério temporal e a razão pela qual o Hallel Grande é associado à provisão de pão a toda criatura.
"Antes do nascer do sol não completam" — porque a obrigação do jejum ainda não havia recaído sobre eles quando a chuva desceu, já que o jejum daquele dia só se estabelece plenamente ao amanhecer. "Antes do meio-dia" — porque o meio-dia é o horário normal da refeição, e a partir do meio-dia em diante já recai sobre eles a obrigação do jejum, uma vez que não fizeram a refeição na hora costumeira — Rabi Eliezer estende assim a janela de dispensa até esse ponto, mais tarde que o simples nascer do sol. "E fizeram dia festivo" — por causa da alegria da chuva recebida. "Hallel Grande" — "Agradecei ao D'us dos deuses, porque para sempre é Sua benevolência" [Tehilim 136], e o motivo de ser este o salmo escolhido, e não outro, é que nele se diz "que dá pão a toda carne" — como se explica ao final de Pessachim — associando diretamente o louvor pela chuva recebida à provisão universal do sustento, o tema central que percorre todo este salmo de dezenas de versos.
Aqui se completa o Perek Guimel — nove mishnayot que estenderam o sistema de jejuns comunitários da falta de chuva a um leque muito mais amplo de calamidades: a vegetação alterada e a pausa de quarenta dias que dispensam a escala gradual (3:1); a chuva insuficiente para as reservas subterrâneas de água (3:2); a cidade privada de chuva enquanto as vizinhas recebem, lida à luz do verso de Amós (3:3); a peste e o desmoronamento, com o critério numérico de três mortes em três dias (3:4); as seis calamidades itinerantes que justificam clamor em qualquer lugar — praga, mofo, gafanhoto, lagarta, fera e espada (3:5); o episódio histórico do mofo em Ashkelon e dos lobos na Transjordânia (3:6); o clamor excepcionalmente permitido em Shabat para cidade cercada, rio e navio em perigo (3:7); a regra geral de clamor sobre toda calamidade, exceto o excesso de chuva, culminando na extraordinária história de Choni HaMe'agel e seu círculo (3:8); e, por fim, os critérios temporais que dispensam ou exigem completar um jejum interrompido pela chuva, e o episódio de Lod encerrado com o Hallel Grande (3:9). O tratado prossegue no Perek Dalet, o último de Massechet Taanit, que trata dos turnos sacerdotais, dos jejuns fixos em memória da destruição do Templo e das alegrias de Tu BeAv e Yom Kipur.