Aconteceu que anciãos desceram de Jerusalém para suas cidades, e decretaram jejum porque foi visto, do tamanho da boca de um forno, mofo em Ashkelon. — Sábios que residiam em Jerusalém, ao descerem para visitar suas cidades natais espalhadas por Eretz Yisrael, decretaram um jejum em toda a terra ao saberem que havia sido avistada em Ashkelon uma quantidade de mofo na plantação equivalente apenas à abertura da boca de um forno — uma quantidade minúscula, que ainda assim, por se tratar de calamidade que se espalha, foi suficiente para justificar o decreto geral, conforme o princípio estabelecido na mishná anterior.
E ainda decretaram jejum porque lobos comeram duas crianças na Transjordânia. Rabi Yosei diz: não porque comeram, mas porque foram vistos. — Um segundo decreto de jejum, na mesma ocasião, respondeu ao ataque fatal de lobos contra duas crianças do outro lado do Jordão. Rabi Yosei refina o critério: não foi o fato de terem efetivamente devorado as crianças que justificou o jejum — pois isso já seria uma calamidade consumada e localizada — mas o simples fato de lobos perigosos terem sido avistados em área habitada, o que, como a mishná anterior já ensinou, já basta por si só para acionar o clamor preventivo.
A tochachá de Vayikrá descreve a "fera do campo" enviada por D'us como castigo que "desfilha" o povo — a mesma imagem de crianças arrebatadas por animais perigosos que o episódio dos lobos na Transjordânia concretiza historicamente. O verbo hebraico usado no verso, shilachti ("enviarei"), ecoa a linguagem da mishná anterior sobre a fera "enviada" contra a população — critério que Rambam já havia definido como o momento em que a fera persegue pessoas, tornando-se assim uma ameaça reconhecível e não um evento isolado. O episódio desta mishná mostra os anciãos aplicando esse mesmo princípio bíblico com extrema sensibilidade: mesmo a mera visão de lobos, sem que o pior ainda tivesse ocorrido, já bastava, segundo Rabi Yosei, para identificar o início do padrão que o verso descreve e agir preventivamente através do jejum comunitário.
Bartenura localiza geograficamente o episódio, identificando "suas cidades" como as cidades de Eretz Yisrael para onde os anciãos desceram.
"Para suas cidades" — refere-se às cidades de Eretz Yisrael, para onde os anciãos que residiam em Jerusalém desceram, e onde, ao saberem do mofo em Ashkelon e dos lobos na Transjordânia, decretaram os jejuns descritos nesta mishná, aplicando na prática a autoridade da liderança de Jerusalém sobre toda a terra.
Rashi explica os detalhes geográficos e o motivo pelo qual a mera visão dos lobos já basta, remetendo à natureza itinerante da calamidade.
"Boca de um forno" — a quantidade exata é explicada na Guemará. "Para suas cidades" — em Eretz Yisrael. "Em Ashkelon" — na terra dos filisteus, cidade situada fora dos limites tradicionais da santidade da terra, o que torna ainda mais notável que o jejum tenha sido decretado em toda Eretz Yisrael por causa de um evento localizado ali. "Porque lobos comeram" — pois o lobo é uma fera perigosa e uma calamidade que se espalha, retomando o princípio da mishná anterior. "Foram vistos" — e entraram na cidade — para Rabi Yosei, é esse simples fato de invasão do espaço habitado, e não o desfecho trágico, que já classifica o evento como a calamidade itinerante que justifica o clamor.