Sobre estas clamam em todo lugar: sobre a praga, sobre o mofo, sobre o gafanhoto, sobre a lagarta, sobre a fera perigosa e sobre a espada — clamam sobre isso, porque é uma calamidade que se espalha. — Diferentemente das calamidades tratadas nas mishnayot anteriores, que exigem que a própria cidade ou região tenha sido atingida, estas seis — doenças de plantação por praga e mofo, pragas de insetos como o gafanhoto e a lagarta, animais selvagens perigosos que invadiram um povoado, e exércitos invasores — justificam clamor em qualquer lugar do mundo assim que avistadas em algum ponto, mesmo distante, precisamente porque sua característica definidora é a capacidade de se deslocar e se espalhar rapidamente, ameaçando lugares que ainda não foram atingidos.
O verso da tochachá reúne numa mesma sequência praticamente todas as calamidades desta mishná — a espada, a praga (shidafon) e o mofo (yerakon) — descritas como flagelos que "perseguem" o povo até destruí-lo, uma imagem verbal de movimento e perseguição incessante. É precisamente essa qualidade de perseguição, de calamidade que não fica parada num só lugar, que a mishná identifica como o traço comum entre a praga agrícola, o gafanhoto, a fera perigosa e o exército invasor: todas "caminham" — segundo a expressão da própria mishná, maká mehalechet — e por isso o clamor comunitário não se restringe ao local já atingido, mas se estende a qualquer lugar onde a ameaça tenha sido avistada, como resposta preventiva ao mesmo padrão bíblico de calamidade que se propaga.
Rambam esclarece a condição para que a fera perigosa seja tratada como calamidade que exige clamor; Bartenura confirma que o alcance geográfico do clamor não tem limite de distância.
"Sobre estas clamam em todo lugar: sobre a praga, etc." — "fera perigosa" refere-se a quando feras perigosas são vistas em área habitada, com a condição de que sejam vistas durante o dia; e do mesmo modo, se as feras perseguiram duas pessoas, isso já é considerado uma fera "enviada" contra a população, e clama-se sobre elas.
"Em todo lugar" — mesmo nas cidades muito distantes daquela onde a calamidade foi avistada, como o próprio final da mishná explica a razão: porque é uma calamidade que se espalha, e por isso nenhuma distância geográfica é grande demais para justificar o clamor preventivo.
Rashi identifica cada um dos seis termos da mishná com precisão técnica, do dano agrícola à ameaça militar.
"Clamam em todo lugar" — se foi avistada calamidade em Espanha, clamam na Babilônia; se foi avistada na Babilônia, clamam em Espanha — como o próprio final da mishná explica: porque é uma calamidade que se espalha; se está presente num único lugar, todos os que ouvirem falar dela clamam, para que ela não venha sobre eles. "Shidafon" — dano nas plantações de cereal. "Yerakon" — uma doença da planta que a deixa amarelada. "Fera perigosa" — a que destrói vidas humanas. "Espada" — tropas que avançam para matar e destruir em qualquer lugar por onde passam. Rashi situa assim os seis termos numa escala que vai do dano vegetal silencioso à violência humana explícita, todos unidos pela mesma qualidade de mobilidade que justifica o clamor à distância.