Como é a ordem dos jejuns? — A mishná passa a descrever o ritual das sete taanyot finais, as mais severas de toda a escala apresentada no Perek Alef.
Retiram a arca para a praça da cidade, e colocam cinzas de queimado sobre a arca, e na cabeça do Nasi, e na cabeça do av beit din, e cada um coloca sobre sua própria cabeça. — A arca, normalmente guardada com recato dentro da sinagoga, é levada abertamente à praça pública como sinal de humilhação coletiva; cinzas de material efetivamente queimado — não mera terra — são postas sobre ela e sobre a cabeça de cada autoridade, do Nasi ao av beit din, e depois cada pessoa da comunidade faz o mesmo a si própria.
O mais velho entre eles diz diante deles palavras de repreensão: "Nossos irmãos, não está dito a respeito dos homens de Nínive: 'E D'us viu o saco deles e o jejum deles', mas sim: 'E D'us viu as obras deles, que se voltaram de seu mau caminho'" (Yoná 3:10). E na tradição profética está dito: "E rasgai vosso coração e não vossas vestes" (Yoel 2:13). — O ancião da comunidade não se limita a liderar o ritual externo; ele extrai da própria narrativa de Nínive o ensinamento central de todo este perek: o que salvou aquela cidade não foi o saco nem o jejum em si, mas a mudança concreta de conduta que D'us viu — e o profeta Yoel reforça a mesma ideia, exigindo que o coração, e não apenas a roupa, seja rasgado em arrependimento.
A mishná escolhe deliberadamente citar não o versículo que menciona o saco e o jejum dos ninivitas, mas o que vem logo depois — aquele que atribui a salvação da cidade às suas obras. O texto de Yoná, lido isoladamente, poderia sugerir que o próprio ato do jejum e do luto externo é o que desperta a misericórdia divina; a mishná corrige essa leitura ao citar precisamente o versículo em que a Escritura credita a resposta divina à mudança concreta de comportamento, "que se voltaram de seu mau caminho". O verso de Yoel, citado como reforço da tradição profética, consolida o mesmo ensinamento: rasgar o coração, e não apenas as vestes, é a exigência real por trás de todo o ritual externo de cinzas e súplicas que o restante deste capítulo passa a descrever.
Rambam situa este ritual apenas nas sete taanyot finais, e Bartenura explica o simbolismo de cada elemento — a arca exposta, as cinzas de fato queimadas, e a autoexposição das autoridades.
Esta ordem — isto é, retirar a arca para as praças da cidade e colocar cinzas de queimado sobre ela, e assim por diante — não se aplica senão às sete taanyot finais, as mais severas de toda a escala descrita no perek anterior.
"A arca" — o receptáculo onde o rolo da Torá é depositado, isto é: tínhamos um utensílio recatado, e por nossos pecados ele é exposto publicamente. Por que à praça da cidade? Para dizer: clamamos em recato dentro da sinagoga e não fomos respondidos, então nos humilhamos publicamente na praça da cidade. "Cinzas de queimado" — cinzas de fato provenientes de combustão, pois aqui é necessário que sejam cinzas propriamente ditas, para que o Santo, bendito seja, se lembre da Akedá de Yitzchak e tenha misericórdia. "Na cabeça do Nasi etc." — eles próprios não colocam as cinzas em si mesmos, para que sua vergonha seja ainda maior, pois não é o mesmo envergonhar-se por si próprio e ser envergonhado por outros.
Rashi, na Guemará, localiza o rito na praça pública e explica por que as cinzas exigidas são especificamente cinzas de queimado, e não mera terra.
"Na praça da cidade" — expostos publicamente, tal como se ensina em Massechet Meguilá a respeito dos "habitantes da cidade que venderam a praça de sua cidade", passagem onde se explica claramente que essa praça é o lugar onde o povo se reúne para orar em jejuns e em maamadot — Rashi liga assim a praça deste ritual à praça pública central usada regularmente para as reuniões de oração da comunidade. "Cinzas de queimado" — cinzas efetivamente provenientes de combustão, e não simplesmente terra, pois "cinza" sem qualificação, no uso corrente, pode designar mera terra; a mishná precisa, ao dizer "cinza de queimado", que aqui é necessária cinza real, ligada à memória da Akedá.