Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Dalet · Mishná 5 de 10

Como se cumpre o preceito da aravá

מִצְוַת עֲרָבָה כֵּיצַד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Assim como a mishná anterior descreveu o procedimento do lulav no Templo, esta descreve, com igual riqueza de detalhes, a cerimônia diária da aravá — desde a colheita dos ramos até as fórmulas cantadas na despedida do altar ao fim da festa.

Como se cumpre o preceito da aravá? Havia um lugar abaixo de Jerusalém, chamado Motzá. Desciam até lá e colhiam de lá ramos de salgueiro, e vinham e os erguiam junto ao altar, com as pontas inclinadas sobre o altar.Cada dia da festa, buscava-se em Motzá os ramos longos de aravá, que eram então dispostos verticalmente junto às laterais do altar, com as pontas curvadas sobre ele.

Tocavam tekiá, teruá e tekiá. A cada dia, circundavam o altar uma vez, e diziam: "Aná Hashem, hoshiá ná; aná Hashem, hatzlichá ná". Rabi Yehudá diz: "Ani vaHo, hoshiá ná". E nesse dia circundavam o altar sete vezes.Ao som do shofar, os que carregavam os ramos circundavam o altar uma vez em cada um dos primeiros seis dias, recitando os versículos de súplica de Tehilim 118; no sétimo dia — Hoshaná Rabá — davam sete voltas. Rabi Yehudá relata uma fórmula ligeiramente distinta, "Ani vaHo".

Na hora de sua partida, o que diziam? "Beleza para ti, altar; beleza para ti, altar." Rabi Eliezer diz: "Para D-us e para ti, altar; para D-us e para ti, altar".Ao final da cerimônia de cada dia, despediam-se do altar com essas exclamações de louvor, cuja formulação exata também era objeto de disputa entre os Sábios.

מִצְוַת עֲרָבָה כֵּיצַד, מָקוֹם הָיָה לְמַטָּה מִירוּשָׁלַיִם, וְנִקְרָא מוֹצָא. יוֹרְדִין לְשָׁם וּמְלַקְּטִין מִשָּׁם מֻרְבִּיּוֹת שֶׁל עֲרָבָה, וּבָאִין וְזוֹקְפִין אוֹתָן בְּצִדֵּי הַמִּזְבֵּחַ, וְרָאשֵׁיהֶן כְּפוּפִין עַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ. תָּקְעוּ וְהֵרִיעוּ וְתָקָעוּ. בְּכָל יוֹם מַקִּיפִין אֶת הַמִּזְבֵּחַ פַּעַם אַחַת, וְאוֹמְרִים, אָנָּא ה' הוֹשִׁיעָה נָּא, אָנָּא ה' הַצְלִיחָה נָּא. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אֲנִי וָהוֹ הוֹשִׁיעָה נָּא. וְאוֹתוֹ הַיּוֹם מַקִּיפִין אֶת הַמִּזְבֵּחַ שֶׁבַע פְּעָמִים. בִּשְׁעַת פְּטִירָתָן, מָה הֵן אוֹמְרִים, יֹפִי לְךָ מִזְבֵּחַ, יֹפִי לְךָ מִזְבֵּחַ. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, לְיָהּ וּלְךָ, מִזְבֵּחַ. לְיָהּ וּלְךָ, מִזְבֵּחַ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וְעַרְבֵי נָחַל.
E salgueiros do riacho.

Como já explicado na mishná 4:3, a base desta cerimônia é a halachá recebida por Moshé no Sinai, ligada ao mesmo termo "ערבי נחל" que nomeia a espécie das quatro plantas. A Guemará (Sucá 45a) discute os detalhes precisos do local de Motzá e da forma correta de circundar o altar; esta mishná reúne a descrição completa e viva de como a cerimônia se desenrolava, desde a colheita dos ramos até as palavras finais de despedida ao encerrar-se cada dia junto ao altar.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica a origem do nome "Motzá", o tamanho dos ramos usados, e o sentido da expressão "Ani vaHo" de Rabi Yehudá.

Bartenura · Sucá 4:5
נִקְרָא מוֹצָא. בַּגְּמָרָא אוֹמֵר שֶׁשְּׁמוֹ קַלְנֵיָא, וְעוֹד הַיּוֹם כָּךְ שְׁמוֹ, וְהָעֲרָבָה מְצוּיָה שָׁם, וְהַמָּקוֹם רָחוֹק מִירוּשָׁלַיִם מְעַט. וּפֵרוּשׁ קַלְנֵיָא חָפְשִׁי מִמַּס, וּלְפִיכָךְ נִקְרָא מוֹצָא, שֶׁהָיָה מוּצָא מִמַּס הַמֶּלֶךְ בִּשְׁבִיל הָעֲרָבָה שֶׁלּוֹקְחִים מִשָּׁם. מֻרְבִּיּוֹת. עֲנָפִים גְּדוֹלִים גְּבוֹהִים אַחַת עֶשְׂרֵה אַמָּה, וּמַנִּיחִים אוֹתָם עַל יְסוֹד הַמִּזְבֵּחַ, וְרָאשֵׁיהֶן זְקוּפִים וּמוּטִין עַל הַמִּזְבֵּחַ אַמָּה. אֲנִי וָהוֹ. בְּגִימַטְרִיָּא אָנָּא ה'.

"Chamado Motzá" — na Guemará se diz que seu nome era Kalneia, e ainda hoje é assim chamado, e ali se encontra a aravá, e o lugar fica um pouco distante de Jerusalém. E "Kalneia" significa livre de imposto — por isso chamado Motzá, pois estava isento do imposto do rei, por causa da aravá que dali se tomava. "Murbiyot" — ramos grandes, com altura de onze côvados, que eram colocados sobre a base do altar, com as pontas erguidas e inclinadas sobre o altar por um côvado. "Ani vaHo" — em guematria, equivale a "Aná Hashem".

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

O Rambam discute os significados possíveis da expressão "Ani vaHo" segundo os comentaristas talmúdicos e os Gueonim; Rashi, na Guemará, esclarece detalhes sobre a colheita e o resultado desejado da aravá seca.

Rambam · רַמְבַּ״ם
Perush HaMishná, Sucá 4:5
אֲנִי מִשְּׁמוֹת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ, וְכֵן "הוֹ". כָּךְ אָמְרוּ הַמְּפָרְשִׁים לַגְּמָרָא. וַאֲנִי אוֹמֵר שֶׁהוּא קוֹרֵא וְרוֹמֵז לְמַה שֶּׁאָמַר "רְאוּ עַתָּה כִּי אֲנִי אֲנִי הוּא", שֶׁזֶּה הַפָּסוּק בָּא בִּשְׁמִירַת יִשְׂרָאֵל וִישׁוּעָתָם.

"Ani" é um dos nomes do Nome Bendito, e assim também "Ho" — assim disseram os comentaristas da Guemará. E eu digo que ele recita e alude ao que se disse: "Vede agora que Eu, Eu sou Ele" (Devarim 32:39) — versículo que trata da proteção e salvação de Israel.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 45a
וְכִי לְיַבְּשָׁן הוּא צָרִיךְ — וַהֲרֵי הַיָּבֵשׁ פָּסוּל.

"E, acaso, precisa secá-los?" — pergunta a Guemará; ora, o ramo seco é inválido para o preceito, daí a preocupação em como os ramos de aravá, mantidos junto ao altar por vários dias, permaneciam aptos.