Como se cumpre o preceito da aravá? Havia um lugar abaixo de Jerusalém, chamado Motzá. Desciam até lá e colhiam de lá ramos de salgueiro, e vinham e os erguiam junto ao altar, com as pontas inclinadas sobre o altar. — Cada dia da festa, buscava-se em Motzá os ramos longos de aravá, que eram então dispostos verticalmente junto às laterais do altar, com as pontas curvadas sobre ele.
Tocavam tekiá, teruá e tekiá. A cada dia, circundavam o altar uma vez, e diziam: "Aná Hashem, hoshiá ná; aná Hashem, hatzlichá ná". Rabi Yehudá diz: "Ani vaHo, hoshiá ná". E nesse dia circundavam o altar sete vezes. — Ao som do shofar, os que carregavam os ramos circundavam o altar uma vez em cada um dos primeiros seis dias, recitando os versículos de súplica de Tehilim 118; no sétimo dia — Hoshaná Rabá — davam sete voltas. Rabi Yehudá relata uma fórmula ligeiramente distinta, "Ani vaHo".
Na hora de sua partida, o que diziam? "Beleza para ti, altar; beleza para ti, altar." Rabi Eliezer diz: "Para D-us e para ti, altar; para D-us e para ti, altar". — Ao final da cerimônia de cada dia, despediam-se do altar com essas exclamações de louvor, cuja formulação exata também era objeto de disputa entre os Sábios.
Como já explicado na mishná 4:3, a base desta cerimônia é a halachá recebida por Moshé no Sinai, ligada ao mesmo termo "ערבי נחל" que nomeia a espécie das quatro plantas. A Guemará (Sucá 45a) discute os detalhes precisos do local de Motzá e da forma correta de circundar o altar; esta mishná reúne a descrição completa e viva de como a cerimônia se desenrolava, desde a colheita dos ramos até as palavras finais de despedida ao encerrar-se cada dia junto ao altar.
Bartenura explica a origem do nome "Motzá", o tamanho dos ramos usados, e o sentido da expressão "Ani vaHo" de Rabi Yehudá.
"Chamado Motzá" — na Guemará se diz que seu nome era Kalneia, e ainda hoje é assim chamado, e ali se encontra a aravá, e o lugar fica um pouco distante de Jerusalém. E "Kalneia" significa livre de imposto — por isso chamado Motzá, pois estava isento do imposto do rei, por causa da aravá que dali se tomava. "Murbiyot" — ramos grandes, com altura de onze côvados, que eram colocados sobre a base do altar, com as pontas erguidas e inclinadas sobre o altar por um côvado. "Ani vaHo" — em guematria, equivale a "Aná Hashem".
O Rambam discute os significados possíveis da expressão "Ani vaHo" segundo os comentaristas talmúdicos e os Gueonim; Rashi, na Guemará, esclarece detalhes sobre a colheita e o resultado desejado da aravá seca.
"Ani" é um dos nomes do Nome Bendito, e assim também "Ho" — assim disseram os comentaristas da Guemará. E eu digo que ele recita e alude ao que se disse: "Vede agora que Eu, Eu sou Ele" (Devarim 32:39) — versículo que trata da proteção e salvação de Israel.
"E, acaso, precisa secá-los?" — pergunta a Guemará; ora, o ramo seco é inválido para o preceito, daí a preocupação em como os ramos de aravá, mantidos junto ao altar por vários dias, permaneciam aptos.