Se surgiram manchas na maior parte dele, se seu pitom foi removido, se foi descascado, rachado, perfurado e lhe falta qualquer quantidade, é inválido. — Se manchas do tipo chazazit (pequenas bolhas ou crostas) cobrirem a maior parte da casca do etrog, ou se o pitom (a pequena protuberância no topo do fruto) foi removido, ou se ele foi descascado, rachado, perfurado, ou lhe falta qualquer porção de sua substância, o etrog é inválido — por lhe faltar, em cada um desses casos, a integridade e a beleza exigidas.
Se surgiram manchas em menor parte dele, se seu cabinho foi removido, se foi perfurado sem lhe faltar nada, é válido. — Já se as manchas cobrem apenas uma parte menor do fruto, ou se apenas o pequeno caule que o prende ao ramo (ukatz) foi removido, ou se foi perfurado por um objeto fino sem que se tenha perdido nenhuma substância, o etrog permanece válido, pois esses defeitos são considerados menores.
O etrog cushi é inválido. E o verde como alho-porró — Rabi Meir valida, e Rabi Yehudá invalida. — Um etrog inteiramente escuro, semelhante à cor característica de um cushi (habitante da terra de Cush), é inválido, por não ter a cor esperada do fruto. Já sobre o etrog de coloração verde, como a de um alho-porró, há divergência: Rabi Meir o considera válido, enquanto Rabi Yehudá o invalida, entendendo que essa coloração também foge do padrão exigido.
Toda a lista de defeitos desta mishná decorre, mais uma vez, da palavra "הָדָר" — beleza — que a Torá exige do fruto tomado no primeiro dia da festa. A Guemará (Sucá 35a) chega a propor uma leitura alternativa, "הָדִיר", relacionando a palavra a um sentido de "morada" ou "permanência de espécie" — mas a leitura consagrada continua sendo a de "beleza", que sustenta cada uma das invalidações físicas listadas aqui: manchas, descascamento, rachaduras e perfurações rompem visivelmente essa beleza exigida.
O Rambam detalha a medida da perfuração que invalida (o tamanho de um issar) e as condições da mancha em menor parte; Bartenura precisa a diferença entre "descascado" (que ainda tem a beleza) e "faltando" (que a Torá exclui).
Seu "pitom" é a protuberância que sai do ápice do etrog. Se a perfuração for passante, mesmo mínima, é inválido; e se não for passante, só é inválido quando atingir o tamanho de um issar (moeda pequena). E disseram que "lhe falta qualquer quantidade é inválido" refere-se apenas ao primeiro dia da festa, mas não aos demais dias.
"Foi descascado, é inválido" — especificamente quando foi descascado por completo; mas se foi descascado apenas em parte, é válido. E esse "descascado" não significa que se removeu a casca até aparecer o branco interior — pois isso seria "faltando" e, portanto, inválido — mas sim que se removeu dele uma camada fina, permanecendo sua aparência verde como no início.
Bartenura explica o termo "etrog cushi" e confirma que a lei segue Rabi Yehudá; Rashi, na Guemará, define os termos técnicos "chazazit", "pitom" e "ukatz".
"O etrog cushi" — que cresceu aqui e é escuro, é inválido; mas o etrog escuro que cresceu na terra de Cush, essa é sua cor natural, e é válido. "E Rabi Yehudá invalida" — e a lei segue Rabi Yehudá.
"Manchas (chazazit)" — como uma espécie de pequenas bolhas. "Seu pitom foi removido" — o topo do etrog, semelhante ao pitom da romã. "Seu ukatz foi removido" — seu caudinho. "Cushi" — o que vem da terra de Cush e é escuro. "Kerati" — alho-porró.