Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 5 de 15

O etrog roubado ou seco é inválido

אֶתְרוֹג הַגָּזוּל וְהַיָּבֵשׁ, פָּסוּל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A quarta espécie, o etrog, recebe as mesmas invalidações básicas das anteriores, acrescidas de casos próprios de seu vínculo com as leis de santidade agrícola — orlá, teruma e maasser sheni — que tratam da questão de a quem, de fato, o fruto pertence.

O etrog roubado ou seco é inválido. O de árvore idólatra ou de cidade destruída é inválido.Também o etrog, obtido por roubo ou completamente seco, é inválido pelas mesmas razões já explicadas; e o mesmo vale para o etrog de árvore idólatra ou de cidade destruída.

O de orlá é inválido. O de teruma impura é inválido.O etrog proveniente de orlá (fruto dos três primeiros anos da árvore, proibido para consumo) é inválido, pois um fruto proibido para consumo não pode servir à mitzvá; e o mesmo vale para o etrog de teruma que se tornou impura, também proibido para consumo.

O de teruma pura, não deve tomá-lo — mas se tomou, é válido.Já o etrog de teruma pura, embora seja permitido para consumo (por um sacerdote), não deve ser usado de início para a mitzvá, por receio de que se estrague no manuseio; mas, se ainda assim foi usado, o cumprimento do preceito é válido, pois de fato havia permissão de consumo.

O de demai — Beit Shamai invalidam, e Beit Hilel validam.Sobre o etrog de demai (produto agrícola de origem duvidosa quanto ao dízimo), há divergência: a escola de Beit Shamai o invalida, enquanto a escola de Beit Hilel o valida, por entender que o demai é permitido aos pobres.

O de maasser sheni em Jerusalém, não deve tomá-lo — mas se tomou, é válido.Por fim, o etrog que é maasser sheni (segundo dízimo, que deve ser consumido em Jerusalém) não deve ser usado de início para a mitzvá em Jerusalém, mas, se foi usado, o preceito é cumprido, pois ali seu consumo é permitido.

אֶתְרוֹג הַגָּזוּל וְהַיָּבֵשׁ, פָּסוּל. שֶׁל אֲשֵׁרָה וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת, פָּסוּל. שֶׁל עָרְלָה, פָּסוּל. שֶׁל תְּרוּמָה טְמֵאָה, פָּסוּל. שֶׁל תְּרוּמָה טְהוֹרָה, לֹא יִטֹּל, וְאִם נָטַל, כָּשֵׁר. שֶׁל דְּמַאי, בֵּית שַׁמַּאי פּוֹסְלִין, וּבֵית הִלֵּל מַכְשִׁירִין. שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּירוּשָׁלַיִם, לֹא יִטֹּל, וְאִם נָטַל, כָּשֵׁר:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן פְּרִי עֵץ הָדָר.
E tomareis para vós, no primeiro dia, fruto de árvore formosa.

Todas as invalidações desta mishná decorrem da mesma raiz textual usada para o lulav: "וּלְקַחְתֶּם לָכֶם" — "e tomareis para vós", isto é, algo que seja plenamente vosso, no sentido de estar disponível para vosso uso e consumo. Um etrog de orlá ou de teruma impura não é "vosso" nesse sentido, pois seu consumo é proibido por lei; já o de teruma pura ou de demai, sendo permitido ao menos em certas circunstâncias, mantém um grau de "pertencimento" suficiente para, ao menos post factum, validar o cumprimento do preceito.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica por que orlá e teruma impura são tratadas como impróprias para o preceito, e por que o demai é permitido segundo Beit Hilel; Bartenura conecta cada invalidação à exigência de "לָכֶם" (para vós).

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:5
עָרְלָה וּתְרוּמָה טְמֵאָה הֵם מִכְּלַל הַדְּבָרִים הַטְּעוּנִין שְׂרֵפָה, וּלְפִיכָךְ הוּא פָּסוּל לְמַאֲמַר הַשֵּׁם יִתְעַלֶּה פְּרִי, דְּאִלּוּ אֵינָן רְאוּיִן לַאֲכִילָה בְּשׁוּם פָּנִים. וּמַה שֶּׁיִּחֲדוּ אֶתְרוֹג שֶׁל דְּמַאי לְפִי שֶׁהַדְּמַאי אוֹכְלִין אוֹתוֹ הָעֲנִיִּים.

A orlá e a teruma impura estão entre as coisas que exigem queima, e por isso o etrog delas é inválido em relação ao que a Torá chama de "fruto" — pois esses frutos não são próprios para consumo de forma alguma. E quanto ao etrog de demai, foi tratado à parte porque o demai é comido pelos pobres.

Bartenura · Sucá 3:5
שֶׁל עָרְלָה וְשֶׁל תְּרוּמָה טְמֵאָה פָּסוּל. דְּאָמַר קְרָא וּלְקַחְתֶּם לָכֶם, שֶׁיִּהְיֶה רָאוּי לָכֶם. וְאִם נָטַל כָּשֵׁר. שֶׁהֲרֵי יֵשׁ בָּהּ הֶתֵּר אֲכִילָה. וּבֵית הִלֵּל מַכְשִׁירִין. דְּהָא חֲזִי לַעֲנִיִּים, כְּדִתְנַן מַאֲכִילִין אֶת הָעֲנִיִּים דְּמַאי.

"De orlá e de teruma impura é inválido" — pois a Torá diz "e tomareis para vós", isto é, que seja próprio para vós. "E se tomou é válido" — pois há nele permissão de consumo. "E Beit Hilel validam" — pois é próprio para os pobres, conforme se ensina: dá-se de comer demai aos pobres.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que o maasser sheni só é válido em Jerusalém; Rashi, na Guemará, situa brevemente cada uma das cláusulas, remetendo os motivos plenos à discussão talmúdica.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 3:5
בִּירוּשָׁלַיִם כוּ׳. אֲבָל חוּץ לִירוּשָׁלַיִם לֹא, דְּבָעִינַן לָכֶם, שֶׁיְּהֵא רָאוּי לָכֶם.

"Em Jerusalém etc." — mas fora de Jerusalém não, pois se exige "para vós", isto é, que seja próprio para vós; e fora de Jerusalém o maasser sheni não pode ser consumido, salvo por resgate.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 34b–35a
מַתְנִי׳ שֶׁל עָרְלָה וְשֶׁל תְּרוּמָה טְמֵאָה פָּסוּל — בַּגְּמָרָא מְפָרֵשׁ טַעְמָא. לֹא יִטֹּל — בַּגְּמָרָא מְפָרֵשׁ טַעְמָא. בִּירוּשָׁלַיִם — שֶׁהִיא כְּשֵׁרָה לַאֲכִילַת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. וְאִם נָטַל כָּשֵׁר — שֶׁהֲרֵי יֵשׁ בָּהּ הֶתֵּר אֲכִילָה, אֲבָל חוּץ לִירוּשָׁלַיִם לֹא, דְּלָכֶם כְּתִיב, הָרָאוּי לָכֶם.

"Mishná: de orlá e de teruma impura é inválido" — a Guemará explica o motivo. "Não deve tomá-lo" — a Guemará explica o motivo. "Em Jerusalém" — que é própria para o consumo do maasser sheni. "E se tomou é válido" — pois há nele permissão de consumo; mas fora de Jerusalém não, pois está escrito "para vós", o que é próprio para vós.