Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Alef · Mishná 8 de 11

Quem cobre sua sucá com espetos ou varais de cama

הַמְקָרֶה סֻכָּתוֹ בְשַׁפּוּדִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Espetos de metal e varais de cama são materiais inválidos para sechach — os primeiros por não crescerem da terra, os segundos por serem utensílios sujeitos a impureza; mas, alternados com sechach válido em quantidade suficiente, a sucá pode ainda ser válida.

Quem cobre sua sucá com espetos de metal ou com os varais compridos da cama, se há entre eles espaço igual à própria largura deles, é válida.Espetos de metal não servem como sechach por não crescerem da terra; os varais compridos de uma cama, por serem utensílios de madeira sujeitos a impureza, também não servem. Quando esses materiais inválidos são intercalados com sechach válido, a regra é que a sucá permanece válida desde que a parte coberta por material apto seja maior do que a parte ocupada pelo material inválido — o que se obtém quando o espaço entre cada espeto ou varal, preenchido com sechach válido, é pelo menos igual à largura do próprio espeto ou varal.

הַמְקָרֶה סֻכָּתוֹ בְשַׁפּוּדִין אוֹ בַאֲרֻכּוֹת הַמִּטָּה, אִם יֵשׁ רֶוַח בֵּינֵיהֶן כְּמוֹתָן, כְּשֵׁרָה:
Escavar uma cavidade dentro de um monte de gavelas de trigo já empilhado não constitui um ato de construção da sucá, pois o teto resultante já existia antes, formado sem qualquer intenção voltada à mitsvá.

Quem escava um monte de gavelas para fazer dele uma sucá, não é sucá.Se alguém cava um espaço vazio dentro de uma pilha de gavelas de trigo já empilhadas — de modo que o "teto" da cavidade resultante seja simplesmente a parte de cima da pilha, deixada intacta —, essa cobertura não é considerada um sechach válido, pois ela já estava ali, empilhada sem qualquer intenção de servir de cobertura para uma sucá. Falta o ato de "fazer" a cobertura com essa finalidade específica: o que existe é apenas a escavação do espaço interno, e não a construção de um teto.

הַחוֹטֵט בְּגָדִישׁ לַעֲשׂוֹת בּוֹ סֻכָּה, אֵינָהּ סֻכָּה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 16:13
חַג הַסֻּכֹּת תַּעֲשֶׂה לְךָ שִׁבְעַת יָמִים.
A festa das Sucot farás para ti, sete dias.

O caso do monte de gavelas é a aplicação mais direta do princípio "farás — e não a partir do que já estava feito": o teto formado pela pilha de trigo já existia antes de qualquer ato humano voltado à sucá, e escavar por baixo dele não é um ato de "fazer" a cobertura, mas apenas de esvaziar um espaço sob algo já pronto. A mishná seguinte, contudo, esclarece que, se o espaço interno já tinha ao menos um palmo de altura destinado a esse fim antes de a pilha ser completada por cima, a situação muda — pois ali a cobertura de fato foi colocada por cima de um espaço já reconhecido como sucá.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica o cálculo do "פרוץ כעומד" (a parte aberta em relação à fechada) que fundamenta a exigência de intercalar sechach válido em quantidade suficiente, e detalha a exceção em que a escavação do monte de gavelas ainda pode gerar uma sucá válida.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 1:8
אֵין רָאוּי לְסַכֵּךְ בַּשְּׁפוּדִים לְפִי שֶׁאֵינָן גִּדּוּלֵי קַרְקַע. וַאֲרֻכּוֹת הַמִּטָּה, כֵּלִים וּמְקַבְּלִין טֻמְאָה. וְאָמַר כְּמוֹתָן, רוֹצֶה בּוֹ כְּיוֹצֵא בָּהֶן בְּקֵרוּב וְלֹא בְּדִיּוּק, כִּי הָעִקָּר אֶצְלֵנוּ כִּי כְּשֶׁהַסֻּכָּה פָּרוּץ כְּעוֹמֵד שֶׁהִיא פְּסוּלָה.

Não convém cobrir com espetos, pois não são cultivo da terra. E os varais compridos da cama são utensílios e recebem impureza. E disse "igual a eles" — quer dizer, aproximadamente igual, e não com exatidão, pois o princípio para nós é que, quando a sucá tem a parte aberta igual à fechada, ela é inválida.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 1:8 (continuação)
וּמַה שֶּׁאָמַרְנוּ כִּי הַחוֹטֵט בְּגָדִישׁ אֵינָהּ סֻכָּה, מִן הָעִקָּר שֶׁזָּכַרְתִּי לְךָ, תַּעֲשֶׂה וְלֹא מִן הֶעָשׂוּי. וְאִם הָיָה בַּגָּדִישׁ חָלָל טֶפַח בְּמֶשֶׁךְ שִׁבְעָה וְנַעֲשָׂה לְשֵׁם סֻכָּה בַּתְּחִלָּה, וְהִשְׁלִים עָלָיו שִׁעוּר סֻכָּה אַחַר גְּדִישַׁת הָעֳמָרִים, הֲרֵי זוֹ כְּשֵׁרָה.

E o que dissemos, que quem escava um monte de gavelas não faz sucá, é do princípio que já mencionei: "farás", e não a partir do que já estava feito. Mas, se havia no monte um vão de um palmo de altura ao longo de sete (palmos), feito desde o início com essa finalidade de sucá, e depois disso se completou sobre ele a medida de uma sucá empilhando as gavelas por cima, ela é válida.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que o espaço entre os espetos precisa ser um pouco maior do que a largura deles, e detalha a exceção da cavidade pré-existente de um palmo dentro do monte de gavelas.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 1:8
אִם יֵשׁ רֶוַח בֵּינֵיהֶן כְּמוֹתָן. לָאו דַּוְקָא כְּמוֹתָן מַמָּשׁ וְלֹא יוֹתֵר, דְּהָא מְקוֹם שַׁפּוּד כְּפָרוּץ הוּא נֶחְשָׁב, וּכְשֶׁנּוֹתֵן סְכָךְ כָּשֵׁר בֵּין שַׁפּוּד לְשַׁפּוּד אִם אֵין בֵּינֵיהֶן אֶלָּא כְּמוֹתָן הָוֵי פָּרוּץ כְּעוֹמֵד וּפָסוּל. אֶלָּא עַל כָּרְחֲךָ הָרֶוַח שֶׁבֵּינֵיהֶן מַשֶּׁהוּ יוֹתֵר מִכְּמוֹתָן.

"Se há entre eles espaço igual a eles" — não exatamente igual e nem mais, pois o espaço ocupado pelo espeto é considerado como "aberto" (inválido); e quando se coloca sechach válido entre um espeto e outro, se houver apenas um espaço igual à sua largura, o resultado é "aberto igual ao fechado", o que é inválido. Por isso, necessariamente, o espaço entre eles precisa ser um pouco maior do que a largura deles.

"Quem escava um monte de gavelas" — retirou das gavelas por baixo, próximo ao chão, e fez um vão do tamanho de uma sucá, e a cobertura resultante ficou feita e de pé por si mesma — e a Torá disse "farás", e não a partir do que já estava feito. Mas, se já havia ali um vão de um palmo ao longo de sete palmos, feito desde o início com a finalidade de servir de cobertura, e depois escavou até elevar o vão à medida de dez palmos de altura, isso não é considerado uma "feitura" inválida, pois ele apenas ajustou as paredes, e quanto às paredes não se aplica o princípio de "farás e não do que já estava feito".