Se ela disse "sou impura", quebra sua ketubá e sai. E se disse "sou pura", levam-na ao portão oriental, que fica junto à entrada do Portão de Nicanor, onde se faz beber as sotot, e se purificam as parturientes, e se purificam os leprosos. E o sacerdote segura suas vestes — se rasgaram, rasgaram; se se abriram nas costuras, se abriram —, até que descobre seu peito e solta seu cabelo. Rabi Yehudá diz: se seu peito era belo, não o descobria; e se seu cabelo era belo, não o soltava. — A mishná apresenta a bifurcação decisiva: se, diante da advertência solene do tribunal, a mulher confessa sua impureza, o caso se encerra ali mesmo — ela perde o direito à sua ketubá e é divorciada, sem chegar a beber as águas. Mas se ela mantém sua alegação de pureza, o procedimento avança fisicamente: ela é conduzida ao portão oriental do Templo, junto ao Portão de Nicanor, local também usado para a purificação de parturientes e leprosos após seus respectivos períodos, pois ali se cumpre a exigência bíblica de estar "diante do Eterno". Nesse local, o sacerdote começa a expor sua condição, segurando suas vestes sem se preocupar se rasgam, até descobrir seu peito e soltar seu cabelo — um ato de humilhação pública que busca provocar nela, ainda nesta última hora, uma confissão espontânea. Rabi Yehudá discorda desse grau de exposição, temendo que, se ela for de fato inocente e sair livre do procedimento, sua beleza exposta desperte atenção indevida entre os jovens sacerdotes.
O ato de soltar o cabelo é derivado diretamente do versículo que descreve o sacerdote descobrindo a cabeça da mulher diante do Eterno.
Bartenura explica a derivação: se o versículo já dissera "e colocará a mulher diante do Eterno", incluindo todo o seu corpo, por que repetir especificamente "a cabeça da mulher"? Esse aparente excesso ensina que o sacerdote deve fazer algo específico à cabeça — soltar o cabelo dela — além de expor o restante de seu corpo. A exigência de que o local seja "diante do Eterno" também explica por que o procedimento — assim como a purificação de parturientes e leprosos — ocorre especificamente no portão oriental junto ao Portão de Nicanor, ponto de acesso mais próximo ao interior do Templo.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o propósito de levá-la e trazê-la repetidamente, e confirma que a halachá segue os sábios contra Rabi Yehudá.
Rambam esclarece que "levam-na ao portão oriental" significa, na prática, levá-la e trazê-la repetidamente, com o propósito de cansá-la fisicamente — na esperança de que, exausta, ela finalmente confesse antes de chegar ao ponto de beber as águas. Sobre a ketubá, explica que, se o documento físico estiver disponível, ele é rasgado; se não estiver, ela escreve um recibo de quitação, renunciando formalmente a qualquer reivindicação futura. A disputa final se resolve a favor dos sábios: Rabi Yehudá teme que, sendo ela inocente, sua exposição desperte atenção indevida de jovens sacerdotes, mas os sábios consideram mais importante o efeito de humilhação e vergonha do procedimento, que pode levá-la a confessar.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 6b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi conecta esta mishná diretamente à anterior: a mulher que diz "sou impura" é justamente aquela que, diante da advertência solene descrita na mishná precedente, confessa sua falha ao tribunal — mostrando que a admoestação teve o efeito pretendido de levá-la a admitir a verdade antes de se submeter ao restante do procedimento.
Rambam distingue os dois termos técnicos da mishná: "rasgar" refere-se a um corte no sentido do comprimento da veste, enquanto "abrir nas costuras" refere-se ao desfazer das laterais. Sobre soltar o cabelo, explica que o sacerdote desata as tranças e mechas presas da cabeça da mulher, espalhando-as livremente — o mesmo gesto de exposição descrito literalmente pelo versículo bíblico.
Bartenura conta a origem do nome do portão: Nicanor era o nome de um homem que trouxe, do Egito, portas magníficas para essa entrada do Templo, e que teve milagres ocorridos em seu favor durante a travessia marítima — episódio narrado no tratado de Yomá. Explica ainda a razão da posição minoritária de Rabi Yehudá: ele teme que, caso a mulher saia inocente do procedimento, os jovens sacerdotes que a viram exposta, com peito descoberto e cabelo solto, possam se sentir atraídos por ela de forma imprópria — daí sua cautela em poupar mulheres de aparência notável dessa exposição total. A halachá, porém, não o acompanha.