Se cinco reclamantes o acusavam, e lhe disseram: dá-nos o depósito que temos em tua mão — juro que não há nada vosso em minha mão — não é culpado senão por uma. Juro que não há nada teu em minha mão, nem teu, nem teu — é culpado por cada uma delas. Rabi Eliezer diz: até que diga "juro" por último. Rabi Shimon diz: até que diga "juro" para cada um deles. Dá-me o depósito, o penhor, o roubado e o achado que tenho em tua mão — juro que não há nada teu em minha mão — não é culpado senão por uma. Juro que não há em tua mão nem depósito, nem penhor, nem roubado, nem achado — é culpado por cada um deles. Dá-me o trigo, a cevada e a espelta que tenho em tua mão — juro que não há nada teu em minha mão — não é culpado senão por uma. Juro que não há em tua mão trigo, cevada nem espelta — é culpado por cada um deles. Rabi Meir diz: mesmo que tenha dito um grão de trigo, um grão de cevada e um grão de espelta, é culpado por cada um deles. — O princípio comum aos três exemplos desta mishná é que uma única expressão de "juro" que engloba múltiplos objetos ou múltiplos reclamantes numa só frase gera apenas uma culpa — o réu proferiu um único ato de negação sob juramento, ainda que ele abranja vários itens. Mas se o réu repete a palavra "juro" (ou sua fórmula equivalente) separadamente para cada item ou cada reclamante — "nem teu, nem teu, nem teu" — cada repetição constitui uma negação independente e gera culpa própria. Rabi Eliezer e Rabi Shimon disputam exatamente onde se situa o limiar dessa repetição: Rabi Eliezer basta que a palavra "juro" apareça ao final da enumeração para que ela retroaja sobre toda a lista; Rabi Shimon exige que "juro" seja dito explicitamente junto a cada item para que a multiplicação ocorra. O terceiro exemplo, sobre os cereais, adiciona a opinião de Rabi Meir, que radicaliza o princípio: mesmo mencionar cada cereal no singular ("um grão de trigo, um grão de cevada, um grão de espelta") já basta, para ele, para multiplicar a culpa — pois entende que o querelante, ao mencionar cada espécie separadamente, estava de fato apresentando três reivindicações distintas.
Rambam esclarece o ponto central da disputa sobre os cereais: Rabi Meir entende que, ao dizer "um grão de trigo" e "um grão de cevada", o reclamante estava se referindo à espécie inteira de cada cereal — como se tivesse dito "trigo" e "cevada" no plural — e por isso cada menção conta como reivindicação independente. Os Sábios, em contraste, entendem que a negação de "um grão de trigo" se refere literalmente a um único grão, uma quantidade tão insignificante que não constitui reivindicação separada digna de gerar culpa própria. E a halachá não segue nem Rabi Meir, nem Rabi Shimon, nem Rabi Eliezer — mas sim a opinião anônima da mishná (os Sábios).
Bartenura explica que "juro por último" significa dizer, ao final da enumeração completa — "não há nada teu em minha mão, nem teu, nem teu" — a palavra "juro" apenas uma vez, ao término; e ainda assim, segundo Rabi Eliezer, esse único "juro" final se estende retroativamente sobre todos os itens anteriormente enumerados, multiplicando a culpa. A halachá não segue nem Rabi Eliezer nem Rabi Shimon quanto a essa exigência de forma. Quanto à disputa sobre os cereais: Rabi Meir entende que quem reclama de seu companheiro "trigo" está se referindo à espécie inteira do trigo — e o mesmo vale para cevada e espelta — de modo que a formulação é equivalente a reclamar "trigos, cevadas e espeltas" no plural, cada um constituindo reivindicação distinta. Os Sábios, porém, entendem que ao dizer "um grão", o reclamante estava falando literalmente de um único grão de cada espécie — uma quantia irrisória, insuficiente para gerar culpa separada por espécie. E a halachá não segue Rabi Meir.
Rashi explica a posição de Rabi Eliezer: quando o réu enumera "não há nada teu em minha mão, nem teu, nem teu" e só então acrescenta "juro" ao final, essa palavra final passa a se aplicar retroativamente a toda a enumeração anterior — de modo que cada item já mencionado é, agora, coberto por um juramento próprio.
Rashi remete à Guemará para o desenvolvimento completo da disputa entre Rabi Meir e os Sábios sobre o alcance da expressão "um grão de trigo, um grão de cevada, um grão de espelta".