O juramento de expressão verbal se aplica a homens e a mulheres, a distantes e a próximos, a aptos e a inaptos, na presença do tribunal e fora da presença do tribunal, por iniciativa própria. E são culpados, por sua transgressão intencional, com açoites; e por seu erro, com oferenda ascendente e descendente. — Esta mishná funciona como uma síntese final de tudo o que o capítulo desenvolveu sobre o shevuat bituy, e antecipa, por contraste implícito, o tema do próximo capítulo — o juramento de testemunho (shevuat ha-edut), que a mishná paralela do início do Perek Dalet restringirá a homens, a não-parentes, e a pessoas aptas para testemunhar. O shevuat bituy, ao contrário, é radicalmente universal: aplica-se igualmente a homens e mulheres — sem distinção de gênero, já que o ato de jurar sobre a própria conduta não depende de capacidade de testemunhar; a parentes e não-parentes — pois o parentesco só desqualifica quem depõe sobre terceiros, não quem se compromete consigo mesmo; a pessoas aptas e inaptas para o testemunho — incluindo, por exemplo, quem foi desqualificado por transgressão, já que a validade do juramento sobre a própria fala independe da idoneidade moral exigida do testemunho; e tanto na presença de um tribunal quanto fora dele, bastando que a pessoa tenha proferido o juramento "por iniciativa própria" — de sua própria boca, sem necessidade de qualquer procedimento formal. A mishná fecha repetindo, pela última vez neste contexto, a estrutura de pena já conhecida: açoites para a transgressão intencional, oferenda ascendente e descendente para o erro.
Rambam explica que a expressão "por iniciativa própria" não exclui o caso de um juramento imposto por terceiros — pois, se a pessoa responde "amém" a um juramento que outrem lhe impôs, isso equivale, para todos os efeitos, a tê-lo proferido ela mesma. A condição essencial é que, de um modo ou de outro, a fala (a sua própria, ou a confirmação por "amém") tenha partido da própria boca da pessoa.
Bartenura explica o propósito redacional da mishná: ela é formulada em contraste deliberado com a mishná introdutória do próximo capítulo, que restringirá o juramento de testemunho a homens, excluindo mulheres e outras categorias — e é justamente essa comparação futura que motiva o Tanna a enumerar aqui, com detalhe, todas as categorias às quais o shevuat bituy se aplica sem exceção.