Rabi Shimon ben Yehudá diz em seu nome: os bodes das luas novas expiam sobre o puro que comeu o impuro. Acrescenta a eles os das festas, que expiam sobre o puro que comeu o impuro e sobre o que não há nela consciência nem no início nem no fim. Acrescenta a eles o do Dia do Perdão, que estes expiam sobre o puro que comeu o impuro, e sobre o que não há nela consciência nem no início nem no fim, e sobre o que não há nela consciência no início, mas há nela consciência no fim. Disseram-lhe: e quanto a se oferecerem um pelo outro? Disse-lhes: sim. Disseram-lhe: se assim é, que os do Dia do Perdão se ofereçam nas luas novas — mas como os das luas novas se oferecerão no Dia do Perdão, para expiar uma expiação que não é sua? Disse-lhes: todos vêm para expiar sobre a impureza do Templo e das coisas sagradas. — Rabi Shimon ben Yehudá relata, em nome de seu mestre Rabi Shimon — comumente identificado como Rabi Shimon bar Yochai —, uma versão diferente e mais elaborada da escala expiatória, organizada não por categorias paralelas e distintas, como na mishná anterior, mas por um princípio cumulativo de amplitude crescente. Os bodes das luas novas, no nível mais restrito, expiam apenas sobre a categoria do puro que comeu alimento sagrado impuro. Os bodes das festas de peregrinação, um nível acima, herdam essa mesma capacidade e acrescentam a ela a categoria da ignorância total (nem consciência inicial, nem final). E o bode externo de Yom Kipur, no ápice da escala, absorve todas as capacidades anteriores e ainda acrescenta a categoria de consciência final sem consciência inicial — que, segundo a Mishná 1:3, é justamente sua função primária e mais característica. Esta estrutura em camadas sucessivas, cada uma englobando a anterior, gera uma objeção lógica interessante por parte dos interlocutores de Rabi Shimon ben Yehudá: se a intercambialidade entre bodes de categorias distintas é permitida — como ele afirma — então, num sentido, faz sentido que um bode de Yom Kipur (o mais amplo) sirva no lugar de um bode de lua nova (o mais restrito), pois o primeiro já contém a capacidade do segundo. Mas o inverso parece impossível: como poderia um bode de lua nova, cuja capacidade expiatória é estritamente limitada a uma única categoria, servir no lugar de um bode de Yom Kipur, que precisa cobrir uma gama muito mais ampla de esquecimentos possíveis? A resposta final de Rabi Shimon ben Yehudá recorre ao mesmo princípio unificador já visto na mishná anterior: apesar das diferenças de amplitude entre eles, todos os bodes, em sua essência mais profunda, servem ao mesmo propósito geral e indivisível — expiar a impureza do Templo e das coisas sagradas —, e é essa identidade de propósito último que permite, apesar de tudo, a substituição mútua entre eles.
Rambam observa brevemente a lógica estrutural do texto: a razão pela qual a mishná precisa especificar, ao final, que o bode de Yom Kipur "acrescenta" ainda a categoria de consciência final sem consciência inicial é justamente para deixar claro que sua capacidade expiatória — já estabelecida na Mishná 1:3 — permanece intacta e é incorporada nesta escala cumulativa mais ampla, e não substituída por ela.
Rashi identifica que o "Rabi Shimon" cujo nome é aqui transmitido por seu discípulo Rabi Shimon ben Yehudá é, salvo indicação em contrário, o célebre Rabi Shimon bar Yochai. Sobre a objeção lógica do diálogo, Rashi explica com clareza a dificuldade: um bode que já foi separado (designado) para uma finalidade expiatória específica no momento de sua consagração não deveria, em princípio, poder servir para uma finalidade diferente da qual foi originalmente designado — e é exatamente esse princípio que torna difícil entender como um bode de categoria mais restrita poderia substituir um de categoria mais ampla. Rashi resume a resposta final: como, no fundo, todos os bodes visam ao mesmo objetivo essencial — expiar a impureza do Templo e das coisas sagradas —, mesmo com suas capacidades específicas distintas, a substituição entre eles permanece halachicamente possível.