Não se importa teruma (produto separado como oferenda sacerdotal) de fora da Terra para a Terra (de Israel, pois a teruma de fora da Terra é, na maioria das vezes, apenas de origem rabínica, e sua entrada geraria confusão com a teruma de origem bíblica da própria Terra). Disse Rabi Shimon: ouvi explicitamente que se importa da Síria (por ser terra próxima e de status intermediário), mas não se importa de fora da Terra (propriamente dita).
Com esta mishná encerra-se o Perek Vav, que se abriu com os limites territoriais da shevi'it e se fecha com o movimento inverso da mishná anterior: em vez da exportação de frutos de shevi'it para fora da Terra, agora a importação de teruma de fora da Terra para dentro dela.
A teruma bíblica plena só existe na Terra de Israel; a de fora da Terra é apenas de origem rabínica, e sua mistura com a da Terra gera confusão prática. A obrigação bíblica plena de separar teruma se aplica apenas aos produtos da Terra de Israel; fora dela, os sábios estenderam essa obrigação apenas por decreto rabínico, em grau mais leve. Se teruma de fora da Terra fosse trazida e misturada com a teruma da própria Terra de Israel, um cohen ou um israelita poderia confundir os graus de santidade e tratar com menos rigor uma teruma que, por vir da Terra de Israel, exige tratamento pleno. Por isso, os sábios proibiram a importação. Rabi Shimon, como na mishná anterior sobre a exportação de óleo e frutos, propõe uma exceção para a Síria — mas, também aqui, a mishná anônima e o Rambam mantêm a proibição em toda a sua extensão.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam trata esta lei em Hilchot Terumot, e não em Hilchot Shemitá — sinal de que, embora a mishná a apresente na sequência das leis de shevi'it (por compartilhar o mesmo tema territorial das mishnayot precedentes deste perek), sua natureza jurídica pertence propriamente às leis de teruma, não à shemitá. O Rambam decide contra Rabi Shimon: mesmo a importação da Síria é vedada, e caso a teruma seja trazida de fora da Terra, nem sequer pode ser comida, pois a impureza presumida no território considerado "terra dos cutim" a desqualifica.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Tudo isso é evidente, e a halachá não segue Rabi Shimon.
"Não se importa teruma de fora da Terra para a Terra": porque os cohanim costumam ir atrás da teruma até a eira, e os sábios temeram que os cohanim ficassem perseguindo-a e saíssem para fora da Terra para trazer a teruma (abandonando assim a Terra de Israel).
E a halachá não segue Rabi Shimon.