Aquele que constrói um muro entre o seu (campo) e o domínio público, é permitido aprofundar até a rocha. O que fará com a terra? Amontoa-a no domínio público e a repara (depois) — palavras de Rabi Yehoshua. Rabi Akiva diz: assim como não se estraga o domínio público, também não se repara. O que fará com a terra? Amontoa-a dentro de seu campo, do modo dos que adubam. E do mesmo modo, aquele que escava um poço, um fosso, ou uma caverna (faz o mesmo).
A mishná final do perek trata da construção de um muro voltado ao domínio público, situação em que a proibição de "teu campo não semearás" (Vayikrá 25:4) se combina com a preocupação de não prejudicar o espaço comum.
Entre dois campos e entre o campo e a rua. As mishnayot deste perek já estabeleceram (implicitamente) que é proibido construir um muro entre o próprio campo e o campo do vizinho durante a shevi'it, pois isso teria a aparência de melhoria do próprio terreno para a lavoura. Mas um muro construído entre o campo e o domínio público (reshut harabim) é permitido, porque ninguém suspeitaria de que o dono está preparando seu campo para semear junto à via pública — ali, presume-se que o propósito é apenas delimitar a propriedade e protegê-la do trânsito comum. Por isso, é permitido inclusive aprofundar as fundações do muro até atingir a rocha firme, escavação que de outro modo pareceria reparo do solo. A disputa entre Rabi Yehoshua e Rabi Akiva diz respeito apenas ao destino da terra removida na escavação: se pode ser temporariamente depositada no próprio domínio público (e depois recolhida e o local restaurado), ou se deve ir diretamente para dentro do campo do próprio dono, na forma de um dos montes de esterco já descritos no início do perek — encerrando assim o círculo temático do capítulo, que começou com a adubação do campo e termina retornando a ela.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá conforme Rabi Akiva contra Rabi Yehoshua — a terra escavada nunca deve ser depositada, nem mesmo temporariamente, no domínio público, mas sim levada diretamente para dentro do campo do próprio dono, formando ali um monte de terra segundo as mesmas regras aplicadas aos montes de esterco (3:2-3). O Rambam também explicita, no início da halachá, a proibição implícita da mishná — que jamais se constrói um muro entre dois campos particulares durante a shevi'it — deixando claro que a permissão de aprofundar até a rocha vale apenas para o muro voltado ao domínio público.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"E a repara" (metaknó): nivela-a e a repara. Rabi Akiva proíbe nivelar e reparar o domínio público — e também não estragar; pois, quando for nivelar e remover as pedras, precisará jogá-las em outro lugar, e resultará em estragar. Mas, se estiver recolhendo as pedras dali e removendo o que está estragado, e jogar fora o que removeu — lançando-o ao mar ou aos montes de esterco — isso é permitido, e assim está explicado na Guemará (do Yerushalmi). E a halachá segue Rabi Akiva.
"Aprofundar até a rocha": e não tememos que, mudando de ideia, venha a semear ali — pois não é costume dos homens semear junto ao domínio público. Mas entre ele e seu vizinho, tememos que mude de ideia e semeie ali, e por isso é proibido.
"Amontoa-a no domínio público": e depois a retira dali e repara o domínio público como estava antes.
"Assim como não se estraga o domínio público, também não se repara": ou seja, não basta dizer que é proibido amontoar sua terra no domínio público, mesmo que depois a remova — pois isso é estragar temporariamente —, mas até mesmo reparar é proibido (nesse contexto).
"O que fará com a terra": segundo a opinião de Rabi Akiva.
"Amontoa-a dentro de seu campo, do modo dos que adubam": três montes por bet-seá.
"E do mesmo modo, aquele que escava poço, fosso e caverna": discordam nisso Rabi Yehoshua e Rabi Akiva. E a halachá segue Rabi Akiva.