A colmeia de abelhas (pousada sobre o solo, sem estar fixada com barro): Rabi Eliezer diz: eis que é como a terra (para todos os efeitos legais), e escreve-se sobre ela o pruzbul (caso o devedor não tenha outra terra), e ela não recebe impureza em seu lugar (assim como a terra fixa não é suscetível de impureza ritual, também a colmeia, equiparada a ela, não a recebe enquanto permanece em seu lugar), e o que colhe dela em Shabat é culpado (pelo trabalho de "colher" — como quem arranca algo preso ao solo). Mas os sábios dizem: ela não é como a terra, e não se escreve sobre ela o pruzbul, e ela recebe impureza em seu lugar (como qualquer utensílio móvel, suscetível de impureza mesmo parado), e o que colhe dela em Shabat está isento (da pena de morte por lapidação, embora ainda proibido pelos sábios).
O critério de "terra" para o pruzbul, tratado na mishná anterior, é aqui testado no caso-limite da colmeia — objeto que, embora pousado sobre o solo, guarda uma relação peculiar com ele. A questão de colher mel em Shabat remonta a um episódio bíblico citado pelos próprios sábios.
O versículo sobre Yonatan, filho de Shaul, que mergulhou a ponta de seu bastão no favo de mel encontrado no bosque, é a fonte da qual os sábios (segundo relata o Bartenura) derivam a equiparação entre colher mel e colher da floresta. Chama-se ali o favo de mel de "יַעְרַת הַדְּבָשׁ" — "o bosque do mel" — e os sábios perguntam: que relação tem um bosque com o mel? A resposta ensina o princípio por trás da opinião de Rabi Eliezer nesta mishná: assim como quem arranca algo de um bosque, separando-o de seu ponto de fixação na terra, é culpado pelo trabalho proibido de "colher" em Shabat, também quem retira o mel de dentro da colmeia — desde que esta seja considerada equivalente à terra — comete o mesmo trabalho, culpável de pena capital por lapidação. A disputa da mishná gira, portanto, em torno de saber se a colmeia (parada sobre o solo, mas não fixada nele com barro) mantém, ou não, esse vínculo com a terra que justificaria tal equiparação em todos os três âmbitos discutidos.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a halachá segue os sábios, contra Rabi Eliezer.
A halachá final, portanto, exclui a colmeia da categoria de "terra" em todos os três aspectos discutidos: não serve de base para o pruzbul, permanece suscetível à impureza ritual mesmo parada, e quem colhe dela em Shabat não incorre em pena capital — embora ainda seja repreendido rabinicamente.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Colmeia": é o utensílio no qual as abelhas se reúnem e nele fazem o mel. E o que disse "eis que é como a terra": quanto a adquiri-la por dinheiro, documento e posse (as três formas de aquisição válidas para bens imóveis), e para que se adquira móveis sobre ela e demais leis das propriedades imóveis (seguindo o exemplo de Peá 3:6, onde já se discutiu situação semelhante).
"E o que colhe dela em Shabat": quem faz descer o mel dela, o que, para sua consideração legal, é como quem arranca uma planta da terra.
"A colmeia de abelhas etc.": quando está fixada com barro, todos concordam que é como a terra para todos os efeitos; e se estava colocada sobre estacas (suspensa, sem contato direto com o solo), todos concordam que é como os utensílios móveis e não como a terra — a disputa é apenas quando está pousada sobre o solo, sem estar fixada com barro (o caso intermediário).
"E o que colhe": dos favos de mel que há dentro dela em Shabat, é culpado de oferenda expiatória, como quem arranca algo de seu lugar de fixação, pois está escrito "e a molhou no favo de mel" — e que relação tem o bosque com o mel? Antes, assim como quem arranca do bosque em Shabat é culpado de oferenda expiatória, também quem colhe mel dele em Shabat é culpado de oferenda expiatória. E a halachá não segue Rabi Eliezer (a halachá segue os sábios em todos os três pontos da disputa).