Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ח׳ · Mishná 5 de 8

As medidas e a confecção do véu do Templo

רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר מִשּׁוּם רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן הַסְּגָן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Continua o tema do parochet detalhando, em nome de Rabi Shimon ben Hasegan, suas medidas exatas de espessura, fiação, comprimento e largura, o número de fios usados em sua confecção, e o grande número de sacerdotes necessários para imergi-lo.

Rabam Shimon ben Gamliel diz, em nome de Rabi Shimon ben Hasegan: o véu tem um tefach de espessura, e é tecido em setenta e dois fios principais, e cada fio principal tem vinte e quatro cordões.A descrição transmite a impressionante robustez física do parochet: quase dez centímetros de espessura, tecido com setenta e dois fios mestres — correspondentes às quatro cores da matéria-prima multiplicadas por seis dobras cada —, e cada um desses fios mestres composto de vinte e quatro cordões individuais entrelaçados.

Seu comprimento é de quarenta côvados e sua largura de vinte côvados, e de oitenta e duas miríades é feito.Suas dimensões monumentais — cerca de vinte metros de comprimento por dez de largura — correspondiam exatamente à abertura do pórtico do Templo; e o número gigantesco de oitenta e duas miríades refere-se, segundo uma leitura, à quantidade total de fios usados em sua trama, e segundo outra, ao extraordinário custo em dinares de ouro empregado em sua confecção.

E dois se faziam a cada ano, e trezentos sacerdotes o imergiam.Devido ao desgaste natural e à necessidade de substituição, dois véus completos eram tecidos todos os anos; e por seu peso e volume extraordinários, encharcado de água após o tingimento e a tecelagem, eram necessários trezentos sacerdotes trabalhando em conjunto apenas para conseguir submergi-lo completamente na imersão purificadora.

רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר מִשּׁוּם רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן הַסְּגָן, פָּרֹכֶת עָבְיָהּ טֶפַח, וְעַל שִׁבְעִים וּשְׁתַּיִם נִימִין נֶאֱרֶגֶת, וְעַל כָּל נִימָא וְנִימָא עֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה חוּטִין. אָרְכָּהּ אַרְבָּעִים אַמָּה וְרָחְבָּהּ עֶשְׂרִים אַמָּה, וּמִשְּׁמוֹנִים וּשְׁתֵּי רִבּוֹא נַעֲשֵׂית. וּשְׁתַּיִם עוֹשִׂין בְּכָל שָׁנָה, וּשְׁלשׁ מֵאוֹת כֹּהֲנִים מַטְבִּילִין אוֹתָהּ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 26:31
וְעָשִׂיתָ פָרֹכֶת תְּכֵלֶת וְאַרְגָּמָן וְתוֹלַעַת שָׁנִי וְשֵׁשׁ מָשְׁזָר מַעֲשֵׂה חֹשֵׁב יַעֲשֶׂה אֹתָהּ כְּרֻבִים׃
E farás um véu de azul celeste, púrpura, escarlate e linho torcido; obra de artesão o farás, com querubins.

As quatro matérias-primas mencionadas no versículo de Shemot — techelet, argamán, tolaat shani e linho torcido — são exatamente o que os sábios têm em mente ao calcular os "setenta e dois fios principais" do parochet: cada uma das quatro matérias, torcida em seis fios conforme o costume de fiação sagrada, resulta em vinte e quatro fios por matéria, e as quatro juntas totalizam noventa e seis — número do qual os sábios chegam à cifra de setenta e dois por outra contagem tradicional, preservada nesta mishná como memória viva da grandiosidade técnica da peça. A menção de que era "obra de artesão", maasse choshev, a designação bíblica mais elevada para trabalho têxtil, explica por que a mishná anterior insistia em expor publicamente cada véu novo antes de escondê-lo atrás do Santo dos Santos.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura · Shekalim 8:5
אָרְכָּהּ אַרְבָּעִים וְרָחְבָּהּ עֶשְׂרִים. כְּמִדַּת פֶּתַח הָאוּלָם, שֶׁהָיָה גָּבְהוֹ אַרְבָּעִים וְרָחְבּוֹ עֶשְׂרִים: וּשְׁלֹשׁ מֵאוֹת כֹּהֲנִים הָיוּ מַטְבִּילִין אוֹתָהּ. דְּכֵלִים הַנִּגְמָרִים אַף עַל פִּי שֶׁנִּגְמְרוּ בְּטָהֳרָה צְרִיכִים טְבִילָה לְקֹדֶשׁ, כִּדְאִיתָא בְּמַסֶּכֶת חֲגִיגָה:

"Seu comprimento é de quarenta e sua largura de vinte" — na medida exata da abertura do pórtico do Templo, cuja altura era de quarenta côvados e a largura de vinte. "E trezentos sacerdotes o imergiam" — porque utensílios concluídos, mesmo que feitos em pureza ritual do início ao fim, ainda precisam de imersão antes de servirem para uso sagrado, como se ensina no tratado de Chaguigá.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 8:5
רשב"ג אוֹמֵר מִשּׁוּם ר"ש בֶּן הַסְּגָן כוּ': שְׁמוֹנִים וּשְׁתַּיִם רִבּוֹא — שְׁמוֹנֶה מֵאוֹת אֶלֶף וְעֶשְׂרִים אֶלֶף דִּינָר. וּמְלֶאכֶת הַפָּרֹכֶת הִיא מְלֶאכֶת הַתַּשְׁבֵּץ. וְכָל מַה שֶּׁנִּזְכַּר בָּזֶה הַפָּרֹכֶת, הַכֹּל לְשׁוֹן הַבַּאי, וְכֵן בֵּאֲרוּ בַּשַּׁ"ס.

"Rabam Shimon ben Gamliel diz em nome de Rabi Shimon ben Hasegan" etc.: "oitenta e duas miríades" — oitocentos e vinte mil dinares. E a confecção do véu é obra de bordado entrelaçado. E tudo o que se menciona a respeito deste véu — todas essas cifras — é linguagem de exagero retórico, como já se explicou no Talmude, empregada para transmitir a grandeza extraordinária da peça, e não números literais precisos.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 8:5
נִימִין. ליצי"ש בְּלַעַ"ז. עֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה חוּטִין. לְפִי שֶׁהִיא עֲשׂוּיָה מִתְּכֵלֶת וְאַרְגָּמָן וְתוֹלַעַת שָׁנִי וָשֵׁשׁ, וְכָל מִין וּמִין חוּטוֹ כָּפוּל שֵׁשׁ, כִּדְאִיתָא בְּיוֹמָא. וּמִשְּׁמֹנִים וּשְׁתַּיִם רִבּוֹא. כָּךְ הָיָה מִנְיַן הַחוּטִים שֶׁהִיא נַעֲשֵׂית מֵהֶן. פֵּרוּשׁ אַחֵר, מִנְיַן דִּינְרֵי זָהָב שֶׁהָיוּ מוֹצִיאִין עָלֶיהָ.

"Fios principais" — em francês antigo, "lices", os fios mestres da urdidura. "Vinte e quatro cordões" — porque é feita de azul celeste, púrpura, escarlate e linho, e cada matéria tem seu fio dobrado seis vezes, como se ensina no tratado de Iomá. "E de oitenta e duas miríades" — assim era o número dos fios com que se confeccionava; outra explicação: o número de dinares de ouro gastos em sua confecção, testemunho da riqueza investida nesta única peça do Templo.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.