Disse Rabi Shimon: sete coisas instituiu o Beit Din, e esta é uma delas. — Rabi Shimon anuncia uma lista fechada de sete decretos rabínicos, dos quais o primeiro é apresentado a seguir, com os demais completando-se ao longo desta e da próxima mishná.
Um não-judeu que enviou seu holocausto do exterior e enviou junto libações, elas são oferecidas às custas dele; e se não, são oferecidas às custas do fundo comunitário. — Um não-judeu que envia à distância um animal para ser sacrificado como holocausto no Templo pode, como qualquer israelita, incluir junto as libações obrigatórias; mas caso não as tenha enviado, o Beit Din decretou que o fundo comunitário as forneça, para que o sacrifício não fique impedido por falta delas.
E também um convertido que morreu e deixou sacrifícios: se tem libações, são oferecidas às custas dele; e se não, são oferecidas às custas do fundo comunitário. — Da mesma forma, se um convertido ao judaísmo falece deixando animais já separados para sacrifício, sem herdeiros judeus que assumam a obrigação, as libações necessárias vêm do próprio patrimônio do falecido se disponíveis, e do tesouro comunitário se não houver.
E é condição do Beit Din sobre o sumo sacerdote falecido, que sua oferenda de farinha seja trazida às custas do fundo comunitário. Rabi Yehuda diz: às custas dos herdeiros; e era trazida inteira. — A minchá diária que todo sumo sacerdote deve oferecer continua sendo trazida mesmo após sua morte, até que se nomeie um sucessor; o Beit Din decretou que essa oferenda venha do tesouro público, enquanto Rabi Yehuda sustenta que cabe aos herdeiros do sumo sacerdote falecido financiá-la — mas em ambos os casos, era trazida como oferenda inteira, e não dividida em metade pela manhã e metade à tarde.
O versículo de Vayikra institui a minchat chavitin, a oferenda diária de farinha que o sumo sacerdote traz todos os dias de sua vida, metade ao amanhecer e metade ao entardecer — a mesma minchá mencionada nesta mishná. A expressão "חֹק עוֹלָם", lei eterna, usada logo a seguir no mesmo capítulo, é a base textual da disputa entre o decreto do Beit Din e a opinião de Rabi Yehuda sobre quem deve financiar essa oferenda após a morte do sumo sacerdote: o Beit Din lê "eterna" como pertencente ao público, enquanto Rabi Yehuda a lê como pertencente à linhagem do próprio sumo sacerdote falecido, transmitida a seus herdeiros. Em ambas as leituras, porém, concorda-se que ela continua sendo oferecida inteira, e não fragmentada como as demais menachot descontinuadas.
"É oferecida às custas do fundo comunitário" — porque está escrito "lei eterna" (Vayikra 6), e essa lei entende-se como pertencente a todo o povo, isto é, financiada pela teruma da câmara. "Rabi Yehuda diz: às custas dos herdeiros" — porque está escrito no mesmo capítulo "e o sacerdote ungido em seu lugar, dentre seus filhos", indicando que a linhagem do sumo sacerdote assume a continuidade da oferenda.
"Sete coisas instituiu o Beit Din" etc.: a oferenda de farinha do sumo sacerdote é o que diz o versículo — "esta é a oferenda de Aharon e seus filhos, que oferecerão ao Senhor no dia de sua unção": um décimo de efá de flor de farinha como oferenda, metade dela pela manhã e metade dela à tarde. E a lei não segue a opinião de Rabi Yehuda, mas sim o decreto do Beit Din.
"Um não-judeu que enviou seu holocausto" — porque se interpreta a expressão repetida "homem, homem" (Vayikra 17) como ensinando que os não-judeus também podem fazer votos e doações voluntárias, assim como Israel. "E era trazida inteira" — quando vinha do fundo comunitário segundo Rabi Shimon ou dos herdeiros segundo Rabi Yehuda, a minchá do sumo sacerdote falecido era oferecida como um décimo completo, e não dividida pela metade como seria se dois sumos sacerdotes a trouxessem juntos.